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sábado, agosto 25, 2007

A propósito...


Os políticos de Negócios

Alguns partidos, perante a diminuição da sua influência, motivada pela sua própria incapacidade de representar de forma efectiva o interesse geral e de conduzir as (cada vez mais) diversas solicitações dos cidadãos, vêem-se obrigados a transformar-se internamente, em épocas de crise. Em consequência dessas transformações, sobretudo em momentos de crise dos partidos de massas, surge uma nova classe de político que considera que a política não é mais que um negócio como qualquer outro. Essa transformação abre espaços à infiltração nos partidos de uma classe de políticos com parco sentido da moral e da coisa pública. Nesta situação, a classe política é facilmente substituída por indivíduos que consideram a política basicamente como um negócio.
Os políticos de negócios caracterizam-se por indivíduos que querem sacar o máximo de proveito pessoal do controle dos recursos públicos. Para atingirem o seu objectivo, substituem a representação do interesse colectivo pela concretização das pretensões individuais.
Esta nova classe política consolida o seu poder ocupando vários cargos no sector público, uma vez que estes cargos permitem desde logo, atingir os seus objectivos sem entrave, nomeadamente no que se refere à apropriação privada de recursos públicos. E utilizam mesmo a burocracia (na forma como ela é entendida por Max Weber) em seu próprio benefício. Estes políticos de negócios enriquecem pessoalmente por meio de subornos e pela aplicação do seu poder político noutras actividades, sobretudo naquelas em que esse poder lhes confere um estatuto de condição de superioridade.
Em geral os políticos de negócios não possuem a preparação profissional ou formação ideológica que lhes permitiria cumprir as tarefas requeridas pela administração pública, nem tão pouco uma identidade colectiva formada com base numa comunidade de interesses.
Tudo isto obriga a perder a ideologia dos partidos e a sua capacidade para fazerem propostas, criando em simultâneo um sistema que exclui todos os que não compactuam com os seus métodos. Utilizam por isso todos os métodos necessários para conservar o poder adquirido e o acesso aos recursos públicos. Este tipo de partidos transformam-se em agências de socialização da ilegalidade, colocando os seus homens em cargos de responsabilidade de organismos públicos, a troco do cumprimento das regras de uso desses lugares, para o “financiamento político”. O facto de alguns partidos actuarem como centros do poder, ratificando os seus actos em vez de condená-los, permite que a corrupção se propague e se degrade tudo o que tem origem político.
A confiança é um elemento essencial na relação entre os cidadãos e os seus representantes, ou seja, é um valor que está implícito à decisão, na hora de eleger um representante. A confiança entre representados e representantes traduz-se também na confiança de um povo no seu sistema de governo, na legitimidade do Estado e das suas instituições. Em consequência, a diminuição ou falta deste valor pode colocar em causa todo o sistema político.
É importante salientar que a perda da confiança, derivada da corrupção política, produz um grave desinteresse da sociedade civil pela democracia representativa, traduzido num abstencionismo que nos afasta cada vez mais da vida política, na perda do significado do voto que tende a converter-se em mera mercadoria transaccionável, e numa falha na essência e legitimidade das eleições.
O tipo de apoio obtido pelos partidos políticos através da corrupção e do clientelismo, é incapaz de garantir uma verdadeira legitimidade ao sistema político e às instituições do governo.


Link relacionado.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Vozes que se levantam


Em defesa da liberdade e da democracia


C om o 25 de Abril, um momento maior da história e da luta do Povo português, conquistámos a liberdade e abrimos as portas para profundas transformações na vida nacional. Ao derrubamento do regime fascista, sucedeu-se o lançamento das bases fundamentais de uma democracia integrando, complementarmente, as vertentes política, económica, social e cultural – uma democracia amplamente participada e conjugada com uma inequívoca afirmação de defesa da independência e soberania nacionais.

O regime democrático assim moldado foi consagrado na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976 – sem dúvida um dos textos constitucionais mais avançados e progressistas da Europa.
Sabemos que, de então para cá, com responsabilidades e cumplicidades de diferentes governos e presidentes da República, a Constituição, não só não foi cumprida, como ainda foi desfigurada, por sucessivas revisões, em muitos dos seus aspectos fundamentais. E sabemos que, apesar disso, o cumprimento do actual texto constitucional, continuando a contemplar um inequívoco projecto democrático, constituiu a mais sólida garantia para defender a liberdade e o regime democrático, para projectar a defesa dos interesses dos trabalhadores, do Povo e do País.
Neste novo século, 33 anos depois do Dia da Liberdade, é tempo de reflectirmos sobre o caminho percorrido desde então e sobre a situação hoje existente.
Se em muitos planos vivemos hoje profundas inquietações na evolução do País, é na democracia social e económica, nas condições objectivas de vida dos trabalhadores e das populações, no desemprego, nos baixos salários, no trabalho precário, nas reformas e pensões de miséria, nas desigualdades sociais, na destruição de serviços públicos e do carácter universal do direito à saúde, ao ensino e à segurança social, que mais se faz sentir a degradação do regime democrático e que o colocam em perigo.
Situações essas que caminham a par e passo, com crescentes limitações aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, em particular dos trabalhadores e activistas sindicais no exercício dos seus direitos constitucionais, entre os quais, o direito à greve.
Direitos, liberdades e garantias dos cidadãos cujo exercício pleno se encontra cada vez mais vigiado e condicionado, quer nas muitas formas de organização e intervenção política e social, quer no acesso à informação, à cultura e à liberdade de expressão.
Regressões também no sistema político com a subversão do princípio constitucional da subordinação do poder económico ao poder político e onde, a pretexto de uma chamada «reforma», foram aprovadas leis profundamente antidemocráticas – como é o caso da «Lei dos Partidos» e da «Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais» – e está em curso um processo de criação de leis eleitorais que distorcem o princípio da proporcionalidade.
Paralelamente, assiste-se a uma poderosa operação de branqueamento da história e da natureza do regime fascista, de ocultação dos seus crimes, de perigosa tolerância por parte das autoridades ao surgimento e intervenção pública de organizações de claro carácter fascista, violando a Constituição da República.
A situação actual e o futuro de Portugal impõem que os democratas, os homens, mulheres e jovens de esquerda, os trabalhadores, os intelectuais, façam ouvir as suas vozes e unam as suas forças em defesa do regime democrático de Abril.
É tempo de convocar os órgãos de soberania à assunção das suas responsabilidades no fazer cumprir a Constituição da República.
É tempo de renovar o apelo à intervenção cívica dos portugueses em defesa da liberdade e da democracia.
É tempo de redobrar o alerta e a acção para que cessem os ataques ao conteúdo democrático do regime saído da Revolução de Abril.
Para que Abril, os seus valores e os seus ideais, se afirmem como património vivo no Portugal do nosso tempo.
Para que a expressão «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais» ganhe garantia de futuro.
Abaixo-Assinado

sexta-feira, junho 29, 2007

O quarto poder

O outro lado da liberdade de expressão
A

queles que dirigem e controlam a imprensa escrita e audiovisual não se cansam de proclamar enfaticamente que a comunicação social é o garante das liberdades cívicas, desde que desfrute de uma liberdade de expressão absoluta. É verdade que a liberdade de nos informarmos e de informar, constitui um travão para os que ostentam o poder. Mas essa liberdade, por sua vez, constitui uma forma de poder que pode degenerar e tornar-se manipuladora.Na realidade, a possibilidade de nos podermos expressar publicamente, é apenas de alguns, quase sempre profissionais da política e do jornalismo. A maioria dos cidadãos vêem-se reduzidos ao papel de leitores, radiouvintes e telespectadores. Apenas alguns têm a oportunidade de expor as suas opiniões por escrito. Ainda que os jornais reservem um espaço próprio para os leitores, na secção Cartas do Director. Mas até mesmo esta ínfima possibilidade de nos fazermos ouvir, depende da decisão do jornal e não do autor da carta. Valha-nos agora os blogs!
Sendo assim, em caso de polémica, este desequilíbrio entre o poder da imprensa e a multidão de cidadãos que carecem de meios de comunicação próprios, torna-se abismal e mesmo dramático. Os recursos de um jornal para fazer sentir a sua prepotência a quem se vê encurralado numa controvérsia são tão poderosos que, falar de liberdade de expressão é uma ironia. És atacado por um jornal e pedes direito de réplica. Concedem-no, fazendo alarde de liberalismo. Mas tardam em publicar a tua posição, mutilam-na e situam-na num espaço pouco destacado e, ao lado, até lhe colocam um artigo adverso… Entre o caçador e a presa há menos diferença quanto ao poder de atacar e defender-se, que entre um jornal e um cidadão que se enfrenta com alguém poderoso ou afecto ao mesmo.
A imprensa escrita e audiovisual exerce actualmente um verdadeiro “colonialismo da opinião pública”. Orienta o povo conforme as sentenças da sua forma de pensar. Para isso, selecciona os seus colaboradores, filtra as notícias, converte as informações em interpretações e comentários, destaca os dados que favorecem a sua própria posição ou prejudicam a imagem do adversário ideológico. Basta confrontar dois jornais de orientação diversa para verificar de que formas tão distintas se pode interpretar um mesmo acontecimento. A objectividade da notícia é parcial e está condicionada pela linha de um grupo ou do próprio jornalista. As notícias que nos chegam, independentemente de escritas, orais ou visuais, não apresentam o facto ocorrido mas sim a modificação/alteração necessária para cumprir com um determinado objectivo: o político. Hoje em dia a informação converteu-se num instrumento de poder e consegue atrair a opinião da sociedade, influenciando-a de uma forma voraz. É um elemento de manipulação através do qual se defendem diversas posturas e ideologias, um elemento que incide na nossa maneira de pensar, inconscientemente.
Depois do poder executivo, legislativo e judicial, temos o quarto poder: a informação (nas mãos de alguns privilegiados), que tem como finalidade informar e como objectivo, levar essa informação à sociedade.
Na minha opinião, considero que hoje em dia, todos os meios de comunicação têm demasiada influência na nossa maneira de pensar, atacam-nos, manipulam-nos, violam a intimidade dos mais mediáticos, etc… tudo para obter um pouco de glória, porque afinal são o quarto poder. Os meios de comunicação, actualmente, fazem o que lhes dá na gana, não têm regras… apenas um montão de informação, crê-la ou não, é da nossa conta.

Peço desculpa pela ausência nestes dias, mas a disponibilidade para escrever tem sido muito pouca.

quarta-feira, maio 23, 2007

Mudando um pouco o tema


Universo Feminino


T irando as "Amélias", uma espécie aliás em franco processo de mutação, toda a mulher que se preza não vive sem a sua vaidade. Para os homens, pode parecer felicidade barata mas, para as mulheres, que sabem o alto custo disso, um dia de sorriso garantido é aquele em que a pele amanhece perfeita, os cabelos dispostos a colaborarem e o guarda-roupa recheado de peças que parecem ter sido desenhadas sob medida. Mas quem pensa que a tradicional produção visual feminina visa encantar os olhares masculinos, engana-se. É claro que, nessa história, há uma boa dose de síndrome de pavão, que se enfeita para atrair o sexo oposto, e também um pouco de satisfação pessoal. Mas o que atormenta a maioria das mulheres naqueles dias de t-shirt, calça de algodão e rabinho de cavalo é a própria opinião feminina. Como boas representantes da espécie, elas sabem que o mundo é uma arena de leoas, todas de olho vivo para condenar sapatos mal escolhidos, maquilhagens borradas e outros deslizes da concorrência.

A maioria, é com a opinião das outras que se preocupa na hora de escolher a roupa. Vestimo-nos para as mulheres, sem dúvida. E somos muito cruéis, não deixamos passar nada. Nem os homens são tão exigentes, acreditem. O ginásio é o melhor lugar para comprovar isso. Aquele bando de mulheres reparando se nós usamos o mesmo fato de treino todos os dias ou se mudamos amiúde. É um julgamento constante. Da mesma maneira, no trabalho, quando somos mais de duas, reparamos em tudo e comentamos. Quando vem alguma mais bem arrumadinha, uma ou outra faz questão de elogiar. Mas é notótio que tal generosidade é, na verdade, uma espécie de inveja velada. É um horror. No fundo, roemo-nos de inveja por perceber que há alguém mais bonita do que nós. É uma autêntica competição. Os homens não reparam se o cinto combina com o sapato ou se repetimos a mesma saia a semana inteira.

E não reparam mesmo. Basta uma rápida pesquisa para comprovar que, quando passa uma mulher, há, para os homens, outros apetrechos mais interessantes a serem observados do que a produção fashion. Para eles, basta que a mulher apenas aposte nas peças que realcem, digamos, as suas bênçãos naturais. Quando coloca uma blusinha mais decotada, uma saia mais justa, não precisa mais nada. Não importa a cor, nem se combina com a calça, ou qualquer coisa assim. Desde que esteja valorizando coisas boas, se a roupa for curta e justinha, nada mais importa.

A todo o instante está patente essa antiga realidade: a competência feminina. Na maioria dos casos, é uma necessidade de compensação da auto-estima, como o carro o é para o homem, afinal de contas. Mas não deixa de ser difícil, essa vida de mulher: arrumar-se para elas, despir-se para eles.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Como formigas...

Que raio de vida sem sentido! Trabalhar... trabalhar... e o resto?

Sento-me ao sol por uns minutos, cansada. Olho à volta e os meus olhos recaem na azáfama de umas formigas que me esburacaram a calçada do jardim e dou comigo a pensar: num formigueiro bem organizado, as formigas rainhas são poucas e as formigas operárias são imensas. As rainhas nascem com asas e podem fazer amor. As operárias, que não podem voar nem tão pouco amar, trabalham para as rainhas. As formigas polícias vigiam umas e outras…
Nesta época em que vivemos, caracterizada pela confusão dos meios e dos fins, não se trabalha para viver. Vive-se para trabalhar. Uns trabalham cada vez mais porque necessitam mais do que consomem, e outros consomem mais do que necessitam. E o que nos diz o sistema?
Pois bem, o sistema ensina-nos que SER é TER. E onde está o logro? Bem, o logro está no facto de que, quem mais tem, mais quer e, ao fim de contas, as pessoas acabam por pertencer às coisas e trabalhando às suas ordens. O modo de vida desta sociedade de consumo, que hoje em dia se impõe como um modelo único à escala universal, converteu o tempo num recurso económico, cada vez mais escasso e mais caro. O tempo, hoje, vende-se, aluga-se, transforma-se… E quem é afinal o dono do tempo? O automóvel, o telemóvel, o DVD, o computador, o televisor e outros tantos indicadores da felicidade, máquinas criadas para “ganhar tempo” ou para “passar o tempo” que, ao fim e ao cabo se apoderam do nosso precioso tempo.
Um automóvel, por exemplo, não só se apropria do espaço urbano, como também se apodera do tempo humano. Em teoria, o automóvel serve para economizar tempo, mas na prática devora-o. Porque afinal boa parte do tempo do nosso trabalho (como as formigas operárias que dedicam o tempo da sua vida à rainha) destina-se ao pagamento do transporte ao trabalho, e transforma-se a cada dia que passa num “comilão” de tempo, em consequência das enormes filas de trânsito (como formigas encarreiradas) nas BABILÓNIAS modernas.
O revoltante é que vivemos para as coisas, em prol das coisas e em função das “formigas rainhas”.
Continuamos relutantes em trocar as coisas pelas asas que nos fariam voar e conformamo-nos em TER, mesmo sabendo de antemão que o supérfluo nos rouba todos os dias a faculdade de poder amar.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Opinião

A defesa do Deus varão

Penso que a Carta aos bispos da igreja católica sobre a colaboração do homem e da mulher na igreja e no mundo passou despercebida a alguns dos defensores do “não”, na medida em que continuam a basear os seus argumentos contra o aborto, numa consciência moral e religiosa, a meu ver, falaciosa. Digo alguns, porque a maioria dos europeus, lembro-me, recebeu-a como uma simples “anedota” mal contada. A Carta é, na realidade, uma das piores criações intelectuais do Vaticano, durante o papado de João Paulo II. Os erros de lógica que contém e a pobreza filosófica que a sustentam são surpreendentes, tendo em conta que é assinada pelo então Cardeal Ratzinger, considerado um dos mais brilhantes ideólogos da igreja Católica. As debilidades desta carta mostram que, nem um homem como Ratzinger pode defender o indefensável.
Como se fosse dirigida a extraterrestres que desconhecem a história de erros e horrores da Igreja, começa logo por, mais uma vez, repetir ao mundo a sua máxima arrogante em que se auto-proclama como uma instituição “perita em humanidade”. Como pode ser perita em humanidade uma instituição que depois de quase dois mil anos de existência, publica um documento revelando que os seus dirigentes ainda não conseguiram entender as aspirações e necessidades das mulheres, que são cinquenta por cento da humanidade? Como pode declarar-se “perita” em humanidade uma instituição que comete a barbaridade de argumentar que as mulheres têm uma inclinação natural, pelo que “desenvolve em si o sentido e o respeito do concreto, que se opõe às abstracções, muitas vezes mortais para a existência dos indivíduos e da sociedade”. Traduzindo: as mulheres não se inclinam (não têm tendência natural a entender) para o abstracto, ou seja, para as ideias, a filosofia, a teologia, etc. Melhor dizendo: segundo Ratzinger, as mulheres não devem nem podem tentar ascender o plano existencial concreto da sua cozinha!
A carta identifica duas correntes ou tendência de pensamento. A primeira, “sublinha fortemente a condição de subordinação da mulher, procurando criar uma atitude de contestação. A mulher, para ser ela mesma, apresenta-se como antagónica do homem. Aos abusos de poder, responde com uma estratégia de busca do poder.”.
A segunda, continua dizendo a carta, “emerge no sulco da primeira. Para evitar qualquer supremacia de um ou de outro sexo, tende-se a eliminar as suas diferenças, considerando-as simples efeitos de um condicionamento histórico-cultural. Neste nivelamento, a diferença corpórea, chamada sexo, é minimizada, ao passo que a dimensão estritamente cultural, chamada género, é sublinhada ao máximo e considerada primária.”
Efectivamente, as mulheres há muito que lutam por alcançar uma melhor distribuição da poder entre os homens e as mulheres no Estado, na sociedade, dentro dos partidos, dentro da família, nos processos de formulação de políticas públicas e até mesmo dentro das igrejas. A crítica desta carta do Vaticano é surpreendente, na medida em que a luta pela justa distribuição do poder, é a dinâmica essencial da democracia. Devemos no entanto entender que a democracia é uma ideia e uma prática alheias à vivência daqueles que operam dentro das estruturas verticalistas e autoritárias do Vaticano. A igreja condenou a mulher a parir sem limites e sem condições. Não importa a sua idade, não importa a causa da sua gravidez, Não importa se se trata de uma jovem violada e engravidada. Ao mesmo tempo, a Igreja perpetuou a imagem da mulher como um símbolo das debilidades da carne. Virgem é a Maria, esposa do carpinteiro, para exorcizar a sexualidade humana. O homem, por sua vez, representa a força do espírito que, elevando-se sobre a “natural” tendência ao pecado pela mulher, converte-se no representante de Deus na terra. Só um homem pode ser Papa ou sacerdote. Só um Ratzinger sabe o que querem e o que precisam as mulheres. Deus é varão. Putas e pecadoras são, ou se inclinam naturalmente a ser, todas as madalenas...
A bíblia e a igreja foram, desde sempre, o maior obstáculo para o processo da emancipação da Mulher.
Exemplo de alguns excertos do Antigo Testamento:

- Levítico 12: 1, 2 & 5
Deus falou a Moisés e disse:
Fala com os filhos de Israel e diz-lhes: "A mulher quando conceber e der à luz um varão, será imunda 7 dias… e se der à luz uma menina, será imunda duas semanas…

- Efésios 5: 22 & 23
As casadas estão sujeitas aos seus próprios maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da igreja, a qual é o seu corpo, e ele é seu Salvador.

- Romanos 7: 2
A mulher casada está sujeita à lei do marido enquanto ele viver: mas se o marido morrer, ela fica livre da lei do marido.
- Pedro 3: 1
Assim vós, mulheres, estais sujeitas aos vossos maridos; para que também os que não creiam na palavra de Deus, sejam considerados gado sem palavra, pela conduta das suas esposas…

- Corintiuos 14: 34 & 35
As vossas mulheres devem calar nas congregações: porque não lhes é permitido falar, porque estão sujeitas, como diz a lei. E se quiserem aprender algo, perguntem em casa aos seus maridos; porque é indecoroso que uma mulher fale na congregação.

- Timoteo 2: 11- 15
A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição.
Não permito que a mulher ensine, nem exerça domínio sobre o homem, deve ficar em silêncio. Porque Adão foi formado primeiro, e depois a Eva; e Adão não foi enganado, mas sim a mulher, que ocorreu em transgressão. Mas se salvará parindo filhos, se permanecer em fé, amor e sacrifício, com modéstia.

Como responde a igreja a esta clara demonstração de machismo bíblico? Dissimulam, tentam evadir-se, mudam de tema, dizem que a bíblia transformou muitos com a sua bondade, ou inventam mentiras de maneira a justificarem a bíblia como o livro santo e puro. Pode uma pessoa racional considerar que a Bíblia é útil nos nossos dias como fonte de conselhos? E mais: que devemos acreditar em tudo o que nela está escrito?

domingo, janeiro 28, 2007

Apelo - Vamos denunciar os responsáveis

!

"Os representantes da Assembleia de Pais de Crianças que frequentam os estabelecimentos de infância da Fundação D. Pedro IV, realizada no dia 19 de Janeiro, reuniram ontem com o Presidente do Conselho de Administração da Fundação D. Pedro IV, Eng. Vasco Canto Moniz, e a Coordenadora para a Área da Infância, Dr.ª Dulce Canto Moniz.
Os representantes dos pais deram conhecimento da deliberação da assembleia no sentido da constituição de uma Associação de Pais, e solicitaram formalmente autorização para a utilização do nome e morada da sede da instituição para o exercício das suas actividades. Ambas as autorizações foram concedidas.
Perante a preocupação manifestada relativamente à deterioração das condições de segurança, higiene e saúde das crianças que frequentam a instituição, e a quebra da confiança implícita que os pais depositavam num modelo de serviço existente aquando da inscrição dos seus filhos, o Presidente do Conselho de Administração reconheceu ter havido uma diminuição na qualidade dos serviços prestados e um defraudar de expectativas dos pais.
O Eng. Canto Moniz tornou público que está em curso uma reorganização dos Estabelecimentos de Ensino - cujo conteúdo efectivo não nos foi revelado, embora tenha sido formalmente solicitado. Sobre isto, apenas transmitiu oralmente aos pais um conjunto de propostas avulsas, que na sua maioria implicam a diminuição de pessoal e o aumento do número de horas de trabalho por parte dos funcionários da instituição.
O Presidente do Conselho de Administração referiu ainda que durante a próxima semana estaria em curso um processo de análise e reorganização de todos os estabelecimentos de ensino de modo a resolver algumas das questões mais prementes relacionadas com a segurança das crianças. Propôs reunir novamente com os pais.
O teor das propostas que foram ao longo da reunião sendo sugeridas pelo Presidente do Conselho de Administração não oferece, na opinião de todos os pais presentes, garantias de solução dos problemas apresentados, porque não inflecte a prática de redução do pessoal responsável pelas crianças, elemento que, neste contexto, é fulcral para a manutenção do serviço e da sua qualidade. A abertura manifestada para o diálogo, por parte da Administração, não se coaduna com as medidas por ela apresentadas, pois estas levarão à desestruturação do núcleo central do seu serviço: a relação educador - criança. Tal, naturalmente, impede a óbvia resolução dos problemas mais graves por nós diagnosticados e não levará à reposição das condições de segurança, higiene e bem-estar afectivo e emocional das crianças, prevendo-se que a situação se venha a agravar durante os próximos dias.
Mais, o Eng. Canto Moniz, após ter sido questionado pelos representantes dos pais, informou que durante os próximos dias iriam ser extintos mais 10 postos de trabalho, assegurando que as educadoras se manteriam todas, "até ao final do ano lectivo" - de acordo com as suas palavras.
Os pais reiteraram junto da administração a sua total confiança na competência e empenho das funcionárias actualmente existentes e nas que entretanto foram sendo dispensadas.
Os representantes dos pais estranham a total ausência de resposta às dezenas de queixas enviadas à Inspecção da Segurança Social pelos pais de crianças do Estabelecimento de Infância da Fundação D. Pedro IV.
Os representantes dos pais requerem a intervenção urgente das entidades competentes, dado estarem em causa os direitos fundamentais das crianças, propondo-se, entretanto, pedir esclarecimentos à Segurança Social sobre o processo de reestruturação em curso, de que esta tem conhecimento desde o passado dia 15 de Janeiro."
ver mais no blog dos pais
Por enquanto ainda lá vamos deixando todos os dias a Amélia, confiando nas excelentes auxiliares, assistentes e educadoras.
Contudo, deixo algumas notícias que aterrorizam qualquer pai:
Público de 31 de Dezembro de 2006, sobre o arquivamento de relatório que propunha a extinção da Fundação D. Pedro IV.
Público Local (pág. 3) 19 de Junho de 2006, sobre os "arquivamentos" do Sec. de Estado Simões de Almeida, a Fundação, etc…
Correio da Manhã 4 de Janeiro de 2007, recomendo esta notícia do CM e todas as outras sobre Simões de Almeida que se encontram no final da página.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Assédio moral, um inimigo invisível

A violência moral existe!


As atitudes abusivas manifestadas por comportamentos, palavras, actos, gestos ou escritos que possam provocar danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo o seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho, caracterizam o assédio moral (não confundir com assédio sexual) no local de trabalho.Este é considerado um fenómeno do mundo moderno, onde impera a degradação das relações de trabalho e prolifera o individualismo, a arrogância e a prepotência. Apesar de pouco estudado, este tipo de violência é cada vez mais uma realidade preocupante do quotidiano laboral, onde a ideia de "não olhar a meios para atingir fins" é estimulada pela determinação de objectivos individuais, pela avaliação do desempenho através de um sistema de quotas e pelas políticas de privatização e reestruturação de Serviços Públicos que aumentam a instabilidade, a precariedade e o desemprego.

A retirada dos direitos laborais e sociais conduz ao enfraquecimento das estruturas representativas dos trabalhadores. Privados de protecção social e das suas organizações, estes ficam expostos a todo o tipo de coações. Esta degradação das relações laborais provoca danos na saúde mental dos trabalhadores, tais como stress, ansiedade, depressão, angústias entre outros distúrbios psicossomáticos, aumentam o recurso a baixas médicas e, em casos extremos, à reforma compulsiva ou antecipada.

A situação de assédio moral é normalmente de duração prolongada, por vezes superior a um ano. O trabalhador é induzido a perder a confiança e a auto-estima. Em alguns casos é isolado dos seus colegas, o que o torna indefeso e manipulável. A dificuldade em fazer prova das acusações, associada à falta de legislação de protecção da vítima, leva a que sejam raros os agressores levados a tribunal.

A potencial vítima de assédio moral é aquela que dá visibilidade a um problema ou ao exercício de um direito, defende os seus colegas, não aceita ser manipulada.

O sector público tem um elevado risco de incidência de assédio oral devido ao sistema hierárquico rígido que permite, através de delegação e subdelegação de competências, que o "agressor"se esconda. A Administração Local, o poder político está muito próximo dos trabalhadores e os cargos de dirigentes municipais e chefias dependem muitas vezes da confiança política e não da competência e desempenho profissionais. Aqui, o assédio moral é frequente, sendo, por esse motivo, banalizado em muitos casos.

A entidade empregadora tem obrigação de garantir um bom ambiente de trabalho, devendo proceder à implementação prioritária de programas de sensibilização e prevenção na área de segurança, higiene e saúde no trabalho que podem ser determinantes na prevenção dos distúrbios decorrentes do assédio moral.


Helena Afonso

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Alienação


Carta de um pai laico a seu filho

Eu não quero deixar-te prisioneiro de uma organização que primeiro te injecta o veneno do complexo de culpa, para depois te vir dizer que o único antídoto o têm eles. Não quero que te incutam uma moral tão astuta que considera mais perigoso uma mama que uma pistola ou um artefacto capaz de arrasar uma cidade inteira.

Não quero que te ensinem a dividir a humanidade em bons e maus, em fiéis e infiéis, em os "nossos" e os outros. Não quero que manchem com o pecado original a tua alma imaculada, nem que vendam a tua inocência a algum sem vergonha qualquer da sua organização, oculto e salvo pela sua hierarquia.

Não quero que matem a tua rebeldia com um punhal de resignação, nem que ameacem a tua bendita ousadia com um inferno à sua medida. Não quero que troquem pela tristeza a tua imensa alegria, que confundam a tua perspicácia com o mais além e o mais aqui, que as promessas de vida eterna te façam esquecer o compromisso frente à eterna maldita vida dos de sempre, que injusto seja normal e irmãos não sejam todos, que de tanto olhar o céu te esqueças do chão que pisas.

Não quero que ninguém dirija a tua cama, que uns homens que vivem sós te digam o que é família, que a injustiça social é apenas inveja, o impulso natural é lascívia e a liberdade um pecado. Não quero ver-te expiar as suas culpas, perdido nas suas turbulências sem razão nem coração, tão dependente dos santos que não repares que todos os outros somos tantos, não quero que te troquem um beijo por um paraíso, nem um abraço por uma chicotada, que te substituam a solidariedade pela caridade.

Não quero para ti nem o seu céu nem o seu inferno eternos, não quero o seu bálsamo de não pensares, o alívio do perdão por coisa nenhuma, a cruz do complexo de culpa ou o flagelo do castigo divino, não quero que compres almas por um prato de feijão, nem que ajudes a vestir os nus em troca de substituíres o Deus que reza. Para ti, meu filho, quero paz de verdade, paz de humano, paz de irmão, amor de verdade, amor de humano, amor de irmão, esperança de verdade, esperança de humano, esperança de irmão, para ti quero todas as mãos, toda a paz, todas as esperanças e todo o amor, porque para ti desejo que todos os seres humanos sejam teus irmãos, sem distinção de raça, sexo ou credo, para ti quero a plenitude de ser humano, irmão, inteiro e sem medo.

Gonzalo Morales, 22 de Janeiro de 2005

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Hipocrisia


A hipocrisia é a atitude de simular uma virtude que não se tem.

Ser hipócrita é fingir e falsear na actuação social a sombria identidade que se esconde. É nomear o Deus para tudo, mas em vez de perdoarem, oferecem a forca e o verdugo. Hipócritas são os milhares de casais que se "oferecem" para adoptar um bebé recém-nascido porque estão contra o aborto, e nunca lhes passou pela cabeça adoptar uma dos milhares de crianças órfãos já nascidos, porque estes não passam afinal de mera estatística. Hipócritas são os que se manifestam com velas como se fossem pacíficos mas exigem a pena de morte. Alguns hipócritas são mesmo descarados Hipócritas são os que se apropriam da palavra democracia quando esta palavra já não está em perigo, mas calaram as suas vozes quando foi necessário dar as suas vidas por ela. Hipócritas são aqueles que saíram à rua quando eram contestatários revolucionários e não saem mais porque se tornaram eles os capitalistas. Hipócritas são os que se escandalizam com assassínios pontuais e nunca se espantam com os genocídios de guerras injustas. Hipócritas são aqueles que se preocupam com a Constituição quando são apresentadas para discussão propostas sociais de igualdade e equidade entre os cidadãos e se "estão nas tintas" quando a economia os coloca a eles em primeira classe.

Hipócritas são os que dizem ser liberais e se entusiasmam com a ideia de intrometer-se em Cuba; hipócritas são os que consideram o Irão como o mal e ameaça nuclear, e não dizem nada dos países que têm arsenais nucleares com fartura.

Hipócritas são os que falam de "segurança jurídica" e não possuem um plano para a segurança dos trabalhadores flexibilizados e excluídos. Hipócritas são os que apregoam a segurança democrática mas no fundo desejam acabar com as greves e manifestações de direitos.

A hipocrisia é elitista. Todos os dias enfrentamos um mundo onde proliferam os hipócritas.

Magnolia

sábado, janeiro 06, 2007

Fábulas

A Formiga de hoje...

Quando, há uns anos, os pais tentavam persuadir os filhos de que era importante estudar, diziam-lhes que se estudassem, no futuro iriam ter um bom emprego e ganhar muito dinheiro. As crianças compreendiam que se tratava de um argumento sólido e eficaz. Hoje em dia não é assim. Os jovens sabem que muitos alunos que estudam, ainda que sendo brilhantes, terminarão no desemprego. Alguns, encontram um trabalho de baixa qualificação, para o qual não teria sido necessário tanto esforço intelectual. Ambas situações são ainda o resultado de uma interminável espera. Sabem também, que muitos dos que procuram trabalho abandonando os estudos, ou que se dedicam a negócios prematuros, mais ou menos legais, enriquecem rapidamente e com eficácia. Entretanto, aqueles que continuam a estudar, continuam usufruindo do rendimento familiar e pedindo aos pais o dinheiro para tomar uns copos e pagar o autocarro. Os outros dispõem do dinheiro necessário para os transformar em pessoas autónomas e auto-suficientes. O que os jovens de hoje aprendem rapidamente é que há formas fáceis e rápidas de conseguir dinheiro e que o estudo paciente e prolongado nem sempre conduz a um trabalho satisfatório e bem remunerado. Ou seja, aprendem que têm de estudar com o objectivo único de saber e não é fácil descobrir o prazer da aprendizagem, quando o que se estuda não tem qualquer interesse ou se aprende em estruturas asfixiantes.

Podemos concluir que a fábula de La Fontaine "A Cigarra e a Formiga", perdeu actualidade. Hoje, provavelmente, a formiga não consideraria que o trabalho constante é uma forma de assegurar o futuro.

sexta-feira, maio 06, 2005

A verdade da notícia...do Emanuel

Já é velho o ditado que diz: "Nem sempre o que parece é". Essa é uma verdade com que nos deparamos todos os dias e a toda a hora. Também a mim, como a muitos de vós certamente, vos comoveu a notícia do adolescente Emanuel, passada recentemente nos jornais diários das nossas televisões.O que eu não sabia e que alguns de vós, porventura também não saberão, era a outra verdade da notícia, aquela verdade de que ninguém fala e de que talvez até não tenham conhecimento. E é assim nos vão enfiando com mais uma história de melodrama, deturpada, como tantas outras, com a intenção de nos fazer esquecer as verdadeiras realidades da nossa sociedade.Foi numa visita, que já se tornou hábito, a um blog de que gosto muito, que deparei com a verdadeira notícia. contada na primeira pessoa.
* Post recuperado.