quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Tributo


Morrem cedo os que admiramos
É sempre assim, com os que admiramos e amamos: morrem sempre cedo de mais.
Mas o Zeca, 19 anos depois, continua na nossa memória…para sempre.


A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação

Zeca Afonso

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Como somos manientos!

Para não ser apelidada de “desmancha-prazeres” vou entrar na corrente, proposta pelo Estrelinha, enumerando 5 das minhas taras e manias. E como as manias são mesmo atitudes estranhas das pessoas, peço a todos que não fiquem desiludidos comigo, ao ponto de deixarem de visitar este blog. Assim, aqui fica o regulamento desta corrente, cuja publicação parece ser obrigatória.

Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.

Manias minhas:

- Pegar na chávena do café com a mão esquerda, sem ser canhota. (porque em geral todos pegam com a direita)- Ser perfeccionista (gosto de fazer tudo com a máxima perfeição e por isso exijo demasiado dos outros)

- Mania de arrumações e limpezas (nada pode estar desalinhado e fora do lugar)

- Esquentar o copo de água no micro-ondas antes de beber (não bebo água gelada nem no Verão)

- Acreditar demasiado na lealdade daqueles que me rodeiam (estou sempre a cair no erro de confiar demasiado nas pessoas)

Não vou aqui enumerar 5 amigos bloguistas para continuarem esta corrente, vou sim dar liberdade a 5 amigos que visitem este blog, para o poderem fazer caso o pretendam. Esta é outra mania minha: quebrar todas as correntes!!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Liberdade e caricaturas

Freitas do Amaral passou-se. Passou-se. Posso dizer que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal se passou? Vá lá, é uma caricatura, um leve toque burlesco neste País que presa a anedota como ninguém, ao ponto de, por vezes, até eleger algumas para cargos de Estado.Não, não estou a falar de Freitas. Mas lamento que o ministro venha lamentar, nos termos em que o fez, a publicação dos famosos desenhos ou caricaturas dinamarqueses. Repare-se: ele não lamenta o mau gosto, o que até seria sensato. Lamenta a publicação, não sei se perceberam?Ora, eu lamento que há uns largos anos a Igreja Católica e os representantes de Deus na terra tenham visto sequiosamente as chinesices porno-eróticas do célebre filme «Pato com Laranja» e depois se tenham indignado com o facto da televisão do Estado ter cometido a heresia de passar o filme para os portugueses se lambuzarem no sossego do lar.Lamento também que Herman José – que hoje está feio, porco e mau – tenha sido censurado na televisão do Estado em pleno cavaquismo no tempo em que fazia das mais brilhantes caricaturas das nossas figuras históricas.Lamento, também, que O Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago tenha sido impedido de concorrer a um prémio literário europeu por um tal senhor Lara, com barba de taliban, mas sem turbante – na altura investido de um «sub» cargo qualquer da Cultura num governo de direita.Lamento também que uma caricatura do Papa João Paulo II com um preservativo no nariz tenha trazido tantas incomodidades à Igreja Católica, também há uns anos, metendo bispos e padres ao barulho como se de uma nova cruzada se tratasse.Lá fora, Martin Scorsese ouviu o que Maomé não disse do toucinho a propósito do seu filme – aliás, brilhante - A Última Tentação de Cristo. Um incêndio num cinema de Paris, no qual morreu um jovem, foi a forma de alguns dos nossos fundamentalistas de serviço assinalarem a passagem da película por aquelas bandas. Dirão: mas aqui ninguém desatou a incendiar embaixadas, a queimar bandeiras e a matar alguém. Certo. Mas a mim, confesso, apeteceu-me ser do Hamas sempre que via a Manuela Moura Guedes apresentar os noticiários, por exemplo. Contive-me. Mas se tivesse poder, se calhar tentava-me. O antigo bastonário Augusto Lopes Cardoso dizia há dias, num jantar, que todos os estados ditos democráticos têm tentações totalitárias. É verdade. Mas há excepções. Na Dinamarca, um jornal rasca de direita fez umas caricaturas rascas de Maomé. O governo, mesmo quando tudo arde, não se encolheu. Nem sequer usou aquele argumento, muito em voga, que reza assim: «Liberdade de expressão, sim, mas?». Disse apenas que a liberdade de expressão é isto mesmo: não meter a pata, mesmo naquilo que nos dá, pelo menos, o direito de lamentarmos o mau gosto.Como li e bebi a colheita de Edward Said em Orientalismo e noutros escritos, a mim também não me apanham em hipocrisias saloias sobre o respeito pelo outro e a tolerância, mais a pensar nas nossas economias e diplomacias subterrâneas do que, propriamente, no choque das civilizações.Há, nos anos mais recentes, um responsável mundial por muito daquilo que é hoje a efervescência no Médio-Oriente. Chama-se Bush, George Bush. Nem de propósito, os seguidores mais ou menos envergonhados das suas guerras preventivas são alguns dos que se atiram às caricaturas para deitar água na fervura que promoveram. O mais perigoso fundamentalismo está dentro de portas. Diz-se democrático, mas o que eles querem sei eu.
Miguel Carvalho in "Visão", 9 Fevereiro 2006

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Não entrou mosca... saiu asneira!


Este senhor não fala em meu nome!Pode falar em seu próprio nome, em nome do governo português, mas nunca em meu nome!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Os intocáveis

António Caldeira desnuda a intentona "Terça-feira, Janeiro 17, 2006 PS, PT & C.iaO caso da publicação da facturação detalhada dos clientes do Estado justifica esclarecimento. Deixemos as interpretações meta-falaciosas da presunção-quase-certeza de que os magistrados do Ministério Público viram os registos ocultos de outros números que se escondiam debaixo do filtro do Excel. Vamos aos factos:1. O Ministério Público pediu à Portugal Telecom (PT) a facturação detalhada do telefone de casa de Paulo Pedroso, atento os vários testemunhos de adolescentes e jovens que o acusavam de abuso sexual de crianças.2. A PT segue o procedimento padrão em vigor na empresa e selecciona a facturação detalhada do cliente. O cliente era... o Estado!3. O funcionário da PT que respondeu à ordem judicial, em vez de copiar e colar (copy-paste) apenas a facturação de Paulo Pedroso noutro ficheiro do Excel e enviar apenas a informação pedida, mandou a facturação de todos os telefones-borlistas do cliente-Estado (entre os quais, descobriu o País, estão os telefones das três casas de Mário Soares!...). 4. Como, devido à sensibilidade da informação, a procuradora do Ministério Público pediu que o registo fosse fornecido em suporte digital, o funcionário, habituado a imprimir a facturação detalhada solicitada, que o Excel permite isolar, colocou um filtro para a facturação detalhada de Pedroso, que a expunha, ocultando as outras dos telefones-borlistas do Estado, mas não as apagou, como devia e tinha, por obrigação estrita, de fazer. 5. Os magistrados do Ministério Público que abriram o ficheiro viram, com certeza, a única informação que estava exposta - a facturação detalhada de Paulo Pedroso. Não é legítimo pressupor ou concluir que vasculharam todo o ficheiro e viram a informação que estava escondida. De outro modo, certamente devolveriam de imediato as disquetes à PT e pediriam que fosse junta apenas a informação específica pedida, pois sabiam do interesse da rede pedófila em aproveitar qualquer lapso para castigar a investigação. 6. Para além do Ministério Público, que teve acesso às disquetes que tinham a informação referida (a facturação detalhada de Pedroso exposta e a facturação detalhada escondida dos demais telefones-borlistas do Estado), no registo de consulta desse Apenso V constam dois advogados: Maria João Costa (advogada de Ferreira Diniz) e Ricardo Sá Fernandes (advogado de Carlos Cruz). 7. A Dra. Maria João Costa é tida no processo como uma advogada combativa que defende com vigor o seu cliente, acusado de abuso sexual de crianças, mas não costuma falar com jornalistas. Não disse ter visto os registos ocultos. 8. O Dr. Ricardo Sá Fernandes, advogado do mesmo arguido de abuso sexual de crianças que tem no jornaleiro Jorge van Krieken Mota o defensor profissional, reconheceu ter visto a facturação detalhada desses telefones-borlistas do Estado e que pediu a ajuda de um perito informático para as analisar.9. Como quem abrisse o ficheiro do Excel via imediatamente a facturação detalhada de Paulo Pedroso, não era precisa a ajuda de um técnico de informática (da PortugalMail de van Krieken, colega de defesa de Cruz, ou de outra firma) para nada. A não ser que fosse vasculhar os registos ocultos. 10. A obrigação indeclinável e imediata do advogado Ricardo Sá Fernandes era prevenir o MP e a juíz do processo desse facto para que essa informação deixasse de estar disponível para consulta de quem quer que fosse. Não consta que o tenha feito. 11. Jorge van Krieken Mota e o seu colega Joaquim Eduardo Oliveira obtém da própria Portugal Telecom a informação da identidade dos telefones confidenciais do Estado e... publicam-na, na malévola sexta-feira 13 de Janeiro, no 24Horas (jornal da Lusomundo Serviços da hidra Controliveste/Olivedesportos) quatro dias antes do procurador-geral da República comparecer, conforme previsto, na Assembleia da República por decisão... da maioria PS para prestar esclarecimentos sobre... um processo judicial determinado onde foi arguido... o ex-número dois do partido e publicamente referidos vários outros políticos socialistas (entre os quais, o actual presidente da Assembleia da República Jaime Gama e o ex-líder Ferro Rodrigues) que acabaram por não ser, até ao momento, acusados pelo Ministério Público.12. O 24Horas, jornal que se tem destacado na defesa ostensiva dos arguidos da Casa Pia, nomeadamente de Carlos Cruz, denuncia o erro da associada PT. Este ataque evidencia o emprego pela rede de todos os meios possíveis de ataque ao adversário, independentemente dos prejuízos económicos consequentes para o próprio grupo PT! Algures na central de informação da rede que o Estado permite e financia, teve de haver autorização ao mais alto nível - que estas coisas não são decididas pelo Zé dos Anzóis!... - para avançar com este ataque sórdido. A campanha, nesta época de migração de clientes para o Skype e outros operadores VOIP, com a notoriedade negativa que teve, acarreta para a PT: eventuais processos dos lesados; eventuais processos dos accionistas contra a administração por esta estar duplamente envolvida na quebra de confidencialidade dos registos de tráfego e no fornecimento da identidade de telefones confidenciais que o ficheiro não continha (no ficheiro estavam apenas números sem identidade da pessoa) ; o prejuízo directo de rescisão de contratos de assinantes que verificaram que a sua facturação detalhada pode ir parar às mãos de um Krieken qualquer; e o custo da necessária campanha de comunicação que terá de ser feita para reconvencer os clientes da probidade do tratamento dos seus dados confidenciais... Se a PT, além do erro de fornecimento ao tribunal da facturação detalhada de números de telefone não pedidos, ainda - o que é muito mais grave! -, revela propositadamente a identidade dos telefones confidenciais de altas figuras do Estado, o que não fará com o assinante comum?13. O Governo, cumprindo o seu papel encapotado na orquestração delineada previamente, manifesta a sua preocupação e dá sinal de que, se o Presidente da República aceitar, propõe a demissão do procurador-geral. 14. O Presidente da República Jorge Sampaio, que tem recebido de José Adriano Machado de Souto de Moura (paradoxalmente, o autor do processo de que fui vítima...), reiteradas vezes, a garantia da isenção no processo, é informado pelo procurador-geral sobre a actuação do Ministério Público (MP) no problema do "envelope 9", mas, mesmo assim, faz um ultimato público humilhante, através de declaração solene e dramática ao País, ao procurador-geral para que num prazo curto lhe explique o erro... da PT!... 15. Van Krieken, no seu site (link desprezível), queixa-se dos "figurões" da República, dando a entender que o amigo Cruz não está satisfeito com o tratamento recebido do Estado. 16. Na próxima sexta-feira, 20 de Janeiro, o procurador-geral será fustigado na Assembleia da República relativamente a um determinado processo judicial por deputados-advogados envolvidos na orquestração da indignação de que se queixam..."Palavras para quê?..." - perguntava o narrador do anúncio da Pasta Medicinal Couto que ainda ocupa a gaveta das memórias televisivas da minha infância. São artistas portugueses!...No circo do sistema político-mediático corrupto, o povo enjoado assiste, da bancada carunchosa de ruína iminente, ao malabarismo vertiginoso das cadeiras dos personagens negros que se divertem no palco da vida aflita da comunidade nacional. Até quando? Até logo...Post-Scriptum: Este post foi corrigido na informação relativa à hidra Lusomundo Serviços/Controlinveste/Olivesdesportos, associada da PT na SportTV e noutros negócios.Publicado por Antonio Balbino Caldeira em 1/17/2006 02:01:00 PM

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Escorregadelas destas...

... só provam que o governo de José Sócrates está construído sobre areias movediças.O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos diz que se nada for feito para travar a despesa, daqui a dez anos não haverá dinheiro para as reformas. Todos sabemos que isto é muito grave, e que a ser verdade (e não tenho dúvidas que assim seja) vai gerar no país uma grande revolta e uma contestação social sem limites. Daí que, e com o intuito de travar essa contestação, veio o próprio ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva, dar o dito por não dito e contrariar o seu colega, afirmando que " existem condições para vencer as dificuldades de sustentabilidade da SS, desde que sejam tomadas as medidas adequadas. "Em que ficamos? Acreditamos em qual?A verdade é que tanto um como o outro se estão "marinbando" para a verdade, porque os dois têm a reforma garantida e o zé povinho que se lixe!Estas escorregadelas não sucedem por acaso. Trazem sempre algo na manga e aqui está o resultado.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Comparações...

Se cá nevasse, Sócrates fazia cá sky
Na semana em que Zapatero, o primeiro-ministro socialista espanhol, mostrava vontade de acabar com a tradicional «siesta», o homólogo português José Sócrates era «apanhado», por causa de uma infeliz escorregadela na neve, numa das mais chiques estâncias suíças.Estas duas coisas, que aparentemente nada têm em comum, poderão ser significativas de dois estados de espírito antagónicos entre dois países.Enquanto em Espanha o Governo aproveita a folga em que a economia se encontra para fazer reformas, em Portugal o Governo aproveita a crise para, em nome dela, protelar o início de reformas dolorosas, como a questão dos efectivos na Função Pública. Prefere avançar com projectos megalómanos como os da Ota e do TGV. Em Espanha governa-se olhando para o fim da estrada, prevenindo eventuais acidentes de percurso; em Portugal tomam-se medidas sem grande ambição temporal, de resultados imediatos, sem consistência, como é o caso do aumento dos impostos, com a consequente quebra de competitividade.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

domingo, novembro 20, 2005

E se...

Alguma vez pensaste que farias se a realidade fosse esta?"O Mundo é muito duro quando não é construído a pensar em nós!!"

sexta-feira, novembro 18, 2005

A América esgotou o seu tempo

...por Paul Craig Roberts [*]
Os vencedores da guerra do Iraque: Al-Qaeda, Irão e empreiteiros militaresGeorge W. Bush ficará na história como o presidente que tocava violino enquanto a América perdia o seu estatuto de superpotência. Bush utilizou o embuste e a histeria para arrastar a América para uma guerra que está a provocar nos EUA uma hemorragia económica, militar e diplomática. A guerra está a ser travada com centenas de milhares de milhões de dólares emprestados por países estrangeiros. A guerra está a esgotar as forças armadas de tropas e comissões. A guerra acabou com a proclamação dos EUA à liderança moral e revelou os EUA como uma potência impiedosa e agressiva. Concentrada numa “guerra contra o terrorismo” inventada, a administração Bush desviou para o Iraque o dinheiro dos diques de Nova Orleans, com a consequência de que os EUA têm agora uma factura de reconstrução de mais 100 mil milhões de dólares a acrescentar à factura da guerra. Os EUA têm tanta falta de tropas que os neo-conservadores andam a defender a utilização de mercenários estrangeiros em troca da nacionalidade americana. As tentativas dos EUA para isolar o Irão foram bloqueadas pela Rússia e pela China, potências nucleares que Bush não consegue intimidar. A Guerra do Iraque tem três beneficiários: (1) a al Qaeda, (2) o Irão e (3) as indústrias de guerra americanas e os comparsas de Bush-Cheney que obtêm contratos sem concurso. Todos os outros ficam a perder. A guerra trouxe à al Qaeda recrutas, prestígio e um terreno para treino. A guerra fez com que o Irão se aliasse à maioria xiita do Iraque. A guerra trouxe enormes lucros às indústrias militares e às empresas com contratos de reconstrução, à custa de 20 mil vítimas entre os soldados americanos e dezenas de milhares de vítimas civis iraquianas. O Partido Republicano fica a perder, porque o seu apoio inflexível à guerra está a isolar o partido da opinião pública. O Partido Democrata fica a perder, porque a sua concordância cobarde com uma guerra a que a maioria dos seus membros se opunha está a tornar o partido irrelevante. As últimas sondagens mostram que a maioria dos americanos acha que os EUA não podem ganhar frente à revolta do Iraque. A maioria defende a retirada e a utilização das despesas de guerra para a reconstrução de Nova Orleans. Apesar da clareza do desejo do público, o Partido Republicano continua a apoiar a guerra impopular. Com excepção dos representantes Cynthia McKinney e John Conyers, os Democratas fugiram do palco da manifestação anti-guerra de 24 de Setembro em Washington, DC. Os cínicos Democratas parece estarem reféns dos mesmos grupos de interesses que dominam os Republicanos e rejeitam o manto de partido maioritário que o eleitorado está a oferecer ao partido que acabar com a guerra. A administração Bush acumula números negativos de mais de 1 milhão de milhões de dólares por ano. O défice orçamental federal está a aproximar-se dos 500 mil milhões de dólares. O défice comercial dos EUA aproxima-se dos 700 mil milhões. O défice orçamental está a ser financiado por estrangeiros, principalmente asiáticos, que detêm neste momento uma dívida dos EUA suficiente para exercerem o seu poder sobre as taxas de juro americanas e sobre o valor do dólar sempre que quiserem utilizar o poder que Bush colocou nas suas mãos. O défice comercial está a ser financiado em troca da entrega de património americano e de futuras fontes de receita a estrangeiros, ficando os americanos mais pobres para sempre por causa da perda acumulada de riqueza. Por enquanto, a China está desejosa de acumular valores americanos como forma de assumir o controlo dos nossos mercados de consumo, atraindo a indústria de manufacturas americanas com mão-de-obra mais barata subsidiada por valores artificiais da divisa, e conquistando a nossa tecnologia. A estratégia da China é sobrevalorizar o dólar americano para encorajar a transferência das capacidades económicas americanas para a China. A estratégia da China confere um valor artificial ao dólar e mantém as taxas de juro americanas artificialmente baixas. Os valores das acções, obrigações e bens imobiliários americanos dependem do apoio que as estratégias económicas asiáticas derem ao dólar e às taxas de juro americanas. Quando a Ásia atingir o seu objectivo de superioridade na manufactura, na inovação e na evolução de produtos, a estratégia vai mudar. Quando a China completar a sua aquisição das capacidades americanas, deixa de existir razão para apoiar o dólar. Quando o dólar for abaixo, os custos, os lucros, as taxas de juro e os padrões de vida serão afectados de forma dramática. Os custos e as taxas de juro vão subir em espiral, e os lucros, os padrões de vida, os valores das acções, os preços das obrigações e os bens imobiliários vão afundar-se. Estes acontecimentos desagradáveis só estão à espera da decisão da Ásia de cortar o seu apoio à situação devedora dos EUA. Isso vai acontecer quando esse apoio deixar de servir os interesses da Ásia. Quando a Ásia tirar o tapete ao dólar, o governo americano vai perceber que a política monetária e fiscal são impotentes para contrabalançar as suas consequências. Comparados com os défices orçamental e comercial dos EUA, os terroristas são uma preocupação menor. O maior perigo que os EUA enfrentam é o dólar perder o seu papel de divisa de reserva. Isto será um acontecimento empobrecedor, de que os EUA nunca mais se recomporão. Um governo inteligente deveras preocupado com a segurança nacional encontraria uma forma de suspender o leilão de mão-de-obra global que está a esvaziar a economia americana de postos de trabalho de alto valor acrescentado e da sua capacidade de manufactura, o que tem levado o défice comercial americano a aumentar explosivamente. A perda da base fiscal que decorre de as empresas americanas contratarem mão-de-obra e localizarem a produção no estrangeiro torna cada vez mais difícil equilibrar um orçamento esticado pela guerra, pelos desastres naturais e pelo impacto demográfico na Segurança Social e Cuidados de Saúde. O leilão de mão-de-obra global está a desmantelar rapidamente as escadas que conduzem a uma mobilidade ascendente e, portanto, a pôr em perigo a estabilidade política americana. Esta ameaça é muito maior do que qualquer Osama bin Laden pode representar. Os Republicanos e os Democratas estão a ficar sem tempo para sair da confusão duma guerra sem sentido e para se concentrarem nas verdadeiras ameaças que põem em perigo os Estados Unidos da América.26/Setembro/2005
[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions. Contacto: paulcraigroberts@yahoo.com. O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts09262005.html. Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .02/Out/05

sexta-feira, outubro 28, 2005

segunda-feira, outubro 24, 2005

País de reformados...

Sempre ouvi dizer que um dos problemas deste país era não dar importância aos seus velhos, que não cuidava deles, que eram excluídos, etc...Agora leiam isto..."País dos Reformados"Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou naOceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.Aí estamos na vanguarda, mas muito na vanguarda. De acordo, aliás, com estes novos tempos, em que a esperança de vida é maior e, portanto, não devem ser postas na prateleira pessoas ainda com tanto a dar à sociedade. Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito. E nós que não sabíamos!Ora veja-se: o nosso Presidente da República é um reformado; o nosso mais "mortinho por ser" candidato a Presidente da República é um reformado; o nosso Ministro das Finanças é um reformado; o nosso anterior Ministro das Finanças já era um reformado; o Ministro das Obras Públicas é um reformado; gestores ilustres e activíssimos como Mira Amaral (lembram-se?...) são reformados; o novoPresidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado; entre os autarcas, garantiu-o o presidente da ANMP, há "centenas, se não milhares" de reformados; o Presidente do Governo Regional da Madeira é um reformado; e assim por diante...Digam-me lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados, que valoriza os seus quadros independentemente de já estarem a ganhar uma pensãozita, que combate a exclusão e valoriza a experiência dos mais (ou menos...) velhos! Ao menos neste domínio, ninguém faz melhor que nós.Ainda hão-de vir todos copiar este nosso tão generoso"EstadoSocial"...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Ignobilidade!!!!

Da bola e outras coisas redondas
SOARES.
A Grande Reportagem publicou esta semana em exclusivo documentos desclassificados sobre os contactos – vamos chamar-lhe assim – de Carlucci no Portugal pós-revolucionário. Soares foi então a aposta dos EUA para, digamos, moderar a revolução. Uma aposta bem sucedida como se sabe. Na prática, um bom investimento. Da Casa Branca e da CIA. Na investigação, fica-se a saber muito do que já se desconfiava sobre o colaboracionismo de Mário Soares com os interesses norte-americanos no nosso país. Só que, desta vez, oficialmente. Com papéis. Percebe-se também que Soares fazia fita quando se indignava com as suspeições de então e garantia não receber um dólar dos EUA. Era verdade: não foi um dólar, foram alguns milhares. Os documentos comprovam que Soares, o nosso Mário, até pediu armas à Casa Branca, mas Kissinger preferiu dar-lhe dinheiro. Ele aceitou, claro. Nos EUA, repousa ainda nos arquivos nacionais, em absoluto secretismo, um ficheiro sobre Soares, ainda inacessível por razões de «segurança nacional». É uma pena. É precisamente por razões de segurança nacional que, por aqui, dava imenso jeito saber o que lá está.CAVACOPor esta altura, sua Excelência não quer falar sobre a mais do que certa candidatura presidencial. Não quer fazer ruído, diz ele. Aplauda-se. Pela primeira vez, o antigo primeiro-ministro admite, ainda que timidamente, que qualquer coisa que lhe saia da boca perturba quem o vê e ouve.CARRILHOTambém por razões de segurança nacional, apetece-me dizer que o candidato do PS à Câmara de Lisboa devia ter, pelo menos, umas aulas de boas maneiras. O não ter cumprimentado Carmona à saída de um debate televisivo é apenas um sinal de que o homem não está bem. O problema nem sequer é a falta de educação, entenda-se. Mas se ele faz aquilo e ainda não é presidente, imagine-se o que não aconteceria se lá chegasse. Ainda prometia uma tareia a alguém.Notícia retirada daqui.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Lei da Água

Lei da Água gravemente danosa prestes a ser aprovada à revelia dos cidadãos A maioria parlamentar prepara-se para aprovar dia 29 de Setembro na Assembleia da República uma Lei da Água que permite ao governo vender a água, os rios, as albufeiras, as praias e os portos de Portugal. A metodologia adoptada pela Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território da Assembleia da República faz tábua rasa das alternativas presentes e substitui por um simulacro a participação pública que nunca ocorreu. Baseia-se exclusivamente na proposta do Governo e resume o processo "público" à solicitação de parecer escrito a algumas entidades (pedido emitido a 22/7 para responder até 10/8) e a uma Audição Parlamentar Pública no dia 14/Setembro — inscrições até 09/Setembro (fax: 21 391 7448, email: Comissao.7a-CPLAOT@ar.parlamento.pt ). Das entidades constantes da lista aprovada, várias não foram contactadas. A divulgação das alternativas, dos pareceres recebidos e da própria audição parlamentar é nula, contrastando com a campanha publicitária de que tem sido alvo a proposta do Governo. A Associação Água Pública apela à participação activa, incluindo na Audição Parlamentar, à reivindicação de um processo aberto e sério, da defesa do direito de todos se pronunciarem e do direito a conhecer as alternativas e as críticas fundamentadas. Apela à defesa firme do acesso à água, às praias, aos rios, às fontes e às infraestruturas, e do direito de utilização da água que esta lei nos espolia. A Associação Água Pública lançou conjuntamente com o STAL um Abaixo-Assinado para suspensão desse processo e apela à sua subscrição urgente em http://www.stal.pt/abaixoassinado.asp?id=2ver Comunicado e Síntese das Propostas.

domingo, setembro 04, 2005

A vida pode ser eterna!

"A admissão da estabilidade de um mundo a que se não podem mostrar os corações, força a lançar rápido e iluminado olhar ao tempo em que se esperou, em que os ora desalentados ainda tinham fé no que hoje não é presente e então parecia vir a ser futuro. Uma derrota profunda e dorida leva muitos a pensar que haverá sempre e só derrotas. Ver morrer os outros vencidos; talvez também morrer vencido. No vasto mundo muitas vezes se apagam vidas, ao procurarem derrubar velhos e endurecidos troncos. E há sempre quem represente o papel de irmão desalentado: «Para quê viver? Coisas que sempre foram e hão-de ser... O homem vive encadeado a leis irresistíveis. Inúteis os sacrifícios dos que procuram modificar os seus ditames». Como se os homens não pudessem construir a sua própria história. Como se as leis da evolução das sociedades não reservassem lugar à vontade humana.Horas de dor, de sofrimento, de tragédia. Horas em que a expectativa da morte baila com insistência ante os olhos.Então o homem sente necessidade de justificar a sua própria existência. Há que dar uma resposta às perguntas: «que andei e que ando por cá a fazer? Que tenho feito pelos outros e pela história?»O homem teme deixar de ser na terra. Um sono sem despertar choca violentamente contra a estrutural vontade de viver. O ser recusa-se a aceitar o próprio desaparecimento. O apagamento total e sem apelo é incompatível com a existência actual.Por isso, aqueles que acreditaram e não crêem fogem, afastam-se, renunciam. Por isso também há homens que projectam a sua existência para além da morte. Uma alma que voe para rumo extra-terreno. Ou um ser que se desintegra para subsistir integrado em novos seres. Qualquer coisa que justifique o caminho percorrido entre o nascimento e a morte. Sonha-se para fora da terra com uma vida que nesta se não tem. Ou sonha-se com o que fica...A morte é elemento essencial da vida. Mas isso não basta para que se aceite sem mágoa. É que a pergunta: «deixarei de ser hoje? amanhã?» - intensifica e aproxima o grande problema de consciência: «O que andei por cá fazendo? Que fica sobre a terra da minha passagem sobre a terra?»Não satisfaz uma vida além-túmulo, mesmo que a imaginação empreste à alma asas imateriais. É esta terra donde brotou o pão que manteve o corpo e a água que matou a sede, esta terra donde tudo (mesmo pouco) nos veio e para onde iremos – e é esta humanidade a que pertencemos, este grande colectivo a que nos liga o sangue, o amor, o ódio e a interdependência – é esta terra e esta humanidade que nos exigem uma explicação.Assim o problema da morte é o problema da vida. Depois que desapareça tudo o que de nós houve! Ou que subsista a alma! Ou que os vermes perpetuem a existência do nosso corpo!Mas a expectativa da morte ou dum futuro de sombras perpétuas (que derrotas intensificam) chama a recordação do passado. Que poderia ter feito para que meu irmão não fosse vencido? Não lhe deixei só a ele uma tarefa que também me pertencia? E ainda... Que foi feito de toda esta energia dispendida em vida e tão sofregamente sugada? Que fica – não do meu corpo ou da minha alma – que fica das minhas acções duma vida inteira?E a perpetuidade da nossa vida, a resistência contra um breve deixar de ser, fixa-se neste ponto vital: a justificação e perpetuidade das próprias acções, do que se fez no caminho percorrido entre o nascimento e a morte.Haverá espectáculo mais doloroso que o do velho que olha atentamente o passado, medindo cada passo, avaliando o efeito de cada gesto, e por fim tem um grito de desalento, remorso e desespero: «uma vida inútil...?» Haverá constatação mais angustiosa que a da própria inutilidade? Não será precisamente essa constatação que as mais das vezes leva ao desejo de não ser? A inutilidade da vida é a afirmação de que nada fica das acções praticadas, de que se gastou o tempo a queimar tempo.E então talvez valha a pena fitar a morte e esperar o para lá. A não ser que se olhe em frente – mesmo que o limite se espeque num amanhã irrefutável – e se marque uma finalidade à vida.Quando a perspectiva da morte ou dum futuro trágico baila ante todos, até os jovens, como os velhos, olham o passado. E, depois, quantas vezes o desinteresse e a renúncia não vêm juntar a uma derrota ou a um momentâneo recuo colectivo, uma irremissível derrota individual....Porém, quando assim se não voga ao sabor da corrente, mas antes se escolhe caminho e se marcha, novamente o futuro sorri, à nossa vida ou à nossa morte. Sorri porque nele se adivinham marcadas as acções que vão ser praticadas. Porque a nossa vitalidade é afinal a direcção do que vem. Porque se ganha confiança na perpetuidade dos nossos actos. Subsiste a alma? O apodrecimento e desintegração é a última étape? Que interessa isso, se ganhámos uma nova eternidade!Enquanto a humanidade for humanidade, as acções que hoje praticamos estarão sempre presentes, resistindo ao tempo e ao esquecimento a que nos votarão os nossos netos. Já os nossos corpos terão perdido a forma humana, já as suas partículas viverão separadas e dispersas e ainda nas sociedades futuras os efeitos dos efeitos das nossas acções evocarão a nossa passada existência. Com esta concepção, sentimo-nos (hoje) obreiros anónimos do futuro. Ao problema da morte, do não ser, responde satisfatoriamente a certeza consoladora deste prolongamento da nossa existência. Se se pudesse falar em eternidade, esta seria a única eternidade da nossa vida, como seres pensantes e voluntariosos.Por isso, quanto mais sorridente é a visão do mundo que fica, quanto mais funda é a consciência de que tudo se fez para deixar aos filhos valiosa herança, menos dura e menos brutal aparece a visão da morte.Não se trata de olhar para trás e perguntar com angústia: «que fiz? que fiz?» Trata-se de olhar em frente e perguntar com confiança e serenidade: «que poderei ainda fazer?» Não é só um exame de consciência que urge fazer: é também um apelo à consciência!Com tal procedimento não se visa conquistar a absolvição dum juiz que após a nossa morte nos venha a ter em frente sentados no banco dos réus. Além da história, ninguém nos pedirá contas. Nem a nós, nem aos nossos espectros. Somos nós que nos devemos interrogar e julgar. Isso nos exige a vontade de viver e de perpetuar a nossa existência. Isso nos exige a gratidão. Isso nos exige a lembrança dos irmãos que morreram ao pretender desenraizar endurecidos troncos. Pode não conhecer-se o triunfo. Mas pode soçobrar-se, sem que no mundo fiquem só trevas. Talvez assim nos venha acalentar a necessidade dum sacrifício heróico. E então, porque não falar em felicidade?Num mundo em que não há risos sem lágrimas, a felicidade nunca pode ser uma situação com caracteres próprios e momentâneos. A felicidade não pode existir, não existe, como situação particular: nem quando dependente de factos estranhos à própria vontade; nem como ideia abstracta. A felicidade só pode existir como um atributo de toda uma vida. Só a satisfação pela vida que se vive poderá tornar feliz. Há então que não subordinar as acções ao alcance dum prazer. Mas antes amoldar a ideia de felicidade à vida que se vive.Quando não nos sentimos meros joguetes da evolução mas, pelo contrário, sentimos que, mesmo ao de leve, as nossas energias modificam o seu ritmo. Quando sabemos ser leais, rectos e solidários. Quando amamos profunda e extensamente e nos sentimos capazes de sacrificadas demonstrações do nosso amor. Somos felizes porque não desejamos outra vida, porque sentimos preenchida a própria função humana. A felicidade só existe assim como condição da consciência da própria utilidade. Não dispersar actividades. Proceder com um critério. Ser coerente em todas as atitudes. Agir com uma só linha de conduta. Ter fé na própria vontade, embora aceitando as suas determinantes. Convicção de impotência e felicidade excluem-se.Assim far-se-á da própria vida uma vida feliz. Feliz nas horas de ascenso e nas horas de derrota. Feliz na alegria e na tristeza. Porque, na felicidade, prazer e dor interpenetram-se. Até o estertor final pode conduzir à felicidade pela convicção de que se morre bem. Não pode haver felicidade sem dor, porque esta é inseparável da vida. Que se sofra! Mas que as vontades saibam amordaçar o sofrimento para triunfar. E para isso, é necessário forjar nos peitos o desinteresse pessoal por prazeres efémeros, a rijeza de aço para lutar, o esclarecimento das exigências dos sentidos. Através da dor e da angústia, corações ao alto!Se a felicidade é dada pela satisfação da linha de conduta, pela satisfação de que se procede bem, nada, nada, nem os gritos da própria carne esfacelada, nem lágrimas de emoção, nem a revolta instante e desesperada, pode destruí-la. Porque, acima dos próprio gritos, das próprias lágrimas, do próprio desespero, fica sempre a certeza duma vida voluntariosa e independente ou – se se preferir a expressão – recta, leal, digna.Então suporta-se a dor e ama-se a vida. Podem as leis da natureza esfrangalhar o corpo. Podem os órgãos começar cansando. E as pernas vergando de fadiga. Amortecendo-se a percepção. O corpo começar em vida o seu desagregamento. Poderá bailar ante os olhos a perspectiva da morte e o fim especar-se num amanhã irremissível.E haverá sempre vontade de continuar, procedendo sempre e sempre duma forma escolhida, marchando sempre para um destino humano e uma missão terrena voluntariosamente traçada. Haverá sempre anseio de continuidade e aperfeiçoamento.Atravessar-se-ão tragédias com lágrimas nos olhos, um sorriso nos lábios e uma fé nos peitos."Excerto de um artigo de Álvaro Cunhal, publicado, em «O Diabo» n.º 233, de 1939, então com 26 anos de idade.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Quando não se olha a meios...


para atingir os fins pretendidos, só nos resta perguntar: _Que raio de país é este?Já lhe chamam a indústria dos incêndios.A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.Vale a pena continuar a ler aqui.Depois de ler este artigo de opinião, com o qual concordo plenamente, interrogo-me até que ponto os nossos governantes se interessam pela vida dos cidadãos e até onde chega a incúria e a corrupção, apenas para atingirem determinados objectivos obscuros, mas acima de tudo, lamento profundamente que poucos sejam os que têm coragem de desmascarar estas situações, gritando bem alto a verdade!

terça-feira, julho 12, 2005

A loucura do TGV...

Depois de ouvir ultimamente o nosso governo afirmar que vai em frente com o TGV, fiquei deveras preocupada!Resolvi postar aqui um artigo que me parece ser bastante elucidativo sobre esta questão, de forma a que aqueles menos esclarecidos acerca da "problemática" do TGV, possam formar a sua opinião e combater aquilo que entendo ser mais uma loucura dos nossos governantes.A ler sem falta a opinião de Carlos Cabrita na Urbi et Orbi.

domingo, julho 03, 2005

Pensamento...

A única coisa necessária para que o Mal triunfe, é que os homens bons nada façam!
Edmund Burke

quinta-feira, junho 30, 2005

A DROGA...essa prisão de difícil fuga!

Aumentou o número de consumidores de droga em todo o mundo. São agora 200 milhões de pessoas, o equivalente a cinco por cento da populção entre os 15 e os 65 anos. Os dados foram hoje divulgados no relatório da ONU sobre drogas e crime.A toxicodependência movimenta uma verba que ronda os 400 mil milhões de euros, muito superior ao produto interno bruto de 90 por cento dos países do mundo.Continua a ler.
* Post recuperado.