Alguns partidos, perante a diminuição da sua influência, motivada pela sua própria incapacidade de representar de forma efectiva o interesse geral e de conduzir as (cada vez mais) diversas solicitações dos cidadãos, vêem-se obrigados a transformar-se internamente, em épocas de crise. Em consequência dessas transformações, sobretudo em momentos de crise dos partidos de massas, surge uma nova classe de político que considera que a política não é mais que um negócio como qualquer outro. Essa transformação abre espaços à infiltração nos partidos de uma classe de políticos com parco sentido da moral e da coisa pública. Nesta situação, a classe política é facilmente substituída por indivíduos que consideram a política basicamente como um negócio.
Os políticos de negócios caracterizam-se por indivíduos que querem sacar o máximo de proveito pessoal do controle dos recursos públicos. Para atingirem o seu objectivo, substituem a representação do interesse colectivo pela concretização das pretensões individuais.
Esta nova classe política consolida o seu poder ocupando vários cargos no sector público, uma vez que estes cargos permitem desde logo, atingir os seus objectivos sem entrave, nomeadamente no que se refere à apropriação privada de recursos públicos. E utilizam mesmo a burocracia (na forma como ela é entendida por Max Weber) em seu próprio benefício. Estes políticos de negócios enriquecem pessoalmente por meio de subornos e pela aplicação do seu poder político noutras actividades, sobretudo naquelas em que esse poder lhes confere um estatuto de condição de superioridade.
Em geral os políticos de negócios não possuem a preparação profissional ou formação ideológica que lhes permitiria cumprir as tarefas requeridas pela administração pública, nem tão pouco uma identidade colectiva formada com base numa comunidade de interesses.
Tudo isto obriga a perder a ideologia dos partidos e a sua capacidade para fazerem propostas, criando em simultâneo um sistema que exclui todos os que não compactuam com os seus métodos. Utilizam por isso todos os métodos necessários para conservar o poder adquirido e o acesso aos recursos públicos. Este tipo de partidos transformam-se em agências de socialização da ilegalidade, colocando os seus homens em cargos de responsabilidade de organismos públicos, a troco do cumprimento das regras de uso desses lugares, para o “financiamento político”. O facto de alguns partidos actuarem como centros do poder, ratificando os seus actos em vez de condená-los, permite que a corrupção se propague e se degrade tudo o que tem origem político.
A confiança é um elemento essencial na relação entre os cidadãos e os seus representantes, ou seja, é um valor que está implícito à decisão, na hora de eleger um representante. A confiança entre representados e representantes traduz-se também na confiança de um povo no seu sistema de governo, na legitimidade do Estado e das suas instituições. Em consequência, a diminuição ou falta deste valor pode colocar em causa todo o sistema político.
É importante salientar que a perda da confiança, derivada da corrupção política, produz um grave desinteresse da sociedade civil pela democracia representativa, traduzido num abstencionismo que nos afasta cada vez mais da vida política, na perda do significado do voto que tende a converter-se em mera mercadoria transaccionável, e numa falha na essência e legitimidade das eleições.
O tipo de apoio obtido pelos partidos políticos através da corrupção e do clientelismo, é incapaz de garantir uma verdadeira legitimidade ao sistema político e às instituições do governo.
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Eu cá por mim até acho que o médico do Centro de Saúde de Vieira do Minho, que escreveu a nota jocosa sobre Correia de Campos, e a directora que não a foi arrancar a correr (sim, porque mandou retirar, só que não foi tão rápida como o ministro acha que devia ter sido), mereciam um louvor do Estado. Há lá sítio neste País que precise mais de sentido de humor do que um centro de saúde? Bem, as escolas, se calhar... E daí, talvez não. Parece que o Governo ainda não se lembrou de atacar o sentido de humor das crianças. Mas é melhor pararmos por aqui, senão ainda lhes damos ideias.
Na realidade, a possibilidade de nos podermos expressar publicamente, é apenas de alguns, quase sempre profissionais da política e do jornalismo. A maioria dos cidadãos vêem-se reduzidos ao papel de leitores, radiouvintes e telespectadores. Apenas alguns têm a oportunidade de expor as suas opiniões por escrito. Ainda que os jornais reservem um espaço próprio para os leitores, na secção Cartas do Director. Mas até mesmo esta ínfima possibilidade de nos fazermos ouvir, depende da decisão do jornal e não do autor da carta. Valha-nos agora os blogs!
A falta de interesse pela educação, que recebem as crianças dos bairros marginais, assegura-lhes à partida, “uma taxa de exclusão” para o futuro. A igualdade de oportunidades apregoada por aí, não passa de uma frase feita, porque os meios públicos não são colocados de igual forma ao alcance de todos.
A reunião dos chefes de Estado e de Governo dos oito países mais industrializados do mundo (G8), que tem hoje início em Heiligendamm na Alemanha, mostra-nos um cenário político e socio-económico pouco animador para o futuro da humanidade. No evento que terá como lema essencial “Crescimento e Responsabilidade”, os líderes do G8 debaterão e decidirão uma vez mais sobre as questões de economia e política global que os afectam, sem ter em conta os mínimos interesses dos países subdesenvolvidos, a não ser uma pequena referência sobre a situação económica em África.
Para as grandes potências, a guerra representa um mero jogo de estratégias. Para os países subdesenvolvidos, o espectáculo dantesco da ruína, a fome e a morte.
A ânsia de poder representa outra das características comuns de toda a iniciativa bélica. É esta que move os caciques das sociedades a colaborar com as iniciativas dos seus líderes. Subir na escada do poder é a perspectiva dos políticos, salvo para os poucos que assumem os seus objectivos como um serviço à sociedade. Os oficiais militares e os cabecilhas políticos oferecem-se para constituir os "estados-maiores" que realizarão as operações de extermínio do grupo social, elevado à categoria de inimigo. Personificar-se e identificar-se com o líder, constitui a garantia de uma quota de poder, alcançada a vitória. 
E, como sabem pouco, e no fundo não querem aprender mais porque crêem que nada mais têm para saber, costumam opinar sobre temas conjunturais. Ou seja, sobre o que geralmente a comunicação social já opinou o que, no entanto, não deixa de ser medíocre, escandaloso, pretensioso e de grande ignorância. Outro defeito mais que têm os “manda bocas” aficionados ou os “língua de trapo” profissionais, é a sua incapacidade para se manterem em silêncio quando as circunstâncias o exigem.

Para os homens, pode parecer felicidade barata mas, para as mulheres, que sabem o alto custo disso, um dia de sorriso garantido é aquele em que a pele amanhece perfeita, os cabelos dispostos a colaborarem e o guarda-roupa recheado de peças que parecem ter sido desenhadas sob medida. Mas quem pensa que a tradicional produção visual feminina visa encantar os olhares masculinos, engana-se. É claro que, nessa história, há uma boa dose de síndrome de pavão, que se enfeita para atrair o sexo oposto, e também um pouco de satisfação pessoal. Mas o que atormenta a maioria das mulheres naqueles dias de t-shirt, calça de algodão e rabinho de cavalo é a própria opinião feminina. Como boas representantes da espécie, elas sabem que o mundo é uma arena de leoas, todas de olho vivo para condenar sapatos mal escolhidos, maquilhagens borradas e outros deslizes da concorrência. 

