quinta-feira, setembro 28, 2006

O que não é notícia

Projecto Censurado 2007...

Os 25 temas "top" que foram ignorados censurados pela imprensa corporativa dos Estados Unidos.

Apenas o podemos encontrar traduzido em italiano e espanhol. Todavia, e enquanto a Internet não for "tomada de assalto" pelos poderosos do mundo, temos a possibilidade de ler em inglês os 25 temas "top" publicados este ano, no site do Projecto e aqui.
O Projecto Censura é completamente ignorado pelos media. Segundo Phillips, durante os 27 anos da sua existência jamais mereceu uma linha no The New York Times. As análises e investigações sobre a nova ideologia conservadora de dominação global que impera hoje na Casa Branca foram o tema mais importante e mais censurado no período agora estudado, segundo a avaliação dos pesquisadores. Os outros temas destacados pelo Projecto Censura foram os seguintes:
-Segurança nacional versus direitos humanos e civis nos EUA;
-EUA suprime ilegalmente páginas de informação sobre o Iraque;
-Os planos de Rumsfeld para provocar os terroristas;
-Esforços para fazer os sindicatos desaparecerem;
-Acesso cada vez mais restrito à tecnologia de informação;
-Os EUA violam numerosos tratados internacionais;
-Bush utilizou armas de destruição em massa contra seu próprio povo;
-No Afeganistão, os EUA iniciam financiamento de grupos paramilitares à "fundação da democracia";
-O novo colonialismo na África;
-Os EUA implicados no massacre de talibãs;
-Governo Bush esteve por detrás do fracassado golpe militar na Venezuela;
-Desafios da personalidade oculta das corporações;
-Os refugiados indesejados: um problema global;
-O Exército dos EUA está em guerra contra o planeta;
-O Plano Puebla-Panamá e a ALCA;
-O monopólio de emissoras de rádio do Clear Channel atrai críticas;
-A reforma florestal ameaça o acesso aos bosques públicos;
-Dólar versus euro, outra razão para a invasão do Iraque;
-Pentágono incrementa contratos militares com empresas privadas;
-Políticas de austeridade para o Terceiro Mundo;
-A reforma da assistência social não preservou rede de seguridade social;
-Ajuda dos EUA a Israel alimenta ocupação repressiva na Palestina;
-Corporações condenadas recebem favores ao invés de castigos.
A tradução para espanhol está também divulgada no site da Agenpress.
Outro link importante.

O "Project Censored" converteu-se numa importante voz e num desafio à censura de notícias ocultadas à opinião pública pelos grandes monopólios da informação nos Estados Unidos, Este ano são 25 as notícias do chamado "Project Censored 2007" censuradas pelo Governo dos Estados Unidos durante o ano 2006, as quais foram recuperadas num só volume, que promete ser um êxito de vendas por tudo o que nele se divulga, e que no momento devido, o poder evitou que se conhecesse. Entre estas notícias está o futuro da Internet, o grande debate ignorado pela imprensa americana, na qual se denuncia como as grandes corporações se estão a apropriar da rede, ameaçando com a criação de um serviço para ricos e outro para pobres. Os que puderem pagar mais terão melhor acesso à rede, e os que não puderem, serão discriminados e afastados, estando sujeitos, inclusive, à intervenção censurada nos conteúdos online.
A Internet corre o risco de deixar de ser o fórum democrático mais livre e mais compreensivo inventado pela humanidade, se as grandes corporações "telecom" tipo Comcast, Verizon e AT&T conseguirem colocar as garras na Web. Se estas companhias alcançarem o seu propósito, os abastecedores de banda larga ficarão contentes, e com os bolsos cheios, ao mesmo tempo que a nós apenas nos será permitido espreitar o ciberespaço.
O "Project Censored" surgiu em 1976, quando o professor académico Carl Jensen, da Universidade Sonoma State de California, decidiu começar a investigar com os seus alunos e alguns colegas, tudo o que em cada ano era intencionalmente oculto pela imprensa norte americana, apesar de se tratarem de factos importantes ocorridos nos EUA. "Explorando e publicando notícias de importância nacional sobre problemas que passaram ao lado ou que simplesmente foram sub-valorizados pelos meios de comunicação de alcance nacional, o "Project Censored" tem como objectivo estimular os jornalistas e editores, a proporcionarem uma maior cobertura a estes problemas.", diz Jensen. E acrescenta, que também tem esperança que as revelações censuradas pelos media, e agora divulgadas, animem o público em geral a procurar e a exigir mais informação sobre esses temas.
Nos arquivos do "Project Censored" encontra-se o lado oculto de três décadas de história política, económica e militar dos EUA, e muitos delas ainda são de uma actualidade incrível. Não sendo de esperar outra coisa, este livro, embora seja editado anualmente há 30 anos, ainda não tem tradução em português.

terça-feira, setembro 26, 2006

Dissertação

O conhecimento é uma arma?

O conhecimento é poder. Já no final do século XVI, Sir Francis Bacon, dizia isto mesmo. E sendo verdade, digo eu, o poder está cada vez mais concentrado. A evolução da sociedade depende da sua cultura e, boa parte dessa cultura, depende dos meios de comunicação. É por isso que os meios de comunicação devem mostrar a realidade de forma correcta, utilizando os factos e raciocinando a partir dos mesmos. Evidentemente, os raciocínios relativos à política e à actuação dos governos, são por natureza incompletos, o que pressupõe à partida, que a análise de determinadas questões, tem incorporada uma componente subjectiva, dependendo da pessoa que realiza essa análise. No entanto, quando se seleccionam os factos e se trabalham com a finalidade de obter uma conclusão, o resultado é sempre a manipulação.
Nas próprias Escrituras já vem estabelecido que “o conhecimento é uma espada e a sabedoria um escudo”. Hoje em dia o poder do conhecimento tornou-se uma questão pertinente. O desafio reside em levar a informação ao maior número de indivíduos. Mas a informação só se converte em conhecimento quando facilita a comunicação e a participação dos cidadãos, permitindo a estes e aos governantes, tomar decisões correctas, baseadas em informação não deturpada.
As novas tecnologias possibilitaram a mobilização da informação cada vez mais rápida e ficamos maravilhados com os milhões de unidades de informação que se movimentam pelo mundo inteiro em centésimas de segundo. Mas devemos questionarmo-nos a sério sobre a qualidade dessa informação. Estamos afinal de contas, comunicando? É pertinente? Fará do Mundo um lugar melhor? Toda esta informação equivale a conhecimento? É suposto o aumento da tecnologia de informação encurtar as distâncias, mas nem sempre será um factor de união entre as pessoas.
O conhecimento talvez seja uma espada, mas eu digo que é uma espada de dois gumes. Os mecanismos produtores do conhecimento estão concentrados num cada vez menor número de pessoas. Por todo o mundo, é notório que a propriedade dos meios de comunicação reflecte a tendência supranacional da propriedade das grandes multinacionais. A mensagem difundida espelha uma monocultura consumidora mundial que gera desequilibrios, perpetua a desigualdade económica e prejudica até o meio ambiente. E deixa cada vez mais, o pobre, o desfavorecido, fora do ciclo do conhecimento. Alguns perderam o pouco conhecimento que tinham, e foi substituído por outro que não é nem relevante nem útil. E assim continuarão, manipulados, subjugados e sem refilar. Até que um dia entendam que o conhecimento é a arma de um povo.

domingo, setembro 24, 2006

Pensamento

Qualquer um pode zangar-se, isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e certa maneira, isso é mais difícil.

Aristóteles - Ética a Nicómaco

quinta-feira, setembro 21, 2006

O paradigma...

Apolítica é para os políticos!!

Sempre que oiço esta frase, o que acontece mais vezes do que gostaria, e vejo a indiferença, o desprezo, ou pior ainda, a irresponsabilidade com que é pronunciada… um turbilhão de pensamentos e uma revolta interna, apoderam-se de mim. Para mim, isto é a coisa mais idiota que um ser humano pode pronunciar, pois que, desde esse momento, o próprio se está a considerar como escravo ou súbdito do aparelho que o vai governar... ou melhor dizendo, o vai manipular a seu belo prazer e impunemente. É precisamente por muita gente pensar de forma semelhante, que aconteceu, acontece e acontecerá sempre o mesmo, uma vez que o político, o que governa, tem uma tendência nata ao absolutismo e daí à ditadura ou tirania, são favas contadas!
Sabemos com toda a certeza, porque a história passada e presente assim o confirma, que "o político" tem de ser controlado, supervisionado de forma eficaz e pacífica, coisa que não seria necessária, se todos trabalhassem de forma inteligente e solidária… porque devemos ter em conta que "o político", controla efectivamente todo o poder e, se não houver nenhum controle, ultrapassará levianamente esse poder sem medo de responsabilidades. Controla o tesouro público (impostos e reservas) e com um tão grande poder nas mãos "comprará tudo o que for comprável", para eternizar-se no próprio poderio e preocupar-se apenas com "aqueles que o sustentam ou com os que lhe podem fazer sombra".

E o povo?... Esse, como sempre, a trabalhar, a pagar sem refilar e a ser entretido com os entretenimentos com que se "drogam" as massas, para que não pensem... Precisamente por tudo isto, nenhum governante (salvo raras excepções) tem interesse em que seja imposta uma verdadeira educação política e social integral, que ensine ao homem a ser homem e à mulher a sê-lo igualmente… alcançado este patamar, "tudo o resto viria por acréscimo" (como dizia Pitágoras). Formados assim, os indivíduos, seguramente que para além de mais solidários e mais humanos, seriam mais conhecedores da sua realidade e portanto, seres responsáveis em alto grau… Acontece que isto, é o que não quer o demagogo, que aspira a governar e que regra geral, são a imensa maioria que se dedica à política (basta ver a trajectória da maioria deles), uma vez que o fazem para, no mínimo, medrar e viver bem do trabalho dos restantes e como máximo, para enriquecerem num grau superlativo e vangloriarem-se disso, tal como o faziam os imperadores ou imperantes, aqueles, dos quais a história nos conta horrendas atrocidades… e cuja lição aos povos de nada serviu.
Quando será que o povo entenderá que não pode “deixar andar”, que tem de dizer basta e que é urgente entender que a política é para todos e não só para os políticos?
A demagogia moderna - não lhe chamo política… (porque a política é a arte de governar bem os povos em paz e em harmonia uns com os outros) conseguiu instaurar uma “liberdade” disfarçada, porque para exercer a verdadeira Liberdade e fazer uso dela, o povo teria de estar bem preparado para isso e não está como é evidente. E assim, com a premissa de “um homem um voto” (em combinações de sistemas mais ou menos proporcionais) o povo aprendeu a resignar-se com algo que dizem ser “democracia”, mas que na realidade não passam de “imensos ninhos” de ditaduras ou tiranias, onde ao fim e ao cabo, se praticam as maiores barbaridades (financeiras, sociais e políticas) e ninguém responde por nada!
É um pouco arriscado até, pensar e expor o nosso pensamento… mas olhando para os prelúdios de uma outra guerra internacional ou mundial, e até onde se pode chegar, na mira dos interesses do petróleo (motivo de todas as lutas sangrentas que ocorrem no Médio Oriente), devemos pois falar e cada um de nós dizer o que entender por conveniente, pensando sempre nessa “sempre ausente”, paz e harmonia… onde todos queremos chegar um dia, pese embora todos os malditos políticos, que hoje manejam (e não governam) este pobre planeta.
E raro é o dia que não oiço aquela maldita frase… até quando?


Edição: Só é possível existir uma verdadeira democracia se o povo possuir as “ferramentas” necessárias: educação e preparação. Para poder exercer a soberania e não ser manipulado por um qualquer usurpador de poder. Da mesma forma que se prepara o soldado para a batalha e ao operário se ensina o seu trabalho, tem que se educar o povo se queremos que seja ele o verdadeiro soberano. Se não tiver preparação, o soldado morre rapidamente no combate, o operário fracassa no seu trabalho, e a democracia… simplesmente NÃO existe.

sábado, setembro 16, 2006

Vitor Jara

Victor Jara: El canto no se apagará jamás

Joan Turner buscó por Santiago a su marido durante cientos de angustiosas horas. El dieciocho de septiembre, un amigo le comunicó que su cuerpo mutilado se encontraba desde hacía tres días en el depósito central de cadáveres. Las salas allí estaban colmadas hasta el techo. Le costó encontrarlo. Su cara aparecía cubierta de sangre y la cruzaba una herida de arma blanca. El pecho acribillado por la metralleta. Las piernas amarradas. Las muñecas de sus manos, según se dijo, golpeadas con martillo o culata de fusil. Así trataron al artista de siete dimensiones, al poeta, al actor, al director de teatro, al compositor, al padre de Amanda, al cantor del pueblo. El oficial lo conminó a que gritara "¡Viva la junta!". No lo hizo. ¿Lo mataron en el Estadio, que escuchó su canción muchas veces y que un día llevará su nombre?Uno de los generales explicó su muerte: "Había que poner fin a sus canciones y para eso hubo que matar a algunos de ellos".¡Poner fin a las canciones! Los pueblos ven en su muerte, como en el asesinato de García Lorca o de Miguel Hernández, el signo negro de la negación del canto, de la poesía y la vida. Aborrecen las expresiones más hermosas del ser humano, que son capaces de sobrevivir a pesar de todo. El himno de las juventudes del Mundo proclama en alta voz: "Ese canto no se apagará jamás". No se apagará jamás el canto de la juventud, el canto de los pueblos. Quisieron matar el canto del pueblo de Chile matando a Víctor jara. Pero Víctor Jara sigue cantando.



(*) Extracto do livro "Noches de Radio (Escucha Chile)" de Volodia Teitelboim, LOM Edições Chile, 2001.

O último poema escrito durante a sua detenção, nos dias que antecederam a sua morte.

quinta-feira, setembro 14, 2006

An Inconvenient Truth

"Uma Verdade Inconveniente" é um documentário de 90 minutos, um apelo urgente, mas também optimista, através do qual o realizador, Davis Guggenheim, tenta alertar as consciências dos cidadãos e da classe política para os perigos do aquecimento global e para a diminuição das reservas de água do planeta.

Tomando como fio condutor as conferências que Al Gore tem dado sobre o assunto, desde a sua derrota presidencial, o cineasta decidiu levar esta mensagem mais longe e a mais pessoas.

Depois de, em Dezembro de 2000, Gore ter aceite a frustrante (e duvidosa) derrota, decidiu operar uma profunda mudança na sua vida pessoal e profissional. O ex-senador retomou uma antiga vocação e passou a dedicar-se exclusivamente às questões ambientais. Nos últimos anos proferiu mais de um milhar de conferências, viajando por todo o mundo, e despertando audiências para um tema que afecta toda a Humanidade.

Defende que, se não houver uma mudança radical na gestão dos recursos e na produção de gás carbónico, em menos de uma década o nosso planeta entrará numa dinâmica catastrófica. O degelo dos pólos, a alteração dos ciclos climáticos, com o eclodir de perturbações meteorológicas extremas, como secas severas, inundações gigantes ou vagas de calor mortais, e a propagação de epidemias são apenas algumas das consequências.
Apesar disso, Gore mantém-se "optimista". Ainda estamos a tempo, acredita, de salvar o planeta. Mas, para que tal seja possível, todos temos que incorporar práticas simples no dia-a-dia - como separar o lixo, utilizar mais os transportes públicos, reduzir o consumo de água quente, regular os termóstatos, plantar árvores... - e sobretudo é necessário que a classe política reveja as suas opções. As grandes tarefas dependem sobretudo dos dirigentes políticos e devem ser adoptadas à escala mundial, defende. Al Gore continua a acreditar que a vontade política também é uma energia renovável.
(in estreia.online)


Acredito que o Mundo seria hoje bem diferente se Al Gore tivesse vencido as eleições há seis anos. E não era apenas em relação às questões ambientais...


Trailer

Estreia hoje.

segunda-feira, setembro 11, 2006

O outro 11 de Setembro

Este filme, foi para mim o início de um despertar de consciência. Vi a esplêndida obra de Helvio Soto pela primeira vez, com 15 anos, em 1976, e jamais esquecerei a dor e a revolta que senti, aliadas a um sentimento de impotência enorme, que ainda hoje recordo, tal como as lágrimas que derramei nessas 2 horas de película.
E hoje, quando vejo as grandes manifestações de solidariedade para com a Administração Bush (nota que não digo com o povo americano), a nível nacional, com o objectivo de instrumentalizar a opinião pública, fazendo crer que o 9/11 de 2001 foi o resultado de um ataque terrorista, por parte de Bin Laden, e não um sórdido e terrível plano interno, como na realidade aconteceu, arquitectado para justificar todos os ataques posteriores, efectuados pelos americanos a países independentes, recordo aquele filme e o papel da América nos acontecimentos do dia 11 de Setembro de 1973. E lembro aqui, para que também não esqueçamos o outro 11 de Setembro.

"En “Llueve sobre Santiago”, Soto a la manera de un documental reconstruye las últimas semanas del gobierno de Allende. Exprofesamente emplea el blanco y negro para plantear la lucha de clases atravesada en Chile durante el gobierno de la Unidad Popular. La alianza entre el Partido Comunista y el Partido Socialista conjuntamente los movimientos políticos de izquierda logran llevar a Allende al Palacio de la Moneda. Pero de inmediato nace la confabulación de la derecha chilena en consonancia con los norteamericanos quienes instruyen el sabotaje paulatino al gobierno cuyo planteamiento fue llevar al país del Mapocho al socialismo a través de la democracia. La efervescencia popular motivaba la toma de fábricas y grandes mítines en los que los discursos incendiarios se confundían con la música protesta. Entre tanto, la reacción se organizaba saboteando la producción en las fábricas y las minas y el paro del transporte."



Link 1
Link 2

domingo, setembro 10, 2006

sexta-feira, setembro 08, 2006

Segurança Social


[*]17 Perguntas e respostas sobre a reforma da Segurança Social


A Segurança Social é um direito universal dos portugueses consagrado no art.º 63º da Constituição da República, sendo um direito de cidadania fundamental para assegurar um vida com um mínimo de dignidade. E isto porque quando, devido à doença, ao desemprego, à invalidez e à velhice, um português fica sem possibilidade de obter rendimentos para poder viver, é a Segurança Social que garante o rendimento indispensável.


SERÁ QUE A SEGURANÇA SOCIAL É APENAS IMPORTANTE PARA OS REFORMADOS?

... Muitos portugueses, quando ouvem falar de Segurança Social, pensam que ela se restringe apenas ao pagamento de pensões de reforma, por isso que apenas interessa aos reformados ou quando se está próximo da idade da reforma. Isso não corresponde à verdade.
Em todas as situações da sua vida, quer na vida activa quer na situação de reformado, quando um português perde a capacidade para angariar os rendimentos de que precisa para viver, é a Segurança Social que lhe garante a sobrevivência. É também a Segurança Social que acorre a qualquer português quando é atingido pela pobreza, mesmo que antes não tenha descontado para a Segurança Social.
Assim, quando está doente, é a Segurança Social que lhe paga o subsídio de doença. Quando perde o emprego, é ainda a Segurança Social que lhe paga o subsídio de desemprego, e não o Fundo de Desemprego, que já não existe, como por vezes se ouve. Quando é atingido pela invalidez, é ainda a Segurança Social que paga a pensão de invalidez. Quando atinge a idade de reforma, é também a Segurança Social que paga a pensão de velhice.
E não se pense que a protecção da Segurança Social se limita apenas ao referido anteriormente. É igualmente a Segurança Social que paga o abono de família, as pensões sociais àqueles que nunca descontaram para a Segurança Social, mas que chegados aos 65 anos não têm recursos para viver, é ainda a Segurança Social que paga o Rendimento Social de Inserção, antes chamado Rendimento Mínimo Garantido, a milhares de famílias, é ainda a Segurança Social que financia as chamadas Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS) e as Misericórdias na luta contra a pobreza.
Em resumo, a Segurança Social está presente na vida de todos os portugueses desde a nascença até à morte. Portanto, conhecer bem os problemas da Segurança Social e defendê-la é fundamental para todos os portugueses.


Distanciar-se, alhear-se, ou considerar que a Segurança Social não lhe diz respeito, sendo apenas importante quando se chegar à reforma, para além de revelar um grande desconhecimento sobre os problemas fundamentais do País e dos portugueses e dos seus direitos, é permitir que outros decidam a seu bel prazer sobre matérias fundamentais que dizem respeito a todos os portugueses, é permitir que outros decidam sobre a nossa vida e a dos nossos filhos no presente e no futuro, é tornar possível que lhe sejam retirados direitos essenciais devido à sua passividade.


SERÁ QUE A SEGURANÇA SOCIAL ESTÁ FALIDA OU ENTRARÁ EM FALÊNCIA?

Um dos argumentos mais utilizados pelo governo e por todos aqueles que atacam a Segurança Social é que esta está falida ou vai falir. Muitas vezes não o dizem de uma forma explícita, mas a mensagem que desejam passar, ou passam, acaba por ser esta.

... A afirmação de que a Segurança Social está falida ou corre o risco de falência é, sob o ponto de vista técnico, uma grande mentira, e é necessário um combate contínuo para desmistificar. O certo é que é uma mensagem que é repetida muitas vezes, o que leva muitos, nomeadamente os jovens, a pensar que é uma verdade.
O objectivo é claro: desacreditar o sistema público de Segurança Social, criar a insegurança nos trabalhadores para que eles aceitem facilmente a redução de direitos e para que invistam as suas reduzidas poupanças em fundos de pensões privados, que é um negócio altamente lucrativo para a banca e seguradoras.

[*] Este post é um extracto de um estudo efectuado por Eugénio Rosa, economista, que demonstra claramente que a afirmação de que a Segurança Social está falida ou corre o risco de falência é uma grande mentira, e vale a pena ler todo o documento.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Para o ano há mais

Em 1976, Álvaro Cunhal afirmou, no discurso de encerramento da Festa do Avante, que esta é a maior, a mais extraordinária, a mais fraternal e humana jamais realizada no nosso País. A prova de que estava certo é o sucesso que continua a ter 30 anos depois, apesar das várias tentativas de alguns para a destruirem. Mas a Festa continua e a Luta também! ...

*Post recuperado.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Um local... três momentos

Sem tempo para postar, ofereço-vos três momentos de excelsa calmaria que qualquer mortal pode desfrutar, ao visitar a Barragem de Lucefecit, em Terena, no final de um grande e tórrido dia de verão.

* Post recuperado.

terça-feira, agosto 29, 2006

A carne de canhão portuguesa



Portugal não tem qualquer responsabilidade histórica no Líbano. Em relação à agressão bárbara e selvagem dos facínoras dos EUA & Israel, o governo português remeteu-se a um silêncio covarde e conivente (cedência da Base das Lajes). E agora, num novo gesto de subserviência ao imperialismo (EUA) e ao subimperialismo (UE), pretende enviar tropas para a UNIFIL. O estatuto, o mandato e os objectivos desta força militar internacional estão longe de serem claros. A própria França de Chirac hesitou muito em comprometer-se com o envio de militares em escala maciça. Mas, mais papista que o papa, o governo português apressa-se a mais um acto de vassalagem.

Link

Astuta e desperadamente, o PM procura de forma inédita, a conivência da oposição para a sua tomada de decisão, no sentido de, já à priori, evitar que se levantem vozes discordantes. É uma forma perspicaz de calar a boca de uma maioria da AR, ao comprometerem-se com as decisões do governo. É caso para dizer. "Eles pensam-na toda!". Mas nem todos andam a dormir

*Post recuperado

domingo, agosto 27, 2006

A Esquina

Em […], numa data social em que a vida por si só se tornou difícil e azeda, um homem de meia-idade inventou uma profissão para si mesmo. No sorriso da sua descoberta, pintou de verde-escuro um banco pequenino, passou a manhã esperando que o sol ausente o secasse com a temperatura possível. Engomou o fato castanho e escolheu aleatoriamente uma das muitas esquinas da cidade. Num cartão pequeno escreveu à máquina: "tiram-se dúvidas".
Resistiu pacientemente aos primeiros vinte e três dias em que ninguém caiu na tentação de lhe fazer uma pergunta que fosse. É sabido que s pessoas paravam para ler o cartão, e que sorriam ou acenavam, cumprimentando-o. Está escrito que ele ripostava com a agradabilidade do seu sorriso curto, cordial, calmo. No vigésimo quarto dia uma criança sentou-se no chão ao pé dele. Ao fim de algum tempo, sorriu. O homem também sorriu. A criança, miopemente, soletrou com a boca e os olhos: ti-ram-se dú-vi-das… Fechou o seu sorrisinho e olhou-o intrigada. Quando se preparava para murmurar algo, ou quando o homem se preparava para murmurar algo de volta, um senhor prostrou-se em frente ao banquinho, à mesinha, ao homem, à criança, aos seus sorrisos parecidos.
Não havia preços. O certo é que a criança todos os dias se sentava ali, o homem todos os dias lá ia, as pessoas apreciam com mais frequência.
A esquina ficou conhecida como a esquina da dúvida, onde ainda hoje todos os cafés têm pinturas ou esculturas do homem, o banco, a mesa, o cartaz e a criança ao lado__no chão.
Se chovia retiravam-se para um parapeito. Se fazia vento aconchegavam as pernas um ao outro. De longe, o que se via era o sorriso calmo, cordial, curto, do homem intercalado com palavras poucas, mansas. As pessoas sorrindo se afastavam.
Numa tarde fria, bela, chegaram a acumular-se três pessoas para tirarem dúvidas. Quando o homem disso se apercebeu, enternecido, olhou a criança. A criança, surpreendida com aquele olhar extenso, olhou o cartaz. Soletrou mais alto do que da primeira vez, para que todos na fila o ouvissem: ti-ram-se dú-vi-das…
O tirador de dúvidas afagou o menino. Disse-lhe um segredo: dúvida é quando não sabemos bem alguma coisa. O menino enxugou o ranho transparente do seu lábio, sorriu, procurou a orelha peluda do homem: dúvida é amanhã?
Mãos dadas, dúvida virou nome de esquina.



Ondjaki in E Se Amanhã o Medo

*Post recuperado

quinta-feira, agosto 24, 2006

Etiquetas

Rotular pessoas segundo padrões comportamentais e biológicos é uma tarefa um pouco ingrata porque corremos o risco de cometer injustiças. Porque existe quem facilmente rotule os outros, crescem os estereotipos, crescem os preconceitos, cresce uma preguiçosa maneira de pensar, e as pessoas já não se preocupam em conhecer. Olha-se e faz-se o perfil, sem pensar que, cada ser humano tem a sua própria individualidade, mesmo quando se esforça por se enquadrar num grupo social. Mas como aquilo que o Hammer me pede aqui é que me etiquete a mim mesma aqui, se bem que o "auto-rótulo" nunca é algo imparcial.
A sinceridade é um dos meus lemas de vida. Por vezes confunde-se com impetuosidade e nem sempre é bem recebida. Entendo no entanto que é melhor ser brutalmente sincera do que covardemente fingida.
A confiança cega que deposito no ser humano acarreta-me por vezes dissabores e desilusões, e a experiência não me deu ainda aprendizagem suficiente para não voltar a cometer os mesmos erros.
Por acreditar que é possível um mundo melhor, estou sempre disponível para enveredar as lutas necessárias que creio poderem contribuir para esse fim. Não desisto facilmente dos objectivos que me proponho.
Não tenho clube de futebol ou religião, não tenho música, livros ou filmes favoritos. Não fumo, não bebo e como penso que as pessoas não mudam, apenas evoluem,o meu único vício é tentar evoluir e alcançar a paz comigo mesma.

Não querendo ser acusada de quebrar esta corrente blogosférica, já que luto diariamente por quebrar todas as outras, passo o desafio ao VermelhoFaial, ao Leandro, ao António Caeiro e ao MGomes, com um pedido de desculpas antecipado pela ousadia da minha decisão.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Soma e segue...

Mais um acto de prepotência deste governo! Ao mesmo tempo que o Ministro da Saúde exige contenção aos médicos na prescrição de medicamentos, são decididos os aumentos das tabelas de taxas da ADSE, de forma leviana e à margem daqueles que têm uma palavra a dizer sobre o assunto. A uns mandam apertar o cinto, a outros enforcam-nos de imediato. Haja pachorra!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Vale tudo...

A fabricação do MEDO

A fabricação do medo, para criar estados de espírito colectivos que justifiquem medidas repressivas, parece ter-se tornado um sistema. Agora é o Reino Unido do sr. Blair que anuncia nebulosas "ameaças terroristas" contra aviões, tentando gerar pânico. O que estarão eles a preparar? Nos EUA, o 11 de Setembro de 2001 serviu para fazer aprovar a toque de caixa a "Patriot Law" que estava redigida há muito e implicou uma profunda alteração no regime estadunidense. Direitos, liberdades e garantias desfrutadas pelos cidadãos americanos foram pura e simplesmente eliminadas. Não embarcar nas histerias colectivas promovidas na primeira página do Público e nos medias ditos "de referência" é um dever de lucidez. Não se deve esquecer que o governo do sr. Blair não merece credibilidade; que a sua polícia assassinou a sangue frio um emigrante brasileiro no ano passado; que eles pretendem deliberadamente criar um clima anti-árabe no momento em que cometem barbaridades atrozes contra os povos libanês e palestino; que a Al Qaeda é uma criação da CIA americana e é activada quando muito bem lhes apetece.

Link

terça-feira, agosto 15, 2006

De regresso...


Realmente, o tempo passa muito rápido quando estamos de férias! E considero que, de igual forma, sentimos isso mesmo à medida que nos tornamos cada vez mais, digamos, maduros. Esta é uma constatação que somente agora consigo vivenciar e apreciar na íntegra, mas que, ouvido da boca da minha mãe há anos atrás, era entendida apenas como um queixume de gente mais velha. Hoje entendo bem melhor o significado dessa expressão. Hoje, o tempo realmente passa muito rápido. Antigamente, nos meus tempos de sonhos de criança, o tempo passava devagar. Depois, na minha adolescência, o tempo passava no tempo certo. A vida era simples, os sonhos complexos. Eu achava que sabia tudo e tinha a certeza que tudo ia dar certo.
Hoje sei que vencer é difícil, mas não impossível. Sei também que para vencer é necessário tempo, muito estudo e persistência. Sei que os momentos felizes são raros e por isso devem ser bem aproveitados. Sei também que não vale a pena gastarmos o nosso precioso tempo pensando no que poderíamos mudar para melhorar. Se está ruim é porque ainda não chegou ao fim. É apenas uma fase de transição. Vai passar.
Nunca soube avaliar correctamente o que Einstein quis dizer com E=mc2, mas depreendo que a energia (especialmente a nossa) tem algo a ver com o tempo, cuja velocidade é, também, indirecta e geometricamente proporcional à exiguidade de prazos que temos para concluir os projectos que nos propomos.
Na sábia voz do povo: "O tempo voa e não sobra tempo pra nada!"A este propósito, e depois desta espécie de desabafo, ocorreu-me, depois de ler este post do a.castro, que não entendo como é possível que o tempo estaque em relação a determinadas coisas. Continuam-se a cometer os mesmos erros ano após ano, e nós vamos ficando à mercê da incompetência e incúria daqueles que detém o poder e a responsabilidade para alterar as coisas e fazê-las de forma correcta. Aparentemente "inocente", trata-se de mais uma "desancada" nos senhores que nos (des)governam, e com toda a razão!

sábado, agosto 05, 2006

Curto descanso...


El Descanso - by Balbino Jimenez.

Por motivos particulares, este blog não publicará durante os próximos 8 dias. Sugiro, entretanto, que apreciem este post publicado no Malaposta. Aparentemente o post parece "uma brancadeira", mas na realidade é um texto crítico e bem conseguido que vale a pena ler. Um post que, duma forma irónica e original, aponta o dedo a alguns dos maiores flagelos que os "senhores do mundo" nos impõem. Leiam e meditem!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Nas pontas do dedos


O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.
Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto
José Gomes Ferreira

quinta-feira, agosto 03, 2006

portugal corrupto?



Portugal é um dos Estados-membros da UE mais afectados pela epidemia da corrupção. A corrupção, um crime que não deixa rasto e é de difícil prova, corrói a democracia. A verdade é que faltam estudos e estatísticas que ponham a nu os tentáculos deste braço invisível que, segundo consta, se estende a todo o aparelho de Estado. Os números mais recentes são da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, da Polícia Judiciária (PJ). Um relatório inédito que aclarou um pouco a escuridão em que se encobre o negócio dos favores e subornos, em Portugal.
Entre 2002 e 2005, a PJ iniciou 6976 investigações por crimes económico-financeiros, dos quais 1251 relacionados com casos de corrupção. Sem surpresas verificou-se que na maioria dos dossiês constam autarquias. Forças de segurança, entidades relacionadas com o sector rodoviário e administração central também concentram preocupantes focos de corrupção. Uma das medidas recomendadas pelo Conselho da Europa de combate a este fenómeno - que ainda não é tida em conta - é a obrigatoriedade de um período de luto entre o exercício de cargos públicos e a passagem a cargos no privado, com interesses incompatíveis - como, por exemplo, o antigo funcionário do Estado que vai exercer consultoria em empresas que ele próprio tenha beneficiado.

link

Meu comentário:
Penso que a ignorância é a “fonte de abastecimento” para os corruptos e os tiranos. Um povo ignorante não pode de forma alguma disfrutar de um nível de vida digno, uma vez que não possui a capacidade necessária para escolher o governo que o represente adequada e dignamente. Acredito que um segmento muito significativo da nossa sociedade sofre de um nível de ignorância extremamente alto e, o mais vergonhoso, é que nada se faz para educar essa franja social.
Existe todo o interesse em manter o povo num verdadeiro estado de incultura. Parece-me que existe uma espécie de “compra e venda de vontades”, intrínseca na lógica de una economia de mercado. Enquanto a posse da riqueza em forma de dinheiro actuar como um excedente de poder, honra, status e privilégio, a possibilidade de corrupção é inerente a uma ordem social, cujo grau de êxito está directamente relacionado com a quantidade de milhões de euros, dólares ou libras esterlinas que se consigam alcançar. A riqueza é a medida de todas as coisas. A pobreza, por outro lado, é carência de virtudes. Crescer e acumular. A visão de um mundo onde se nasce para ter dinheiro, altera a natureza da condição humana. A degradação das convicções e dos valores éticos projecta-se na vida quotidiana até que chega a converter-se em “prática corrente”. O sonho de alguns (se calhar não poucos) é que, um dia qualquer, alguém com dinheiro lhes ofereça uma boa quantia por realizar alguma loucura: "ofereço-te X para escavacares o teu carro", "outro tanto para te deixares violar" e "um pouco mais para venderes um rim". Tudo isto dentro de uma base de relações contratuais e acordos com lógica de mercado.
E, bem… é verdade que não é necessário esperar o consentimento do capitalismo, para que este tipo de corrupção de carácter se manifeste.




*Post recuperado.

sexta-feira, julho 28, 2006

Apenas" um jogo de vídeo?



World in Flames

Mercenários 2 – O Mundo em Chamas" é um jogo de video que vai sair para o ano, certamente entre dezenas de milhares de outros que alimentam - ou criam, vá-se lá saber - a necessidade de jogar no computador ou na consola. O que o torna especial é tratar-se de um simulador da invasão da Venezuela por forças mercenárias dos EUA em 2007, para derrotar um «tirano sedento de poder» que se apropria das reservas de petróleo e «transforma o país numa zona de guerra». Inclui cenários reais das ruas e edifícios de Caracas, da companhia petrolífera nacional e imagens de satélite verdadeiras. O Governo venezuelano denunciou o lançamento do jogo como um elemento da «campanha de terror psicológico» dos EUA contra o país. A produtora diz que «é só um jogo de vídeo».A polémica tem sido grande em todo o mundo. Tão grande, que a produtora do jogo se viu obrigada a publicar no seu sítio na internet um esclarecimento: «nunca foi contactada por qualquer agência do Governo dos Estados Unidos acerca do desenvolvimento do jogo.» Mas é preciso que as histórias dos jogos sejam plausíveis, acrescenta. Lá está: para esta gente, é plausível que a Venezuela seja atacada militarmente pelos EUA. Tal como o título deixa claro, este jogo uma sequela. Na primeira edição, os mercenários tinham como missão matar um general do exército da Coreia do Norte (sic), portador do código que daria início a uma guerra nuclear. O objectivo n.º 1 era, claro, garantir a segurança do mundo. A produtora tem tradição neste tipo de jogos. Recebeu 5 milhões de dólares para fazer um jogo de treino para os soldados do Exército dos EUA, em que estes se confrontam com cenários de combate urbano. Uma das missões do jogo chama-se «Dia das Eleições» e os soldados devem garantir a segurança de um acto eleitoral num país onde as pessoas lhes chamam «porcos capitalistas». Porque será?O jogo é produzido por uma das empresas de George Lucas – a Pandemic Bioware Studios, financiada em 300 milhões de dólares por uma outra, a Elevation Partners, que tem como sócio Bono Vox, o caridoso vocalista dos U2. Bono é conhecido nos últimos anos pelas suas encenações de contra-poder, participando em concertos pela abolição da dívida aos países africanos e reunindo depois com os senhores do G8. E assim cai mais uma máscara de falso pacifista e humanizador do capitalismo.Quem disse que não havia ofensiva ideológica?
Nota: A Venezuela não é a única a sofrer com uma guerra em games. No Kuma War, o Irã é invadido pelo exército. Enquanto George W. Bush pensa em invadir o país, o jogo permite brincar com diversas sabotagens nas centrais nucleares iranianas.


terça-feira, julho 25, 2006

A talhe de foice

Tão perto e tão longe...

Israel está a bombardear o Líbano desde o passado dia 12, no que diz ser uma resposta ao sequestro de dois soldados seus pelo Hezbollah. A operação, segundo o chefe de Estado Maior adjunto do exército israelita, general Moshé Kaplinski, deverá prolongar-se pelo menos por mais uma semana.( duas semanas já lá vão e possivelmente muitas mais se seguirão) No encerramento desta edição, (a 20 de Julho) o número de mortos ascendia já a duas centenas e meia, enquanto a destruição de edifícios e infra-estruturas (pontes, estradas, aeroporto, centrais de electricidade e abastecimento de água, entre outras) prosseguia a um ritmo devastador.Longe do cenário de guerra – onde não chega o cheiro a sangue, nem os gritos de dor, nem os estilhaços das bombas, nem o som das derrocadas, nem o aguilhoar do medo sem medida –, lá longe, dizia, a União Europeia condena os ataques do Hezbollah e o rapto dos dois soldados israelitas, exigindo a sua libertação imediata, e pede «contenção» a Israel, cujo direito à autodefesa não contesta.Igualmente longe do cenário de guerra – onde as imagens das crianças mortas, se é que chegam, causam tanta emoção como as das chacinadas alegremente por heróis de jogos de vídeo; onde a dor sem remédio de perder um filho é medida por bitolas que distinguem aliados de adversários; onde os direitos de uns não fazem sequer sentido fora do âmbito dos interesses de outros –, lá longe, dizia, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu sequer produzir um comunicado sobre a situação no Líbano, já que os EUA rejeitam a exigência de um cessar-fogo até que Israel dê por concluída a «operação» que está a levar a cabo.Mais longe ainda do cenário de guerra – e todavia tão próximo dos que usam e abusam do poder de exterminar povos, invadir países e semear a destruição –, lá longe, dizia, na cimeira do G8, Bush e Blair mostraram involuntariamente ao mundo como de facto encaram a carnificina que está a ser cometida no Líbano, ao falarem sem dar conta que os microfones (e as câmaras) da reunião estavam ainda ligados. «O que é preciso é envolver a Síria, de forma a que o Hezbollah pare de fazer merda e pronto», disse Bush, mais preocupado em regressar a casa do que com os mortos no Líbano ou em qualquer outro lugar do planeta.Amanhã, como ontem, a Casa Branca e as centrais de desinformação farão saber que o «eixo do mal» – para o caso Síria e Irão – são os verdadeiros responsáveis pelas vítimas das bombas israelitas e que não há vida que valha os interesses do império.Enquanto isso, Israel vai continuar a sacrificar os seus próprios filhos, distinguindo-os apenas com a duvidosa honra de considerar que o seu sangue derramado vale infinitamente mais do que o sangue dos filhos alheios, pelo que por cada um que tombar há que matar centenas de outros. Esta contabilidade macabra não resgatará nenhum da morte, não aliviará a dor do luto, não encherá o vazio da perda, mas contribuirá sem dúvida, como até aqui, para estimular o ódio e alimentar a intolerância mútua. Longe, muito longe das bombas e das vidas ceifadas, os senhores da guerra e seus acólitos congratulam-se. As armas vendem-se como tremoço, o petróleo sobe, os lucros aumentam, o negócio vai bem e recomenda-se.

Anabela Fino in Avante

sábado, julho 08, 2006

Férias

Este blog
vai de férias e,
durante 15 dias
não haverá desabafos!

sexta-feira, julho 07, 2006

Democracia

Sobre o conceito de democracia...


Nos próprios países capitalistas desenvolvidos há várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado...

trabalho, por exemplo, mas dizer que a sociedade capitalista reconheceu abstractamente e juridicamente, direitos e liberdades, também eles concebidos de uma forma abstracta, isto é, abstraída do modo de funcionamento concreto da sociedade. Esta distinção é importante, se for vista como um “catálogo” de direitos e liberdades, como princípio teórico de fundamentação na crítica que faço à sociedade capitalista e ao modo como a democracia é exercida nas sociedades capitalistas. Qual é o modo de compatibilização entre o direito ao trabalho e o direito a explorar? O direito a um estatuto social e poder social, a um determinado poder político e um determinado poder cultural, com base na exploração do trabalho de outros?
Há ainda outras perguntas que têm a ver com o princípio da igualdade, do direito de voto e da universalidade do direito de voto, nos seus estritos termos formais. Não posso calar esta pergunta: o voto do Belmiro de Azevedo ou do Champalimaud é igual ao voto de um desempregado têxtil do Vale do Ave? Esta Pergunta é demagógica ou capciosa? Ou realmente aponta para qualquer coisa que se passa e que tem a ver com a vida real? Tenho de facto que argumentar que não é igual. Não é concretamente igual, nem na formação da vontade e da escolha, portanto no que precede o voto, nem depois do voto.
E isto tem a ver com o problema de tornar reais e efectivamente exercidos, direitos e liberdades que eu própria defendo. Tenho pois, e em meu entender, de concluir que a questão de tornar esse exercício efectivo e real, pressupõe desde sempre, a realização de condições materiais.
E onde está efectivamente a democracia quando, num acto eleitoral existe uma elevada taxa de abstenção? Como é possível afirmar que os governos eleitos são realmente o reflexo da vontade democrática dos povos, quando é o povo que se abstém de fazer a sua escolha? Acresce ainda o facto de que, quando a democracia é apenas para 20 ou 30 por cento, o poder não pode ser considerado de forma alguma um poder democrático...

Sendo o sistema capitalista hoje, um sistema mundial, isto é, que existe em todos os continentes e que é dominante à escala mundial, é completamente inaceitável a associação entre capitalismo e democracia quando conhecemos o que se passa no Terceiro Mundo, no chamado Quarto Mundo, etc… ou seja, o modo como o capitalismo concilia, apoia, aguenta, sustenta, promove e provoca situações não democráticas, um pouco por todo o lado no mundo.
Nos próprios países capitalistas desenvolvidos o que é que se tem vindo a passar com o estado da democracia? Há vários sintomas e várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado e sofre crescentes restrições. É evidente que nesses países a conexão entre as várias esferas da democracia está profundamente quebrada, distorcida ou não existe mesmo.
Fenómenos como a abstenção nas votações em países como EUA, Alemanha ou Inglaterra, são significativos do alheamento de grandes partes da população na escolha dos seus dirigentes políticos. Por outro lado, o modo como os meios de comunicação social, designadamente a TV, funcionam no mundo capitalista contemporâneo são uma ameaça efectiva ao exercício real das escolhas políticas. E isto é reconhecido por muitos intelectuais não marxistas…
Marx, e designadamente Lenine em “O Estado e a Revolução”, salientam uma distinção entre o reconhecimento formal das liberdades e a democracia real ou material. Mas não se trata de fazer essa distinção (direitos e liberdades formais e direitos ou liberdades reais ou materiais) enquanto coisas distintas. Mas sim um outro tipo de distinção: a crítica ao modo como o reconhecimento formal da democracia, dos direitos e das liberdades não correspondia (e não corresponde todavia) ao exercício real desses direitos e dessas liberdades nas sociedades capitalistas. O problema não está, portanto, em distinguir direitos que são formais, como a liberdade de expressão ou de voto, e direitos que são materiais ou reais, como o direito ao

quinta-feira, julho 06, 2006

Proteger a Floresta

Uma Ideia Luminosa
Que PodeAjudar
A Proteger a Floresta

Com as facturas da electricidade e do telefone, recebes PUBLICIDADE. Não a deites fora!
GUARDA-A, junta-a e reenvia-a aos respectivos serviços. Deixa que sejam eles a deitá-la no lixo!
Recebes correio para empréstimos, cartões de crédito… ou “ negócios “, muitas vezes acompanhados de ENVELOPES DE RESPOSTA PAGA…. Em vez de os deitares no lixo, mete essas inutilidades nos tais envelopezinhos e põe-nos no correio!
Envia: a publicidade do mecânico automóvel… ao teu operador telefónico; os cupões de desconto de pizzas ao… teu banco; as promoções do supermercado a… quem tu quiseres! E sem remetente. Verifica sempre se algum dos teus dados pessoais não figura num destes documentos devolvidos. Podes também… enviar o envelope de resposta paga, VAZIO ! ! !
Que tal?! Se todos fizermos isto… Os bancos, as instituições de crédito e outros, receberão de volta todas as porcarias que nos enviaram. Eles que as apreciem! Pagarão eles próprios as franquias, e 2 vezes: o envio e a devolução!
Uma maneira simples de ter menos resíduos… de preservar o planeta e as nossas florestas! Não custa tentar e até pode ser divertido!


Recebido por mail.

segunda-feira, julho 03, 2006

Petição Um Milhão de Rostos

Existem 639 milhões de armas no mundo - uma arma para cada dez pessoas. Todos os anos morrem em média 500.000 pessoas vítimas de violência armada - uma pessoa por minuto! Assinei esta petição e sei agora que a mesma já foi entregue. Esperemos que não caia em "saco roto"! A confirmação da entrega, na minha caixa de correio

Secretário Geral das Nações Unidas recebe a maior petição visual alguma vez realizada, pedindo um maior controlo no comércio de armas A Petição Um Milhão de Rostos, que contem mais de um milhão de fotografias de pessoas de 160 países foi entregue, no dia 26 de Junho, a Kofi Annan por Julius Arile, um sobrevivente de violência armada do Quénia. Os activistas da campanha "Controlar as Armas" ergueram uma AK-47, construida com próteses, homenageando as vítimas de violência armada que vêm a sua vida afectada para sempre. Foi ainda construido um painel com as fotografias recolhidas em todo o mundo. Julius Arile disse a propósito desta campanha: "Fui a milionésima pessoa a aderir á Petição. Fi-lo porque o meu país, o Quénia, tem sofrido demasiado por causa das armas de pequeno porte. Gostaria que esta conferência chegasse a um acordo sobre os princípios globais para a venda de armas. Temos o dever de dar este passo, por causa das pessoas em todo o mundo que, como eu, sofreram por causa das armas". Ao receber a Petição Kofi Annan afirmou: "Transmitirei este apelo por um tratado sobre o comércio de armas ao Presidente da Conferência de Revisão para que informe todos os Estados Membros. Estará nas suas mãos decidirem o futuro desta iniciativa. Espero que esta petição simbolize a forma como os governos e cidadãos podem trabalhar juntos para alcançar o objectivo fundamental desta conferência – ou seja – salvar vidas." Veja as imagens da entrega e acompanhe o desenvolvimento desta Conferência em www.controlarms.org/events/unreview.htm Mais uma vez, Obrigada por ter participado! Luisa MarquesCoordenadora de Campanhas e EstruturasAmnistia Internacional PortugalTelf: 21 386 16 52Fax: 21 386 17 82e-mail: l.marques@amnistia-internacional.pt----------------------------------------Apoie a implementação de um Tratado Internacional que regule o Comércio de Armas. Seja um num Milhão: www.controlarms.org


domingo, julho 02, 2006

Lei das Finanças Locais

O burro, de novo...
om a pompa do costume, o ministro António Costa anunciou no início desta semana o projecto governamental da nova Lei das Finanças Locais (LFL). No dia seguinte, três jornais ditos de referência titulavam a coisa, sempre ao alto da primeira página:
Autarquias vão poder aliviar contribuintes de 3% do IRS, proclamava o Diário de Notícias (DN);
Municípios vão ter autonomia para baixar IRS até 3 por cento, gritava oPúblico;
Câmaras ganham poder para baixar IRS, troava o Diário Económico (DE), fazendo mesmo questão de repartir o espaço com uma foto do ministro a mexer em papéis com toda a competência.
O País que se fica por uma mirada às primeiras páginas dos escaparates terá concluído que o Governo havia decidido conceder às autarquias a «autonomia» (segundo o Público) ou o «poder» (na exuberância do DN e do DE) para «baixar o IRS», novidade ainda mais extraordinária se o País se lembrar do constante incumprimento governamental da LFL, reduzindo sempre e ainda mais os já parcos recursos financeiros descentralizados para o Poder Local.
Provavelmente, o País nem terá reparado na curiosa coincidência de os três jornais «de referência», com tiragens e coberturas nacionais, todos militando no famoso «pluralismo informativo», haverem titulado a notícia tão da mesma maneira, que praticamente o que as distingue é a distância semântica que separa os vocábulos «autonomia» e «poder».
Seja como for, todos os títulos conduziram os leitores à conclusão de que a revisão da LFL anunciada pelo ministro Costa assenta essencialmente no objectivo de dar poder às autarquias para reduzir o IRS .
Quem se dê ao trabalho de ler o interior, verificará que o próprio ministro garante isso mesmo, dizendo textualmente que a «ideia» da nova LFL «não é o Estado reduzir as transferências, mas sim introduzir maior justiça na distribuição». Sabem como? O mesmo António Costa explica no DN: «Com a anterior Lei os municípios recebiam 30,5% do total cobrado de IRS, IRC e IVA. No novo enquadramento recebem cumulativamente 25% destes três impostos» e «a isto acresce a participação, só sobre o IRS, de 5%» - sendo aqui que reside o famoso «poder» das autarquias em «diminuir o IRS» pois, segundo esta proposta, passarão a ficar com «5% sobre a colecta líquida do IRS» mas onde apenas 2% «serão fixos», dando-se às câmaras a «possibilidade» de «oferecerem aos munícipes» os 3% restantes, embora o Governo não diga onde vão depois os municípios recuperar essa verba «doada»....
Em resumo: o que o ministro Costa veio, realmente, anunciar é que a nova LFL vai cortar as transferências financeiras para as autarquias, passando-as dos actuais 30,5% do total cobrado nos impostos do IRS, IRC e IVA para uns futuros 25%, «compensando» essa perda brutal de 5,5% das receitas de três impostos com uns meros 2% de um único (o IRS), acompanhados pela quase obrigação de as câmaras prescindirem de mais 3% do mesmo IRS «a favor» dos munícipes (e eleitores, pois claro...).
De tudo isto, o que os jornais «de referência» destacaram foi o «novo poder das câmaras para baixar o IRS». Não há dúvida que a multidão de assessores de imprensa, pagos a peso de ouro como foi há dias noticiado e que enxameia o Governo de Sócrates, sempre serve para alguma coisa...
Quanto ao engenho do ministro António Costa em transformar um corte orçamental numa «justiça de distribuição», palavras para quê? Trata-se do mesmo criativo que há uns bons anos, para provar o óbvio nos engarrafamentos da Calçada de Carriche, pôs um burro a competir com um Ferrari.
Glosando um texto da época, parece que o «burro do Costa» atacou de novo...

Henrique Custódio in "Avante"

terça-feira, junho 27, 2006

Goodbye dear Michelle

My Teacher is gone...

Michelle of Mandarin Design passed away this weekend. For those of you who do not know Michelle, she was a generous and gracious person. And like others around the internet, I already feel the loss. I knew Meg only since a few months, but I’m blessed to new such a kind helpful person. Meg was always so kind and generous in sharing her tips on blogging and she made us to feel especial some times, when she eulogies ours trips, because she was a sweet teacher too. Rest in peace, dear Meg.

Our Friend Who's Gone Away We really didn't have her long - Our friend whose gone away. And if things could be different I confess I'd have her stay With us and bless us with her friendship and her smile, She grew so very dear to us in such a little while.
Now we all are lonesome - Each heart has an empty space- That wants to feel her hand again and see her smiling face - And hear her speak so gently, and just be with us each day. We miss her and we're grieving for - Our Friend whose gone away.



More about Meg here anda here.
Funeral notice

segunda-feira, junho 26, 2006

A Revolta das galinhas

..............Nos aviários está o nicho
de reprodução do vírus que aterroriza a Humanidade...

A galinha talvez seja a primeira ave a ter sido domesticada há cerca de 12 mil anos quando o ser humano começou a ficar sedentário. Desde então as galinhas têm um destino sinistro: raramente morrem de morte natural. São mortas para o consumo humano. Da sua perspectiva, a vida é simplesmente uma tragédia! Normalmente, são criadas ao ar livre, deambulando ao redor das casas. As chamadas “galinhas do campo” são preferidas por serem muito mais saudáveis. Mau grado seu, a sociedade da produção industrial transformou-as em máquinas para produzir carne e ovos. Fechadas, aos milhares, em aviários nos quais em cada metro quadrado são criadas de dez a doze, enganadas pela iluminação que lhes tira a percepção da noite, alimentadas por promotores de crescimento e de antibióticos para crescerem até um ponto comercialmente ideal, durante pelo menos quarenta dias, são submetidas a enorme padecimento. Quem visita um desses “currais aviários”, facilmente se indigna e se compadece com o seu “karma”. A espécie humana especializou-se em submeter impiedosamente todas as outras espécies, para tirar proveito delas mesmo que isso implique grande sofrimento. Agora, depois de séculos de violência, as galinhas estão-nos a dar o troco. É a vingança das galinhas... E vem sob a forma de gripe: a gripe aviária, que além de atingir outros seres vivos, atinge também os humanos. É o famoso vírus H5N1. Vírus aviários sempre existiram em formas não letais. Agora este H5N1 revela-se uma cepa patogénica. E se havia dúvidas quanto ao facto de poder sofrer mutações que o tornassem capaz de se transmitir aos seres humanos, parece que as galinhas alcançaram o seu propósito, porque se pode multiplicar loucamente entre a espécie humana e matar entre 150 milhões a um bilião de pessoas, consoante previsões científicas. Não existe um antídoto que o elimine, apenas possui efeito limitante. É o famoso Tamiflu que, segundo dados conhecidos de todos nós, não age profilaticamente, apenas 18 horas após a infecção. O que eu desconhecia, é que já hoje é sabido, que a origem da gripe não provém de galinhas criadas ao ar livre, mas das práticas avícolas industriais e pela utilização de "subprodutos" da criação avícola como ração industrial. E mais: a Fundação BirdLife demonstrou que o padrão de focos da gripe segue as rotas das estradas e das vias férreas e não as rotas dos voos de aves migratórias. A gripe é pois a consequência do manejo cruel que nós, seres humanos temos feito com as galinhas confinadas. Ai está o nicho de reprodução do vírus. É uma doença sistémica.
Traz-nos à nossa consciência um alerta, que tem de passar inevitavelmente por uma outra forma de relação com os seres vivos que não implique crueldade mas racionalidade e compaixão. Já imaginaram se todos os outros animais copiassem a atitude das galinhas e se revoltassem numa acção conjunta contra a Humanidade?

quinta-feira, junho 22, 2006

Justiça Cega

Vivemos rodeados de injustiças. Os mais fortes empurram e atropelam os mais fracos e privam-nos dos seus direitos. O pobre na terra é como o peixe miúdo no mar: acaba comido pelo de maior porte. É como diz um velho ditado árabe: "Uns pescam e os outros comem o peixe". Quanta injustiça emana desta trivial frase! Quando será que encontraremos a fórmula eficaz que permita àqueles que pescam, comer o seu próprio peixe?
A injustiça está em todo o lado. Existe injustiça no mais pequeno lar, nos campos, nas cidades, nas escolas, nos serviços, na igreja e até nos próprios tribunais. Por todas a parte predomina a lei do mais forte, como na selva. A justiça praticada no sistema é como a teia de aranha, em que só as moscas pequenas ficam prisioneiras. É terrível a sina de um povo cujo sistema judicial é imoral e corrompido, julgando com parcialidade. Por todo o lado encontramos, em lugar de justiça, astúcia e vivacidade, e em vez dos juízos imparciais, é posta em evidência uma vontade arbitrária. É lamentável! A Justiça tirou a “venda” imparcial que lhe tapava os olhos e colocou-a na sua própria ferida.
A injustiça nasceu por geração espontânea; a justiça essa, teve que ser criada. A injustiça, camuflada nos vários apelidos sociais, racismo, discriminação, abusos, exploração, é já uma característica da nossa cultura e da nossa sociedade. A justiça anda tão devagar que envelhece pelo caminho e quando chega, ninguém a conhece porque chega convertida em injustiça. A justiça não é outra coisa senão a conveniência do mais forte. Os nossos governantes deleitam-se estabelecendo umas e outras leis, no entanto, o prazer é maior quando as quebram, como as crianças que, brincando junto ao mar, constroem com grande entusiasmo castelos de areia, para logo de seguida os destruírem entre risadas.
Esta falta de justiça levou alguns a inventarem uma duplicidade de normas a seu belo prazer, mais ou menos qualquer coisa como privatizar os ganhos e socializar os prejuízos… como um estratagema: “Eu ganho e tu perdes. O meu dinheiro é meu e o teu é dos dois”. Nesta “lei”, ao rico que rouba chamam homem de negócios; ao pobre… ladrão. Quando um estranho quebra as regras da decência, é mal educado, quando sou “eu” quem viola essas normas, é porque sou muito original. Se o honesto é fiel aos princípios e à moral, é antiquado. Em contrapartida os “meus” vícios provam que sou bem moderna. Quando aquele outro defende com unhas e dentes o seu ponto de vista, é teimoso e obstinado. Quando sou “eu” que o faço, é porque sou de convicções fortes. Quando um outro se perfuma com exagero, empesta. Mas quando sou “eu” é diferente: emano uma essência oriental que tem algo de fragrância subtil e misteriosa. Tal qual como no cartaz pendurado na porta do armazém de sucata da minha terra: “Compram-se velharias e vendem-se antiguidades”. Pois é... e é assim que se vão safando!

segunda-feira, junho 12, 2006

Álvaro Cunhal

Memórias de uma vida...

A sua resistência ao regime de Salazar e de Caetano, sob o qual foi preso, torturado e perseguido, tornou-se mítica pela ousadia, pela constância e pela coragem. A 20 de Julho de 1937, com 23 anos, Álvaro Cunhal é preso pela primeira vez pela polícia política de Salazar. É então acusado de distribuir propaganda na rua. Encarcerado no Aljube, será transferido passados dois meses para Peniche.

O ruído e cadenciado abrir (umas atrás das outras) das fechaduras e ferrolhos das celas. O bater de tairocas dos faxinas circulando com os baldes dos despejos. O baque metálico dos baldes ao serem atirados para o chão de cimento. O fedor espalhando-se nas alas logo misturado e coberto pelo da creolina. Novos apitos, formatura, conto. A distribuição do café e do casqueiro. O deslocar em cortejo para as oficinas. De novo ferrolhos e fechaduras, agora com o novo bater das portas e o isolar dos reclusos nas celas. Depois o amortecer dos ruídos e o alastrar do vazio da imensidão das alas, cortado apenas pelo bater descontrolado das tairocas e tamancos dos faxinas e o barulho de marteladas, de serras e de máquinas vindo das oficinas. Ao meio dia o espalhar do cheiro enjoativo a mofo das couves da sopa e do peixe frito em óleo rançoso impregnado a humidade viscosa do ar, do solo, das paredes, de tudo. A meio do dia para o almoço nova reanimação e repetição de ruídos e movimentos. E de novo o recolher e de novo o relativo silêncio. E de novo o barulhento abrir das celas, nova formatura, desfile para o passeio. Nova formatura, novo recolher, até à tarde a nova repetição de movimentos, deslocações e ruídos, e dos cheiros para o jantar… E os ruídos que pouco a pouco se apagam. E o silêncio da noite que avança… Precisamente nesse dia lá fora na rua passou pelo passeio fronteiro uma mulher levando o filho pela mão. Era a primeira vez que ali passavam. O moço olhou curioso o majestoso edifício, os torreões de pedra branca, o elegante recorte das ameias. _ Mãe, o que é? _ Não sei, filho - respondeu a mulher – Deve ser o palácio de algum ricaço. _ Mãe, porque é que as janelas têm grades? _ Não sei, filho – responde a mulher – Talvez porque lá dentro há muita riqueza e têm medo que os ladrões assaltem o palácio para roubar. _Ah! – admirou-se o moço. Ia ainda perguntar alguma coisa mais, mas um eléctrico de passagem provocou tal ruído que o moço se conteve e já não fez a pergunta. Foi talvez melhor assim. Porque talvez a mãe não soubesse responder-lhe.

Invernia - Nesse dia, como em muitos outros dias, como por vezes semanas a fio, não houve passeio. A chuva fustigava as imensas fachadas desbotadas das seis alas dispostas em estrela. Debaixo de chuva envolto numa nuvem cinzenta, o imenso edifício parecia uma coisa morta. Parecia. Pois lá dentro arrastavam-se centenas de vidas. Lá dentro repetiam-se as obrigatórias operações do ritual de todos os dias. Apitos, barulho, ruídos, movimentos, cheiros, formas, contos. Uma diferença. Tirando os cerca de cem que trabalhavam nas oficinas e nos afazeres internos da cadeia, os outros quatrocentos ficavam todo o tempo fechados nas celas. Fechados. Sós.
As reacções eram naturalmente diversas. Alguns tinham como passatempos autorizados fazer nó a nó cintos ou bolsas de cordel. Outros passavam os dias em interminável passeio de um lado para o outro tal como bichos enjaulados. Outros recordavam os feitos que os trouxeram para ali. Outros faziam projectos para o futuro nem que esse futuro ficasse para lá de dez, quinze ou vinte anos de prisão que lhes faltava cumprir. Outros deixavam-se embalar pelas imaginações eróticas. Outros ditavam-se e dormiam ou faziam por dormir. Outros como que hibernavam, incapazes de pensar fosse o que fosse. E outros ainda, perdida a noção do tempo que parecia interminável, estavam atentos a todos os ruídos, sempre à espera do momento em que, para receberem o rancho ou para o conto, lhes abrissem a porta quebrando o isolamento e a solidão. Então espreitavam cá para fora, para a imensidão da ala tão solene como uma nave de catedral e sentiam assim um ilusório bafo de espaço, amplitude, atmosfera e liberdade.

Um dia mais, um dia menos - Nesse dia, como todos os dias, semana após semana, mês após mês, ano após ano, a vida decorreu no ritual de sempre. O silêncio da noite cortado pelos apitos da alvorada e o súbito expandir do barulho da movimentação da cadeia

quarta-feira, junho 07, 2006

Um conto


Um belo dia de Julho

Mimosa com curiosidade.
Nano e Negri não sabiam que responder. Dizer a verdade podia significar um desgosto, mas ao mesmo tempo, ela tinha que saber que não era igual, que a menina com quem brincava desde que nasceu, Alicia, de seu nome, carinhosa com todos, inclusivé com os animais, e que tinha protegido a Mimosa desde pequena, dando-lhe de comer e brincando com ela entre as oliveiras e azinheiras da quinta. Sempre viu na sua protegida algo especial que não via nos outros, era como se, no fundo, fosse igual a ela.
Nano decidiu contar a verdade à filha. “Olha Mimosa, nós somos a subsistência dos amos da quinta, eles cuidam de nós, alimentam-nos e deixam-nos viver felizes, mas em troca devemos oferecer-lhes alimentos, e aí reside o nosso problema: é que nós somos o seu alimento”.
”Como é que somos o seu alimento? Que queres dizer?” Preguntou Mimosa, mal-humorada.
”Todos temos o nosso destino nesta vida, e é impossível alterá-lo”, disse Negri.
”Eu posso alterá-lo,” respondeu a filha, já li contos nos quais aparecia um príncipe e com um beijo solucionava tudo!”
Passou o Inverno, com as suas neves brancas, e voltaram a brotar as flores…
Julho regressou, e com ele voltaram a nascer novos cordeirinhos, e talvez Mimosa tenha alterado o seu destino…

Num belo dia de Julho, em que as flores brotam com os seus delicados perfumes, nascia Mimosa, preciosa e graciosa como sua mãe, e forte e robusta como seu pai.
Era um ser encantador e simpático, gostava de brincar com todos os animais e saltitar no pasto debaixo das azinheiras, apanhando pauzinhos e bolotas.
Um dia, os seus pais falaram com ela sobre questões da vida, dando-lhe a entender que tinha tido sorte em ter nascido fêmea. “Sorte de nascer fêmea?” perguntou curiosa Mimosa, “Porquê?”
Vocês, respondeu o pai, têm a sorte de trazer ao mundo novos rebentos, e criá-los durante toda a sua infância até ocorrer um novo nascimento em que voltarão a criar outros recém nascidos, por isso vos espera uma vida tranquila e proveitosa.
”Toda a vida fazendo o mesmo?”, pensou Mimosa, não podes ser, eu quero ver mundo, visitar outras regiões, conhecer outros países e gentes de outras culturas e depois, ter uma família e trabalhar em algo que me satisfaça.
A sua mãe, Negrin não acreditava no que estava a ouvir... “mas Mimosa, meu
amor, isso não pode ser, nós não podemos viajar, nem estudar e não nos deixam trabalhar para não lastimar o nosso corpo que, afinal de contas é o que lhes importa!”
”Mas, a quem lhe importa?” perguntou.

domingo, junho 04, 2006

Opinião

O sucesso e o insucesso...

Está-se tornando um "slogan" ou mais do que isso, uma ideologia - a ideologia do sucesso!
Este sucessotem a ver, principalmente, com a competição, com a vitória sobre os outros, com a aproximação aos que mandam - ao poder -, aos que têm.
Não é a competência nem a isenção, nem o rigor que contam. Muito menos a solidariedade. De modo que só uns poucos podem ter sucesso e muitos não podem ter nenhum.
A pobreza atinge em Portugal uma grande parte do nosso povo. Estima-se que, mais de um milhão e quinhentas mil famílias se situam nessa área. Os mais recentes dados do Eurostat confirmam que, no conjunto dos 25 países da União Europeia, o nosso país ocupa o 22º lugar quanto à taxa de pobreza, tendo como referência o ano de 2003. Isto corresponde a mais de metade da população portuguesa. Estes são os pobres. Depois destes ainda há milhões de pessoas que podem ser remediadas. De modo que os do sucesso são em número muito reduzido.
Numa obra publicada há alguns anos pela UNICEF, intitulada "Pobreza Infantil em Portugal" a Drº Manuela Silva dizia, naturalmente que "as relações entre as condições económicas e o bem estar da criança não merecem a suficiente atenção dos economistas e dos políticos". Na realidade, a pobreza e os factores de empobrecimento têm íntima e directamente a ver com as políticas económica e social adoptadas pelos governos. Tudo isto é certo. E isto significa que o sucesso de alguns não é só o resultado da política levada a cabo pelo governo, ele assenta na pobreza da grande massa dos portugueses, na sua exploração, na sua marginalização, no seu completo insucesso.

quinta-feira, junho 01, 2006

Opinião


...o governo e o PS prosseguem para a Administração Pública a sua política prepotente, arrogante e anti- democrárica, denegando a responsabilidade do Estado...

O governo, o PS e os partidos de direita, prosseguem para a Administraçao Pública a sua política prepotente, arrogante e antidemocrática, denegando a responsabilidade do Estado. Se é certo podermos afirmar que uma política referente à Administração Pública conterá em si o reflexo da concepção que se tiver da política global e das suas directrizes, não menos certo será o podermos deduzir daquilo que se pretende impor à Administração Pública, quais são os objectivos finais de uma política global. Isto tem cabimento para as forças políticas, individualmente consideradas, e tê-lo-á, por maioria de razão, para um governo, pois é ele quem as aplica ou pretende aplicar.
Assim, o insistente e continuado ataque que o governo PS/Sócrates tem vindo a desenvolver contra os trabalhadores da Administração Pública, (A.P.) alvos directos de tão repudiável e repudiada ofensiva, visa mais além, visa “reestruturar” a A.P. na via antidemocrática, centralizadora e privatizadora que caracteriza a sua política geral, contrária aos interesses e direitos dos cidadãos, desrespeitadora e subversedora das normas e imposições constitucionais. Pretende o governo legitimar a sua política neste domínio, tentando fazer crer que o peso obsoleto da A.P. se deve ao número exagerado, excedentário de trabalhadores no sector. Mas o governo esconde aos portugueses que esses trabalhadores apenas representam, ”num conjunto de 19 países, o terceiro nível mais baixo de emprego público no total do emprego, com 17,9%, apenas acima da Espanha (17,2%) e do Luxemburgo, com uma percentagem de 16%. A Suécia bate o recorde com 33% e mesmo a Irlanda apresenta valores acima dos 20%. Já o peso das despesas com pessoal em percentagem do PIB é de 14,7%, a maior da zona Euro, onde a média anda pelos 10,3%." O governo escamoteia que o alegado peso da A.P. resulta, de modo determinante, da não satisfação, por parte do Estado, das necessidades mínimas a que este está obrigado perante os cidadão; desta realidade os portugueses vêm sentindo as consequências, dia a dia mais graves, no plano da Saúde, do Ensino, da Segurança Social. Remetendo-se, cada vez mais amplamente, à privatização de serviços ou sectores da A.P., o governo pretende isentar o Estado das suas responsabilidades sociais, e para isso procura a aceitação pública através da degradação dos serviços e do fomento de uma sua imagem negativa. Impondo aos trabalhadores da A.P. aumentos salariais irrisórios, a criação de condições favoráveis à política privatizadora. Procura, afanosamente já sem rebuço, implantar uma A.P. que lhe sirva de alavanca para o prosseguimento da sua política de restauro do capitalismo monopolista.
Em contrapartida, as posições dos partidos de esquerda, nomeadamente do PCP, são ignoradas deliberadamente, porque defendem uma A.P. que assegure o cumprimento legal das atribuições do Estado, no plano social, educacional e cultural, com total respeito pelos direitos dos trabalhadores. Entende que “a A.P. deverá ser orientada para o desenvolvimento, descentralizadora, desconcentrada, moderna, eficiente, aberta, próxima das populações e servindo os seus interesses, actuando com honestidade, isenção, justiça e imparcialidade, respeitando e fazendo respeitar a legalidade democrática… deverá garantir o respeito pelos direitos, motivação e estímulo à participação dos trabalhadores da função pública, utilizando critérios de mérito e competência no acesso a cargos da Administração, nas promoções e nomeações para cargos de chefia e a todos os níveis, rejeitando o compadrio e a partidarização.” Por isso, a luta contra a política de perseguição do governo aos trabalhadores da A.P. tem de prosseguir e engrossar a movimentação social, com todos os sectores da Administração, desde o médico, o professor, o arquitecto ou engenheiro, até ao administrativo, pedreiro ou auxiliar de limpeza. Aos trabalhadores da A.P. deve ser devolvida a dignidade que este governo antidemocrático lhes retirou!


Magnolia