quinta-feira, dezembro 28, 2006

Haverá esse lugar?

En Algun Lugar Del Mundo

Debe haber algún lugar del mundo
donde puedan vivir juntos,
un hombre y un animal
donde las aves vuelvan a casa
sin temor a encontrar jaulas
que no las dejen volar
debe haber algún lugar del mundo,
donde un sueño sea realidad
donde el sol pueda salir seguro
sin temor a encontrar muros
que no lo dejen brillar?

Debe haber algún lugar del mundo
donde puedan los injustos olvidar a Satanás
donde se pueda sembrar la tierra
repartiendo la cosecha,
entre los que quieren amar
debe haber algún lugar del mundo
donde al fin se pueda respirar
donde la manzana crezca buena
y no pague ya esa pena
del pecado original

Debe haber algún lugar del mundo
donde los viejos encuentren
un poquito de amistad
donde vuelen juntos por el cielo
una paloma con un cuervo
sobre la tierra y el mar
Debe haber algún lugar del mundo
donde todo sea libertad
donde pueda abrazar a ese amigo
que se quedó dormido,
una mañana tiempo atrás?


Fernando Ubiergo

terça-feira, dezembro 26, 2006

O outro lado do natal...

Agarra, que é ladrão!...

O Pai Natal tem o rosto do capitalismo.
Como todos os anos, milhões de crianças e adultos de todo o mundo, receberam com ilusão os maravilhosos presentes do dia de natal, concedidos pelo amável e bonacheirão Pai Natal. Mas quem é esta personagem? Quem se esconde por debaixo daquele fato vermelho, barba branca e barriga de cerveja?
Durante o ano, nas suas diversas viagens, o Pai Natal encarrega-se de recolher tudo o que necessita para preparar as suas ofertas. No Iraque, por exemplo, extrai parte do petróleo que lhe serve para viajar, e distribuir por todo o mundo os seus presentes. A guerra não é um tema próprio no espírito natalício, pelo que lhe passam ao lado, essas gentes e os conflitos que ali se vivem. Em África, pilha muitos dos minerais que formarão parte das jóias e dos modernos componentes electrónicos. A fome que observa à sua volta, também tem pouco a ver com os generosos banquetes natalícios e o nosso homem abandona essas paragens, porque a sua barriga não se compadece com tanto estômago faminto. Ao passar por alguns dos países asiáticos, o Pai Natal consegue arranjar muito calçado e roupa para distribuir, mas não deixa nenhuma por lá, pois nenhuma criança que trabalha naquelas fábricas lhe soube escrever uma simples carta. Entretanto, aproveita para visitar os frondosos bosques da Indonésia e da Amazónia e, depois de correr com alguns indígenas que o olhavam como se nunca o tivessem visto na televisão, arrasa com as árvores que produzirão o papel para embrulhar tantos e tantos presentes, cujo embrulho é a peça chave para criar uma bonita áurea de mistério que os caracteriza: Que será? De onde virá? A quem terão explorado para fabricá-lo?
Foi desta maneira que chegou, na noite de natal, com um saco repleto de presentes, mas longe de ser a figura que costumamos ver em tantos filmes e imagens publicitárias. O Pai Natal não é mais do que um ladrão, e dos maiores que a história conhece. Um Robin dos Bosques transformado que, sem se esconder, rouba aos pobres para dar aos ricos. A crua realidade é que, para algumas crianças e adultos receberem os seus presentes de natal, o Pai Natal teve que despojar muitas outras famílias que, por suposto, não receberam a sua visita nesta data. Todos os anos, os pedidos aumentam, sem se pensar que o preço desses produtos está a ser pago por outras famílias que lutam por salvar as suas vidas da guerra, da fome e do frio. O Pai Natal converte-se todos os anos em mais um dos culpados que fazem com que o número de pobres aumente anualmente. E assim continuará sendo, até que nos demos conta que precisamos bloquear a entrada das nossas chaminés, obrigando o gordo ladrão a ir de férias e a desaparecer por um tempo, junto com o resto dos produtos supérfluos e inúteis, vendidos na televisão.

Meu presente para o Pai Natal:

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Aos amigos



A todos os amigos


Que visitam este blog


O desejo sincero de um


Feliz Natal!

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Uma macumba letal: democracia e terror!



Caças americanos

O título pode confundir-nos, mas democracia e terror são conceitos opostos, precisos, impossíveis de interligar. No entanto, o Império do Mal, melhor dizendo, os poderes da ultra direita mundial, guiados pelos Estados Unidos, achou a forma macabra de ligá-los e confundi-los. Assim, países ou governos que "desafinem" com a cartilha imperial são menosprezados. Vários exemplos: o executivo venezuelano, apesar de ter passado por vários processos de aprovação popular, é criticado e apelidado de antidemocrático e comparado a terrorismo político. O Hamas, outra pedra no sapato "yanqui", é acusado de terrorista, ao mesmo tempo que o povo palestiniano é massacrado pelo terrorismo do Estado de Israel. Cuba, Coreia Democrática, Irão, países de sistemas diferentes mas com o nacionalismo como traço comum, são postos num "mundo aparte do mundo", não pela ONU, mas pela Casa Branca (escura como breu), que não faz jus ao seu nome.
Em nome da democracia e da liberdade, os EU realizaram 73 invasões a países da América Latina, de 1824 a 1994. Cuba, Porto Rico, México, Nicarágua, Panamá, Haiti, Colômbia, Honduras, República Dominicana, El Salvador, Guatemala e Granada, ficam na memória.
Escudado pela ficção manipulada do mundo livre, um avião "yanqui" lançou uma bomba sobre Hiroshima, que deixou 250 mil vítimas. Em nome da liberdade e da democracia foram bombardeados o Vietname, a Jugoslávia, o Iraque, com centenas de milhares de mortos.
Tão pouco escaparam o Irão, Líbia, Angola, Somália, Congo, Nicarágua, Cambodja, Sudão… a lista é bastante larga. Em contrapartida, não houve bombardeios nem pactos do mundo livre contra a África do Sul do Apartheid, o Chile de Pinochet, o Paraguai de Stroessner, a Argentina da Junta Militar, como também não há contra Israel de Ehud Olmert.
Durante séculos, dezenas de povos sofreram o terrorismo de estado "yanqui" ou de governos apoiados pela maquinaria bélica, política e propagandística de Washington. Nenhum governante norte-americano foi julgado ou levado ao Tribunal de Haya.
Cabe agora a vez ao Iraque: finalmente questionam-se na ONU e Inglaterra, o milhão e meio de mortos iraquianos consequência das inexoráveis condições impostas a Bagdad, e dos bombardeios anglo-americanos, ilegais, contra essa nação. Mas como sempre, não passará disso mesmo: de meras questões sem consequências e sem culpados.
Quem deterá os Estados Unidos? Haverá lucidez suficiente no planeta para impedir as guerras desnecessárias, evitar o caos e salvar a Mundo?

Obs.: Espero que relevem o facto de faltar algum país no rol da lista de invasões dos "yanquis". Posso ter falhado alguns pelo caminho.

sábado, dezembro 16, 2006

Enfrentar a corrupção...

A corrupção diminui a riqueza e o desenvolvimento económico de um país
A corrupção – vómito infernal – não é um problema ético, um problema moral, mas sim um negócio, um grande negócio, talvez o melhor negócio para enriquecer. As principais causas da corrupção não são culturais ou biológicas, mas sim políticas. Que importa o país, que importa o povo, que importa a grande maioria, se a ganância está assegurada e se, na eventualidade de algo correr mal, existe o exílio, a fuga, e jamais a prisão? O exílio é para o rico e poderoso, a prisão é para o pobre e marginalizado social.

O povo não é corrupto, os corruptos são aqueles que satisfazem as "máfias do poder": os grandes negociadores que realizam as grandes negociatas, os grandes grupos e as multinacionais, mestres na arte do suborno e em corromper e deixar-se corromper. A maioria do nosso povo é honesto, bom e idóneo.

Combater a corrupção e a impunidade, essa grande aliada, tem que ser uma tarefa de todos e deve contar com o apoio das instituições públicas, privadas, meios de comunicação, e do próprio Estado, porque o "monstro" tem uma infinidade de máscaras e formas.

São os pobres quem mais sofre com a corrupção e os com os "estragos económicos" derivados, já que nunca estão em condições de subornar ninguém. A corrupção torna-se por isso uma forma de opressão.

É um fenómeno que se encontra enraizado em todas as esferas do poder e, a falta de leis apropriadas, a fala de vontade das pessoas, os compromissos políticos daqueles que manejam os destinos do país, parece que se confinaram para manter o mesmo sistema decadente e, os esforços que se fazem, tornam-se infrutuosos.

Para controlar a corrupção é necessário uma acção mais radical, eficaz e real.

A decisão do PGR em nomear Maria José Morgado para liderar o processo do "apito dourado", abre de novo um caminho no combate à corrupção, que espero sinceramente não venha a ser obstruído, como ocorreu há 4 anos atrás, quando se começarem a destapar os véus daqueles que ela denominou em tempos de "inimigos sem rosto".

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Fichados para a vida

........Big Brother é o olho dos EUA no regime totalitário previsto na ficção do livro "1984" de Orwell........

Segundo a agência noticiosa AFP, que cita fontes do Departamento Americano de Segurança Nacional (US Department of Homeland Security), entrou esta segunda-feira em funcionamento nos EUA um verdadeiro sistema planetário de Big Brother. Não em uma qualquer cadeia televisiva, com prémios e final feliz, mas na vida real e de consequências imprevisíveis: toda a pessoa que entre ou saia dos Estados Unidos é considerada uma potencial ameaça terrorista, pelo que os seus dados são recolhidos e guardados numa base de dados por um período de 40 anos. Como é timbre da democracia norte-americana, os interessados não só não são informados como nem sequer têm possibilidade de aceder algum dia à informação recolhida.
Em nome da segurança, que já permite à administração Bush mandar violar a correspondência, revistar habitações ou elaborar listas dos livros requisitados em bibliotecas – só para citar alguns exemplos – sem que os visados tenham conhecimento disso, o país da liberdade e dos direitos humanos arroga-se o direito de fichar para a vida todo e qualquer cidadão que atravesse as suas fronteiras, fazendo tábua rasa de direitos cívicos elementares, de todas as convenções, do direito internacional.
O novo Big Brother, de acordo com Jarrod Agen, porta-voz da Homeland Security citado pela AFP, está a cargo de um sistema computorizado designado Automated Targeting System, que para além dos elementos de identificação de cada indivíduo registará toda uma panóplia de dados recolhidos por diversas fontes, como o serviço de registo de passageiros, o Tesouro americano ou o Departamento do Comércio, bem como números de cartões crédito e até o que cada passageiro comeu durante os voos, o jornal que leu ou o perfume que comprou.
Os registos, segundo a mesma fonte, serão partilhados «de forma rotineira» com «autoridades federais, estatais, locais, tribais ou governos estrangeiros» sempre que seja considerado necessário e conveniente.
Múltiplas são igualmente as pessoas que numa base «rotineira» podem aceder à informação: magistrados ou tribunais administrativos; terceiros que participem numa investigação; agentes, organizações ou indivíduos que levem a cabo operações; um departamento do Congresso; e empregadores, especialistas, consultores, estudantes e outros. Numa palavra, a quem a vida de cada um possa interessar, excepto ao próprio interessado.
Orwell não teve imaginação para tanto. O drama é que a sociedade concentracionária para que alertou o mundo está a ser construída… nos EUA.

Anabela Fino in Avante
Os links e sublinhados são minha responsabilidade

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Olhando à nossa volta

**************************


Alguma vez se deram conta que os estímulos à auto indulgência são sempre seguidos de sugestões? As arreigadas em doutrinas procuram vestígios para reclamar dentro de nós, os vendedores procuram subterfúgios para enganar-nos… desde os profetas da new-age até aos publicitários, desde os desonestos aos radicais, todos nos incentivam a perseguir "os nossos ideais". Mas a questão é: quais ideais? Os reais? E quem decide quais são?
O que está perfeitamente claro é que existe uma guerra pelo nosso alento, em todas as frentes. Estes desejos são, na realidade, construídos: mudam, são dependentes de factores externos, da cultura, do contexto histórico da nossa sociedade. "Apreciamos" a comida rápida porque temos que regressar ao trabalho rapidamente, porque a família nuclear (para os poucos que ainda podem dizer que a possuem) é demasiado pequena e está demasiado ocupada para se permitir a alegria de cozinhar e comer em conjunto. "Temos" que ver o e-mail porque a dissolução da comunidade nos levou familiares e amigos para longe, porque os nossos chefes preferem não falar directamente connosco, porque a tecnologia da "poupança de tempo" apropriou-se do tempo, usado antes para escrever cartas (e pelo caminho matou todos os pombos correio). "Queremos" trabalhar, porque esta sociedade não se preocupa em absoluto com aqueles que não o façam, porque é difícil imaginar formas mais aprazíveis de preencher o nosso tempo, quando tudo o que nos rodeia, está projectado para o comércio e o consumo. Cada um dos nossos desejos, cada conceito que formamos, está enquadrado na "linguagem" da sociedade que nos criou.
Quem nunca desejou ser de forma diferente, num mundo diferente?
Se os nossos desejos são construídos, ou melhor dizendo, somos o produto daquilo que nos rodeia, então podemos dizer que a nossa liberdade se mede pelo maior ou menor controlo que possamos ter sobre o que está ao nosso redor. É estupidez dizer a uma mulher que é livre de sentir o que quiser acerca do seu próprio corpo, quando cresce rodeada de anúncios de dietas e "posters" de modelos anorécticas. Como é estúpido dizer-se a um homem que é livre, quando tudo o que precisa para conseguir comida já está previamente estabelecido pela sociedade, e que a sua única alternativa é escolher entre as várias opções estabelecidas.
Precisamos de aprender a fabricar a nossa própria Liberdade, criando brechas na "fábrica" da nossa existência, forjando novas realidades. Precisamos de assegurar-nos que tomamos as nossas próprias decisões, sem o peso da inércia pelo hábito, costume, lei ou obsessão. Está nas nossas mãos criar estas situações. Estes momentos não são tão raros como possam parecer. A mudança é constante e em toda a parte, e cada um de nós tem nela um papel importante, de forma consciente ou não. Podemos dar-nos ao luxo de ser “radicais” (não será antes peremptórios?)... porque ser-se radical, é simplesmente manter-se atento na nossa sociedade.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

terça-feira, dezembro 05, 2006

Contrato (anti)social

Aideia foi apresentada

pelo primeiro-ministro britânico, Blair, e apresentada esta segunda-feira pelo Diário Económico com o objectivo, segundo o director do periódico, de «deixar Portugal a pensar».
Trata-se, nem mais nem menos, de implementar um pretenso «contrato social» que estabeleça uma «relação completamente nova entre o Estado e os cidadãos», de forma a definir o mais exaustivamente possível as responsabilidades do cidadão para além de «pagar impostos e cumprir a lei». Contrato (anti) social
Do cumprimento da sua parte do «contrato» dependerá o acesso de cada indivíduo aos serviços básicos de qualidade, como a assistência médica, a educação e a protecção policial.
Blair ilustra esta ideia peregrina com um exemplo: um hospital público poderá exigir, antes de colocar uma banda gástrica a um doente sofrendo de obesidade, que o paciente se comprometa por escrito a não voltar a ganhar peso, sob pena de perder no futuro o direito a cuidados de saúde.
A menos que se trate de uma brincadeira de mau gosto de Blair, o que não é crível, o referido «contrato social» – que o DE considera como sendo «uma evolução, muito interessante, da lógica inicial do ‘welfare to work’ (assistência social)» – representa mais um brutal atentado a elementares princípios de uma sociedade civilizada.
A ser implementado, este «contrato social» consagraria não só o primado do governo policial como liquidaria o próprio conceito de Estado enquanto entidade colectiva e solidária. Na prática, trata-se de defender a criação de um corpo de vigilantes, dotado de plenos poderes, que para além de fazer as leis e cobrar os impostos decide o que cada cidadão tem de fazer para usufruir do «direito» de pertencer à comunidade.
O que está em causa não é a exequibilidade de um tal «contrato», como referem alguns comentadores ao DE, mas o facto de ter sido enunciado na Grã-Bretanha e de haver entre nós quem considere a ideia digna de reflexão.
Com semelhante «contrato», o Estado deixaria de ser o resultado da organização da sociedade como um todo para se assumir como um corpo estranho, uma entidade prepotente formada pelas elites dominantes cuja função seria – numa escala infinitamente superior à que já existe – a de dominar e explorar a população, reduzida à condição de mão-de-obra acéfala. A diferença em relação a uma sociedade esclavagista seria um mero acaso.
Certamente não por acaso, o mesmo DE lançou anteontem novo tema de «reflexão»: a flexisegurança, que é como quem diz o novo embrulho do governo PS para a liberalização do desemprego. E ainda há quem não acredite em coincidências!


Anabela Fino in Avante

terça-feira, novembro 28, 2006

A outra missa do galo...

Ao ler este post do Leandro constatei que o problema do consumo é um vírus mundial que afecta cada vez mais a todos nós. Mas, ao contrário de outros vírus, a cura está nas nossa mãos. Um tema que merece um alerta.


À

medida que se aproxima a quadra natalícia, o comércio e os meios de comunicação lançam sobre os cidadãos, a malfadada ofensiva que consiste em repetir, até à exaustão, mensagens de paz, de amor e, sobretudo, de consumo. À obrigatoriedade de sermos felizes, bondosos, solidários, entranhadamente familiares, alegres e divertidos, junta-se
a mais sagrada de todas as obrigações: a de comprar.Consumir até não restar uma fatia sequer...
A celebração do natal e o “ir às compras”, transformaram-se, nesta sociedade de consumo, em actividades complementares, se não mesmo sinónimas.
A publicidade encarrega-se de nos fazer crer que existe uma necessidade de participarmos nestas festividades, e converte-nos a nós próprios, nos protagonistas dos acontecimentos. Transmite-nos a ideia de que, se não participamos, somos “não solidários” inumanos, egoístas, pobres de espírito, em suma, desmancha-prazeres. E qual é então a melhor (se não a única) forma de participar? Muito fácil: consumindo, comprando…
A lista de compras imprescindíveis, torna-se cada ano mais exaustiva: alimentos para comidas e ceias especiais, bebidas, participações em jogos de fortuna e de azar, adornos para o lar, roupa e adereços para brilharmos elegantemente nos dias assinalados, presentes para todos e para quase todos os dias, brinquedos, bilhetes para festas, concertos e outros saraus…
O número de “necessidades” multiplica-se, e parecem concentrar-se milagrosamente em apenas duas semanas de Dezembro.
Ao mesmo tempo que se estende a lista de compras obrigatórias, assistimos a uma curiosa antecipação da quadra natalícia. Antigamente, a febre consumista arrancava bem mais tarde, nos meados do mês de Dezembro. Agora, o frenesim das compras começa logo em finais de Novembro, ou mesmo antes. Os cartões de crédito animam-nos a adiantar-nos na data da “euforia gastadora”, por razões óbvias. E como se não bastasse os bancos brindam-nos “bondosamente” em época de solidariedade com empréstimos a juros “baixíssimos”, para nos ajudarem a ficar bem com a nossa consciência benemérita, ao mesmo tempo que contribuímos para a sua prenda no sapatinho.
Se somos inteligentes, sabemos isto tudo… porque continuamos sempre a ser levados? Falta de coragem em sermos diferentes?

sábado, novembro 25, 2006

Um Mundo... mundos diferentes

---------- O Desejo ----------
D

esde que nos disseram que estávamos de “tanga” que os portugueses se colocaram uns contra os outros, enquanto sectores sociais – público ou privado – e, dentro do primeiro, encontramos, inclusive, diferentes grupos profissionais. Um aspecto que tem sido utilizado frequentemente quer pelo governo, quer pela direita, quer ainda pelos media para denegrir a imagem dos trabalhadores da Administração Pública, e virar os trabalhadores privados contra os funcionários públicos, é a questão das remunerações e da “regalias” na segurança social, diferentes do sector privado. Abismo entre público e privadoHá dias, na sala de espera da dentista, ouvi os maiores disparates que se possam imaginar numa conversa de mulheres (mera casualidade) que, sem o mínimo conhecimento de causa ou de adequada justificação, atacavam os trabalhadores da função pública, considerando-os o “cancro” da crise que vivemos actualmente, fazendo jus aos verdadeiros objectivos do governo: interiorizar nos portugueses a ideia de que a Administração Pública (inevitável bode expiatório) é a génese da culpabilidade de todas as medidas que têm sido implementadas e que não agradam a ninguém. Enquanto ouvia a referida conversa, ocorreu-me à ideia uma história antiga que ilustra bem o estado de espírito de alguns.
A história, acontecia em África, num tempo não determinável de um local muito pobre. Um homem revela-se desesperado. Fora agricultor e tinha perdido tudo, numa terra seca por muitos anos sem chuva. Estava só, pois a sua mulher e filhos tinham partido. E vivia numa cabana quase a cair, nada tendo sequer para comer. Certa manhã, o homem saiu da cabana e sentou-se no chão, encostando-se ao tronco de uma árvore. Quase de imediato, surgiu do nada um duende, mesmo ali à sua frente. O espanto do homem foi enorme e mais ainda quando essa figura mágica lhe disse: “Concedo-te um desejo. O que desejares será concretizado. Seja o que for, apenas um desejo. Mas com uma condição: aquilo que desejares, ser-te-á concedido a ti e em dobro ao teu vizinho do lado. Volto amanhã, exactamente por esta hora, para saber da tua decisão e o desejo será imediatamente concedido”. E o duende desapareceu. Depois do espanto, o homem sentiu medo. Duvidava do que lhe tinha sido proposto, porque duvidava de si mesmo. Pensava que o desespero lhe tivesse toldado o espírito e a razão. Mas nada tendo, nem nada para perder, rapidamente abandonou o medo e começou a entusiasmar-se. As coisas pequenas que começou por desejar foram tomando volume. Uma bela seara, pensou. Que lhe desse grande rendimento. Teria trabalho e alimento. E teria então condições para reorganizar a sua vida. Mas enquanto imaginava semelhante seara, lembrou-se do vizinho… com quem estava muito zangado e há muito tempo. O vizinho teria una seara duas vezes maior! E sem qualquer esforço. Nem pensar, concluiu.
Mas não querendo perder a oportunidade, o homem pensou: iria para a cidade e deixaria de viver naquele lugarejo. Desejaria um grande comércio, instalado numa bela loja. Venderia de tudo um pouco e ficaria finalmente rico. Só que, nesse caso, o vizinho teria uma loja duas vezes melhor e venderia duas vezes mais coisas. Não o podia permitir! O vizinho seria duas vezes mais rico! Nem pensar, concluiu novamente. Desejou então uma companheira. Bonita, muito bonita. E o vizinho… teria duas mulheres tão bonitas como a sua ou então uma mulher duas vezes mais bonita que a sua. E mais uma vez concluiu: nem pensar!!
O dia e a noite correram sem que o homem conseguisse dormir. Foi formulando desejos de que imediatamente desistia porque nem queria sequer imaginar que o seu vizinho iria ter o dobro do que lhe seria concedido a si. Que injustiça! O duende era seu e a sorte era sua. E o vizinho ia aproveitar-se de tudo isso. Não, não o permitiria nunca.
A manhã chegou e o homem estava esgotado com a briga solitária que travara. E chegou também a hora do duende, que apareceu conforme havia prometido ao homem, solicitando que expressasse então o seu desejo. O homem não hesitou. Pediu ao duende que lhe arrancasse um olho.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Plano Inclinado

Ficar mal no retrato...

”Entre socialistas e conservadores há alternância mas não há alternativa”, Manuel Alegre, in Diário de Notícias de 21-10-2006.

”O PS está a governar com o programa com que o PSD se apresentou a eleições”, fonte não identificada do grupo parlamentar do PSD, in Diário de Notícias de 21-10-2006.

Saber o que os outros pensam de nós é indispensável se nos queremos conhecer melhor. Há poucas semanas a TVE, a televisão pública espanhola, passou um programa sobre o nosso pais. Os programas informativos da TVE são, desde há muito, reconhecidos como de grande qualidade e por isso devemos reflectir sobre o “retrato” de Portugal, que lá foi revelado.
Um país em que o interior se despovoou em favor do litoral, em que a agricultura acabou, trocada por subsídios, um país com resquícios medievais que se manifestam no facto de ainda não termos resolvido a questão do aborto, em que os fundos comunitários não foram devidamente aproveitados para modernizarmos o nosso aparelho produtivo, em que o turismo algarvio periga, ameaçado por uma especulação imobiliária desenfreada.
Nesta reportagem não houve apenas lugar para o mau, apareceram também os nichos de excelência: o que sobrou da indústria têxtil porque soube reestruturar-se tecnologicamente para responder à globalização, os vinhos, a cortiça e pouco mais. Mas o que de mais negativo este programa da TVE destacou sobre Portugal foram as desigualdades sociais, o fosso crescente entre os mais ricos e os mais pobres. Cruel, este retrato de Portugal, talvez demasiado esquemático, mas verdadeiro.
Recordo-me de quando jovem ter atravessado pela primeira vez a fronteira e ficar com a sensação de que a Espanha era um país ainda mais pobre do que nós. A democracia veio mudar tudo. Espanha e Portugal encontraram o caminho do desenvolvimento. Mas a Espanha começou bem cedo com as mudanças estruturais necessárias.
Ainda antes da adesão dos dois países à CEE, o governo presidido por Filipe Gonzalez procedeu à reestruturação do tecido empresarial espanhol. Isso foi feito com custos sociais enormes que atirou o desemprego para os 20%, valor que só nos últimos anos se aproximou de valores aceitáveis. Na mesma altura, foi reformulado o sistema fiscal e puseram os ricos a pagar impostos a sério. Consolidou-se uma classe média com alto poder de compra, o que é indispensável para que uma economia funcione bem. E a evidência aí está: dantes, a Europa começava para lá dos Pirinéus; agora é já ali ao passar da fronteira.
Um estudo publicado recentemente no nosso país, veio revelar que 20% dos portugueses vive abaixo do limiar da pobreza, isto é, um em cada cinco portugueses, é pobre. Trinta e dois anos depois da revolução de Abril, depois de muitos e muitos milhões de contos e de euros que entraram em Portugal, vindos da Europa, depois de termos sido governados alternadamente por social-democratas e por socialistas, cujos partidos proclamam como uma das suas principais bandeiras a justiça social, a situação da pobreza em Portugal deveria envergonhar quem nos tem governado. Deveria envergonhar, mas infelizmente não envergonha. Ainda por cima Portugal é o país da UE em que é maior o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Mais ainda: este fosso não diminui, antes aumenta de ano para ano.
Vivemos anos difíceis, com orçamentos de Estado para lá de rigorosos em que, não há que escondê-lo, os mais fracos são os que mais sofrem. A classe média tem visto o seu nível de vida afundar-se, nível de vida que, diga-se em abono da verdade, foi alcançado artificialmente com a entrada dos fundos europeus e com o recurso ao crédito bancário. Aos ricos, esses, não conta que a crise tenha afectado muito.
Os objectivos proclamados pelo actual governo como justificação para as medidas impopulares, muitas delas incorrectas e injustas, são os de colocar em ordem, reduzir o défice e fazer com que o Estado funcione melhor e com menos custos. Gostaria pois de ouvir os nossos responsáveis governamentais dizerem que uma das suas prioridades é criar as bases para que a nossa sociedade se torne mais justa e mais solidária. Mais: gostaria de ver que se tomam medidas efectivas nesse sentido. Porque se for para daqui a cinco ou dez anos haver ainda em Portugal 20% de pobres e continuarmos a ser o país da UE onde é maior a injustiça social, então o combate ao défice, o equilíbrio das contas públicas e o Estado mais eficaz, servem para quê?


V.F. da Silva in "Mais Alentejo", Nov.2006

sexta-feira, novembro 17, 2006

Democracia - versus - ditadura

O último fim-de-semana foi marcado politicamente pelo tão badalado (e nada mais que isso) congresso do PS e, como um troféu inesperado, a palavra democracia surgiu em todas as bocas, tentando justificar as políticas desastrosas deste "socialismo moderno". Será que alguém ainda acredita que vivemos num país democrático? Não, não enlouqueci de vez… mas analisando bem as coisas, considero que vivemos actualmente numa espécie de democracia "hip hop", tal qual a dança de rua, genuína, mas que não entra nos gabinetes ministeriais. Analisando melhor ainda, o mais correcto é chamar-lhe "ditadura moderna"… senão vejamos:


D efinir ditadura como um conceito oposto à democracia, é um pouco ambíguo. Se a ditadura contempla abusos, atitudes despóticas, violência exercida sobre minorias ou sectores débeis da sociedade, não podemos afirmar que tal não aconteça nas chamadas "democracias modernas". Por isso, o melhor será dizer que a ditadura é apenas um aspecto técnico do exercício da opressão de uma classe sobre outras.
Geralmente, a ditadura é associada a uma ocupação militar ou ao estabelecimento de um regime de repressão política aberta, mas a verdade é que a burguesia refinou os seus métodos para a luta de classes, conseguindo que se entenda como "vontade democrática" e "direito de polícia" o que na realidade não é mais do que opressão violenta de umas classes sobre outras para garantir os seus privilégios.Em busca de um mundo melhor...

Passar o rato sobre a imagem

É a ausência de democracia, tal como é considerada há mais de 2.000 anos. Segundo Aristóteles, "não há democracia onde um certo número de homens livres, que estão em minoria, mandam sobre uma multidão que não goza de liberdade".
Numa ditadura, o ditador, (aquele que dita) diz o que se há-de fazer, falsificando a lei ou moldando-a à sua conveniência. Na era moderna, o "ditado" transforma-se em lei por meio da "ditadura da mão no ar" exercida nos parlamentos pelas maiorias ocasionais. A vontade popular está mediatizada, depositada nas mãos de uma maioria parlamentar, organizada disciplinarmente por detrás de uma "vontade única" que é a do governante ou do seu partido. O antigo "ditador" foi substituído pela figura governamental que exerce o poder hegemónico alcançado pelo seu partido, como resultado do endosso da soberania popular, entregue resignadamente pelo povo.
A hegemonia da democracia burguesa, assenta numa estratégia de controlo e dominação social que utiliza a escola, os media, o "terror económico", o clientelismo político, a violência política. Mas apesar disso, é uma figura fictícia, uma vez que tanto nos chamados regimes "democráticos" como nos ditatoriais, o verdadeiro poder nunca está nas esferas do estado, mas sim nos grupos do poder económico, dos quais as entidades "democráticas" são simples gerentes.
O povo reclama uma vida digna, trabalho, habitação, justiça, mas a resposta é a exclusão social, salários e pensões medíocres, repressão e até prisão. Se isto não é uma ditadura, o que é? A falsa opção de votar cada quatro anos em qualquer das duas faces da mesma mentira, só serve para perpetuar a ficção democrática, o mito. Opta-se apenas por um governante que não é mais do que um gerente de interesses alheios, poderosos, transnacionais, que o exercício do poder põe em evidência. "Alguns homens – dizia Chesterton – as máscaras não os disfarçam, pelo contrário, mostram a sua verdadeira identidade. Cada um, disfarça-se daquilo que é por dentro."

Magnolia

domingo, novembro 05, 2006

Até sempre...

Nunca imaginei que alguém se importasse com o facto do Abafos & Desabafos terminar, e tenho de dizer que fiquei sensiblizada com os comentários inseridos neste post. Agradeço a vossa simpatia e amizade. Por vezes, sentimo-nos derrotados e desiludidos ao ponto de "entregar as armas" e zarpar para longe. Mas nenhum lugar é longe o suficiente!
Sendo assim, nada mais nos resta do que continuar firme nas nossas ideias e convicções, na certeza de que o amanhã terá de ser um dia melhor. É por isso que a Magnolia não zarpará de vez e estará ausente apenas alguns dias. Obrigada a todos em geral pelo carinho demonstrado, e em especial ao meu amigo a.castro que desde sempre apadrinhou este blog, e pelo enorme "trabalhão" que teve na recuperação de tantos links.



***************

Primavera“Sempre cheguei tarde
ou cedo demais.
Não vi a felicidade acontecer.
Nunca floresceram
em minha primavera
as rosas que sonhei colher.
Mas sempre os passarinhos
cantaram e fizeram ninhos
pelos beirais
do meu viver.”


Helena Kolody

sexta-feira, novembro 03, 2006

Notas e factos...

Nos regimes totalitários...


Nos regimes totalitários, a Informação trata quase exclusivamente dos assuntos que interessam ao partido do poder.
Nos regimes totalitários, escondem tudo o que possa prejudicar o governo.
Nos regimes totalitários, o primeiro-ministro proíbe os outros elementos do governo de falarem sem seu consentimento.
Nos regimes totalitários, as notícias trazem o carimbo oficial.
Nos regimes totalitários, cada ministro tem a sua câmara de televisão privada.
Nos regimes totalitários, são silenciadas todas as acções da oposição.
Nos regimes totalitários, a televisão é só para os ministros, subsecretários ou seus protegidos.
Nos regimes totalitários, o primeiro-ministro aparece em todas as emissões, todos os dias, todo o dia.
Felizmente que em Portugal não temos um regime totalitário!

terça-feira, outubro 31, 2006

A corrupção... e a honestidade

E

mbora muitas sondagens que a comunicação social divulga não sejam de fiar (numerosos exemplos mostram que o seu objectivo não é o de conhecer mas o de influenciar), os dados e as informações que chegam de vários pontos do país coincidem na apreciação de que a imagem do Primeiro-ministro tem tido uma grande modificação, no sentido do seu descrédito. Não é de estranhar. Para além de crescer, com fortes razões, o descontentamento quanto à política levada a cabo pelo governo, vale a pena chamar a atenção para uma ou outra questão relativamente recentes. Socras Em primeiro lugar, a sua declaração (mentira) pública de que finalmente os sindicatos dos professores tinham chegado a acordo com o governo, relativamente ao novo sistema de avaliação, afirmação desmentida imediatamente pela FRENPROF. Sócrates pretendia assim subverter a decisão do sindicato dos professores que tencionaram aderir, juntamente com a função pública, à greve dos dias 9 e 10 de Novembro. Em segundo lugar, a intervenção que fez, há duas semanas, a propósito da corrupção, na Assembleia da República, não pode deixar de ter grande inquietação entre muitos dos que tomaram conhecimento dela. Ele afirmou:


Não podemos, por respeito ao povo português, aceitar que Portugal seja considerado um país de corruptos. Eu digo categoricamente: é falso!


Quando o Sócrates diz isto, ele está a tentar ludibriar o problema, está a tentar enganar as pessoas, e não é honesto.
Nunca ninguém disse que os portugueses são corruptos. O que se diz e é considerado certo pela maioria dos portugueses é que a corrupção entrou em cheio na área do poder. Não há falta de factos e continuam a aparecer cada vez mais casos de corrupção naquela área e na sua concorrida clientela. Uma grande percentagem de portugueses vive abaixo do nível de pobreza, uma outra parte vive com grandes dificuldades. O que eles precisam é de emprego e a sua estabilidade, de salários dignos, de pensões de reforma justas, de receberem os salários quando é devido, da eliminação das “ taxas moderadoras” (e não do seu aumento), de habitação económica e de muitas outras medidas que dêem resposta à sua situação social mais que precária.
Não precisam de um Primeiro-ministro que os defenda de uma calúnia inexistente.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Pax americana

AONU à deriva...

O processo de escolha do membro latino-americano do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), continuará hoje. Até agora, nenhum dos países envolvidos na disputa obteve a maioria de dois terços necessária para uma vitória na Assembleia Geral, da qual participam 192 países. Organização das Nações Unidas A Guatemala e a Venezuela, que disputaram inicialmente o lugar, a vagar no Conselho em 1 de Janeiro com a saída da Argentina, empataram após 35 rodadas de votações. Escusado será referir o “apadrinhamento” dos Estados Unidos à Guatemala, em detrimento da Venezuela, que conseguiu nada mais do que 80% dos votos dos países latino-americanos. Na intenção de se poder chegar a um consenso, ambos os países desistiram da sua candidatura, ontem, dia 24, e parece que são agora a Bolívia e a Costa Rica que vão tentar obter a maioria necessária para ocupar o referido lugar. O órgão é composto por 15 membros, dos quais dez permanecem durante mandatos de dois anos. Os EUA, a Grã-Bretanha, a China, a Rússia e a França são os membros permanentes do Conselho de Segurança e possuem poder de veto.

------------------------------------------

Nunca como hoje se invocou tanto a Organização das Nações Unidas (ONU). Capacetes azuis movimentam-se por quatro continentes entre os escombros provocados por numerosos conflitos, observadores procuram legitimar soluções alternativas a confrontos armados, diplomatas correm o mundo de lés a lés invocando a autoridade da organização para mediar disputas. Enquanto isso, o Conselho de Segurança, ou melhor o seu núcleo duro constituído pelos cinco membros permanentes, pretende assumir-se cada vez mais como o órgão fulcral da chamada “ordem mundial”.
Diz-se, escreve-se e teoriza-se muito sobre a necessidade de transformar as Nações Unidas, adaptando a organização à nova situação que existe no mundo depois do desaparecimento da União Soviética e do regresso à via capitalista nos países do Leste da Europa.
Analisando as tendências dominantes conclui-se que na ONU apenas se processam mudanças no tipo de actuação e não alterações institucionais. As Nações Unidas estão mais intervenientes, mas não como organização capaz de fazer valer a força do direito internacional. Pelo contrário, sujeita-se a ser utilizada, como um instrumento do direito da força. O facto de se teorizar sobre as transformações na estrutura da ONU não significa automaticamente que se concretizem. Qualquer mudança no texto da Carta das Nações Unidas só poderá ser adoptada (artigo 108.º) com voto de dois terços dos países da organização, incluindo todos os membros permanentes do Conselho de Segurança. Ora, basta o veto de um dos cinco (EU, Rússia, Grã Bretanha, França e China) para invalidar as mudanças aceites por grande maioria na Assembleia Geral. Mas basta um acordo entre os cinco para promover alterações que podem considerar-se “de fundo”. A Carta das Nações Unidas foi redigida imediatamente a seguir ao fim da II Guerra Mundial, antes da instauração da chamada “política de blocos” e do processo de descolonização da Ásia e da África. A maior parte da vida da instituição decorreu, portanto, numa situação muito diferente da que determinou a redacção da Carta. Durante dezenas de anos, a Carta teve uma leitura equilibrada, que reflectiu preocupação com situações de desequilíbrio e injustiça entre povos e países. Mas a situação prática, depois das passagens pelo “crivo” do Conselho de Segurança, não correspondeu a essa visão. Com a viragem mundial registada a partir de 1988, a Carta passou a ter uma leitura restritiva que previligia o capítulo VII – “Acções relacionadas com ameaças à paz, quebras de paz e actos de agressão” (interpretados os factos de acordo com os EU já se vê), em detrimento de capítulos que abordam a resolução pacífica de conflitos, os arranjos regionais e o sistema internacional de confiança.
E assim continuará, enquanto a opinião pública não se impuser para tentar evitar o abismo.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Opinião

Sobre o fim das coisas...

D esde há alguns anos que surgem “ideólogos” a falar no fim disto e no fim daquilo. Talvez que o “fim” mais badalado tivesse sido a “célebre” tese do fim da história.
Mas todos se lembram também do fim das ideologias, do fim do comunismo e de outros fins. Todos estes fins têm, no fim de contas, um objectivo: o de conseguir que não tenha fim exactamente aquilo que lhes interessa que se mantenha, e que na verdade e forçosamente, terá um fim.
Tudo o que nasce pode desenvolver-se mas tem um fim. Esse fim, porém, é o resultado das contradições inerentes ao seu próprio desenvolvimento, não é imposto do exterior pela vontade deste ou daquele.Capitalismo: um dia a mama esgota-se! O fim da história é tão só uma forma mascarada de afirmar que, atingido o capitalismo, nada há, depois, que o possa ultrapassar.
O fim das ideologias é uma forma ideológica de querer esmagar as outras ideologias para fazer ressaltar a “nova” ideologia da inexistência de ideologias.
O fim do comunismo foi espalhado por todo o mundo para, aproveitando o descalabro do socialismo na Europa, procurar minar a vontade, a dedicação e a esperança dos explorados. Simplesmente, este fim é demasiado prematuro, pois aplica-se a uma coisa que não chegou a nascer… ainda.
Todos estes fins tendem a defender a sociedade assente na exploração dos trabalhadores, na opressão dos povos, tendem a insinuar que atingiram “o melhor dos mundos”, assente no individualismo e no lucro, capaz de levar ao “sucesso”… de alguns.
Noutras épocas, surgiram teses semelhantes. Os grandes possuidores de escravos e aqueles que gravitavam à sua volta, consideravam com certeza que essa era a sociedade mais evoluída, a sociedade final. Os grandes senhores feudais, depois, não pensavam de modo diferente em relação à nova sociedade em que desempenharam esse papel principal.
Estas novas teses de “fins” não são uma modernidade. Fazem parte de uma campanha internacional com fins que são claros mas que é preciso esclarecer.
Hoje em dia foi decretado outro fim, o fim do imperialismo e do capitalismo. Já repararam que há certos meios que “acabaram com o imperialismo? Mesmo partidos e indivíduos que ainda há pouco tempo falavam claramente no capitalismo, parece que decretaram também o seu fim. Trata-se de um fim fictício. Interessa, ao imperialismo, que os povos pensem que o capitalismo deixou de existir. Se não se falar em capitalismo e em fascismo, talvez pensem que não sentimos na pele os seus efeitos e nos acomodemos. Mas isso obrigaria à declaração de um outro “fim”, o fim da exploração do homem pelo homem… coisa que aumenta a cada dia que passa.
Mas o socialismo, inevitavelmente, ir-se-á expandir, e os povos tomarão, aos poucos, a rédea da mudança. Aos poucos, porque ao homem assusta-o o facto de deixar de ser individualista porque está “atado” à ideia da liberalização. A pressão que o capitalismo exerce sobre nós é tanta, que não conseguimos enxergar os danos que nos causa.

Magnolia

quinta-feira, outubro 19, 2006

Para sorrir... ou não?

1 – vá ao Google – www.google.com

2 – digite: político honesto

3 – clique em “Sinto-me com sorte” e não em pesquisa Google

4 – veja o resultado com a máxima atenção!