segunda-feira, setembro 11, 2006

O outro 11 de Setembro

Este filme, foi para mim o início de um despertar de consciência. Vi a esplêndida obra de Helvio Soto pela primeira vez, com 15 anos, em 1976, e jamais esquecerei a dor e a revolta que senti, aliadas a um sentimento de impotência enorme, que ainda hoje recordo, tal como as lágrimas que derramei nessas 2 horas de película.
E hoje, quando vejo as grandes manifestações de solidariedade para com a Administração Bush (nota que não digo com o povo americano), a nível nacional, com o objectivo de instrumentalizar a opinião pública, fazendo crer que o 9/11 de 2001 foi o resultado de um ataque terrorista, por parte de Bin Laden, e não um sórdido e terrível plano interno, como na realidade aconteceu, arquitectado para justificar todos os ataques posteriores, efectuados pelos americanos a países independentes, recordo aquele filme e o papel da América nos acontecimentos do dia 11 de Setembro de 1973. E lembro aqui, para que também não esqueçamos o outro 11 de Setembro.

"En “Llueve sobre Santiago”, Soto a la manera de un documental reconstruye las últimas semanas del gobierno de Allende. Exprofesamente emplea el blanco y negro para plantear la lucha de clases atravesada en Chile durante el gobierno de la Unidad Popular. La alianza entre el Partido Comunista y el Partido Socialista conjuntamente los movimientos políticos de izquierda logran llevar a Allende al Palacio de la Moneda. Pero de inmediato nace la confabulación de la derecha chilena en consonancia con los norteamericanos quienes instruyen el sabotaje paulatino al gobierno cuyo planteamiento fue llevar al país del Mapocho al socialismo a través de la democracia. La efervescencia popular motivaba la toma de fábricas y grandes mítines en los que los discursos incendiarios se confundían con la música protesta. Entre tanto, la reacción se organizaba saboteando la producción en las fábricas y las minas y el paro del transporte."



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domingo, setembro 10, 2006

sexta-feira, setembro 08, 2006

Segurança Social


[*]17 Perguntas e respostas sobre a reforma da Segurança Social


A Segurança Social é um direito universal dos portugueses consagrado no art.º 63º da Constituição da República, sendo um direito de cidadania fundamental para assegurar um vida com um mínimo de dignidade. E isto porque quando, devido à doença, ao desemprego, à invalidez e à velhice, um português fica sem possibilidade de obter rendimentos para poder viver, é a Segurança Social que garante o rendimento indispensável.


SERÁ QUE A SEGURANÇA SOCIAL É APENAS IMPORTANTE PARA OS REFORMADOS?

... Muitos portugueses, quando ouvem falar de Segurança Social, pensam que ela se restringe apenas ao pagamento de pensões de reforma, por isso que apenas interessa aos reformados ou quando se está próximo da idade da reforma. Isso não corresponde à verdade.
Em todas as situações da sua vida, quer na vida activa quer na situação de reformado, quando um português perde a capacidade para angariar os rendimentos de que precisa para viver, é a Segurança Social que lhe garante a sobrevivência. É também a Segurança Social que acorre a qualquer português quando é atingido pela pobreza, mesmo que antes não tenha descontado para a Segurança Social.
Assim, quando está doente, é a Segurança Social que lhe paga o subsídio de doença. Quando perde o emprego, é ainda a Segurança Social que lhe paga o subsídio de desemprego, e não o Fundo de Desemprego, que já não existe, como por vezes se ouve. Quando é atingido pela invalidez, é ainda a Segurança Social que paga a pensão de invalidez. Quando atinge a idade de reforma, é também a Segurança Social que paga a pensão de velhice.
E não se pense que a protecção da Segurança Social se limita apenas ao referido anteriormente. É igualmente a Segurança Social que paga o abono de família, as pensões sociais àqueles que nunca descontaram para a Segurança Social, mas que chegados aos 65 anos não têm recursos para viver, é ainda a Segurança Social que paga o Rendimento Social de Inserção, antes chamado Rendimento Mínimo Garantido, a milhares de famílias, é ainda a Segurança Social que financia as chamadas Instituições Privadas de Solidariedade Social (IPSS) e as Misericórdias na luta contra a pobreza.
Em resumo, a Segurança Social está presente na vida de todos os portugueses desde a nascença até à morte. Portanto, conhecer bem os problemas da Segurança Social e defendê-la é fundamental para todos os portugueses.


Distanciar-se, alhear-se, ou considerar que a Segurança Social não lhe diz respeito, sendo apenas importante quando se chegar à reforma, para além de revelar um grande desconhecimento sobre os problemas fundamentais do País e dos portugueses e dos seus direitos, é permitir que outros decidam a seu bel prazer sobre matérias fundamentais que dizem respeito a todos os portugueses, é permitir que outros decidam sobre a nossa vida e a dos nossos filhos no presente e no futuro, é tornar possível que lhe sejam retirados direitos essenciais devido à sua passividade.


SERÁ QUE A SEGURANÇA SOCIAL ESTÁ FALIDA OU ENTRARÁ EM FALÊNCIA?

Um dos argumentos mais utilizados pelo governo e por todos aqueles que atacam a Segurança Social é que esta está falida ou vai falir. Muitas vezes não o dizem de uma forma explícita, mas a mensagem que desejam passar, ou passam, acaba por ser esta.

... A afirmação de que a Segurança Social está falida ou corre o risco de falência é, sob o ponto de vista técnico, uma grande mentira, e é necessário um combate contínuo para desmistificar. O certo é que é uma mensagem que é repetida muitas vezes, o que leva muitos, nomeadamente os jovens, a pensar que é uma verdade.
O objectivo é claro: desacreditar o sistema público de Segurança Social, criar a insegurança nos trabalhadores para que eles aceitem facilmente a redução de direitos e para que invistam as suas reduzidas poupanças em fundos de pensões privados, que é um negócio altamente lucrativo para a banca e seguradoras.

[*] Este post é um extracto de um estudo efectuado por Eugénio Rosa, economista, que demonstra claramente que a afirmação de que a Segurança Social está falida ou corre o risco de falência é uma grande mentira, e vale a pena ler todo o documento.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Para o ano há mais

Em 1976, Álvaro Cunhal afirmou, no discurso de encerramento da Festa do Avante, que esta é a maior, a mais extraordinária, a mais fraternal e humana jamais realizada no nosso País. A prova de que estava certo é o sucesso que continua a ter 30 anos depois, apesar das várias tentativas de alguns para a destruirem. Mas a Festa continua e a Luta também! ...

*Post recuperado.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Um local... três momentos

Sem tempo para postar, ofereço-vos três momentos de excelsa calmaria que qualquer mortal pode desfrutar, ao visitar a Barragem de Lucefecit, em Terena, no final de um grande e tórrido dia de verão.

* Post recuperado.

terça-feira, agosto 29, 2006

A carne de canhão portuguesa



Portugal não tem qualquer responsabilidade histórica no Líbano. Em relação à agressão bárbara e selvagem dos facínoras dos EUA & Israel, o governo português remeteu-se a um silêncio covarde e conivente (cedência da Base das Lajes). E agora, num novo gesto de subserviência ao imperialismo (EUA) e ao subimperialismo (UE), pretende enviar tropas para a UNIFIL. O estatuto, o mandato e os objectivos desta força militar internacional estão longe de serem claros. A própria França de Chirac hesitou muito em comprometer-se com o envio de militares em escala maciça. Mas, mais papista que o papa, o governo português apressa-se a mais um acto de vassalagem.

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Astuta e desperadamente, o PM procura de forma inédita, a conivência da oposição para a sua tomada de decisão, no sentido de, já à priori, evitar que se levantem vozes discordantes. É uma forma perspicaz de calar a boca de uma maioria da AR, ao comprometerem-se com as decisões do governo. É caso para dizer. "Eles pensam-na toda!". Mas nem todos andam a dormir

*Post recuperado

domingo, agosto 27, 2006

A Esquina

Em […], numa data social em que a vida por si só se tornou difícil e azeda, um homem de meia-idade inventou uma profissão para si mesmo. No sorriso da sua descoberta, pintou de verde-escuro um banco pequenino, passou a manhã esperando que o sol ausente o secasse com a temperatura possível. Engomou o fato castanho e escolheu aleatoriamente uma das muitas esquinas da cidade. Num cartão pequeno escreveu à máquina: "tiram-se dúvidas".
Resistiu pacientemente aos primeiros vinte e três dias em que ninguém caiu na tentação de lhe fazer uma pergunta que fosse. É sabido que s pessoas paravam para ler o cartão, e que sorriam ou acenavam, cumprimentando-o. Está escrito que ele ripostava com a agradabilidade do seu sorriso curto, cordial, calmo. No vigésimo quarto dia uma criança sentou-se no chão ao pé dele. Ao fim de algum tempo, sorriu. O homem também sorriu. A criança, miopemente, soletrou com a boca e os olhos: ti-ram-se dú-vi-das… Fechou o seu sorrisinho e olhou-o intrigada. Quando se preparava para murmurar algo, ou quando o homem se preparava para murmurar algo de volta, um senhor prostrou-se em frente ao banquinho, à mesinha, ao homem, à criança, aos seus sorrisos parecidos.
Não havia preços. O certo é que a criança todos os dias se sentava ali, o homem todos os dias lá ia, as pessoas apreciam com mais frequência.
A esquina ficou conhecida como a esquina da dúvida, onde ainda hoje todos os cafés têm pinturas ou esculturas do homem, o banco, a mesa, o cartaz e a criança ao lado__no chão.
Se chovia retiravam-se para um parapeito. Se fazia vento aconchegavam as pernas um ao outro. De longe, o que se via era o sorriso calmo, cordial, curto, do homem intercalado com palavras poucas, mansas. As pessoas sorrindo se afastavam.
Numa tarde fria, bela, chegaram a acumular-se três pessoas para tirarem dúvidas. Quando o homem disso se apercebeu, enternecido, olhou a criança. A criança, surpreendida com aquele olhar extenso, olhou o cartaz. Soletrou mais alto do que da primeira vez, para que todos na fila o ouvissem: ti-ram-se dú-vi-das…
O tirador de dúvidas afagou o menino. Disse-lhe um segredo: dúvida é quando não sabemos bem alguma coisa. O menino enxugou o ranho transparente do seu lábio, sorriu, procurou a orelha peluda do homem: dúvida é amanhã?
Mãos dadas, dúvida virou nome de esquina.



Ondjaki in E Se Amanhã o Medo

*Post recuperado

quinta-feira, agosto 24, 2006

Etiquetas

Rotular pessoas segundo padrões comportamentais e biológicos é uma tarefa um pouco ingrata porque corremos o risco de cometer injustiças. Porque existe quem facilmente rotule os outros, crescem os estereotipos, crescem os preconceitos, cresce uma preguiçosa maneira de pensar, e as pessoas já não se preocupam em conhecer. Olha-se e faz-se o perfil, sem pensar que, cada ser humano tem a sua própria individualidade, mesmo quando se esforça por se enquadrar num grupo social. Mas como aquilo que o Hammer me pede aqui é que me etiquete a mim mesma aqui, se bem que o "auto-rótulo" nunca é algo imparcial.
A sinceridade é um dos meus lemas de vida. Por vezes confunde-se com impetuosidade e nem sempre é bem recebida. Entendo no entanto que é melhor ser brutalmente sincera do que covardemente fingida.
A confiança cega que deposito no ser humano acarreta-me por vezes dissabores e desilusões, e a experiência não me deu ainda aprendizagem suficiente para não voltar a cometer os mesmos erros.
Por acreditar que é possível um mundo melhor, estou sempre disponível para enveredar as lutas necessárias que creio poderem contribuir para esse fim. Não desisto facilmente dos objectivos que me proponho.
Não tenho clube de futebol ou religião, não tenho música, livros ou filmes favoritos. Não fumo, não bebo e como penso que as pessoas não mudam, apenas evoluem,o meu único vício é tentar evoluir e alcançar a paz comigo mesma.

Não querendo ser acusada de quebrar esta corrente blogosférica, já que luto diariamente por quebrar todas as outras, passo o desafio ao VermelhoFaial, ao Leandro, ao António Caeiro e ao MGomes, com um pedido de desculpas antecipado pela ousadia da minha decisão.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Soma e segue...

Mais um acto de prepotência deste governo! Ao mesmo tempo que o Ministro da Saúde exige contenção aos médicos na prescrição de medicamentos, são decididos os aumentos das tabelas de taxas da ADSE, de forma leviana e à margem daqueles que têm uma palavra a dizer sobre o assunto. A uns mandam apertar o cinto, a outros enforcam-nos de imediato. Haja pachorra!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Vale tudo...

A fabricação do MEDO

A fabricação do medo, para criar estados de espírito colectivos que justifiquem medidas repressivas, parece ter-se tornado um sistema. Agora é o Reino Unido do sr. Blair que anuncia nebulosas "ameaças terroristas" contra aviões, tentando gerar pânico. O que estarão eles a preparar? Nos EUA, o 11 de Setembro de 2001 serviu para fazer aprovar a toque de caixa a "Patriot Law" que estava redigida há muito e implicou uma profunda alteração no regime estadunidense. Direitos, liberdades e garantias desfrutadas pelos cidadãos americanos foram pura e simplesmente eliminadas. Não embarcar nas histerias colectivas promovidas na primeira página do Público e nos medias ditos "de referência" é um dever de lucidez. Não se deve esquecer que o governo do sr. Blair não merece credibilidade; que a sua polícia assassinou a sangue frio um emigrante brasileiro no ano passado; que eles pretendem deliberadamente criar um clima anti-árabe no momento em que cometem barbaridades atrozes contra os povos libanês e palestino; que a Al Qaeda é uma criação da CIA americana e é activada quando muito bem lhes apetece.

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terça-feira, agosto 15, 2006

De regresso...


Realmente, o tempo passa muito rápido quando estamos de férias! E considero que, de igual forma, sentimos isso mesmo à medida que nos tornamos cada vez mais, digamos, maduros. Esta é uma constatação que somente agora consigo vivenciar e apreciar na íntegra, mas que, ouvido da boca da minha mãe há anos atrás, era entendida apenas como um queixume de gente mais velha. Hoje entendo bem melhor o significado dessa expressão. Hoje, o tempo realmente passa muito rápido. Antigamente, nos meus tempos de sonhos de criança, o tempo passava devagar. Depois, na minha adolescência, o tempo passava no tempo certo. A vida era simples, os sonhos complexos. Eu achava que sabia tudo e tinha a certeza que tudo ia dar certo.
Hoje sei que vencer é difícil, mas não impossível. Sei também que para vencer é necessário tempo, muito estudo e persistência. Sei que os momentos felizes são raros e por isso devem ser bem aproveitados. Sei também que não vale a pena gastarmos o nosso precioso tempo pensando no que poderíamos mudar para melhorar. Se está ruim é porque ainda não chegou ao fim. É apenas uma fase de transição. Vai passar.
Nunca soube avaliar correctamente o que Einstein quis dizer com E=mc2, mas depreendo que a energia (especialmente a nossa) tem algo a ver com o tempo, cuja velocidade é, também, indirecta e geometricamente proporcional à exiguidade de prazos que temos para concluir os projectos que nos propomos.
Na sábia voz do povo: "O tempo voa e não sobra tempo pra nada!"A este propósito, e depois desta espécie de desabafo, ocorreu-me, depois de ler este post do a.castro, que não entendo como é possível que o tempo estaque em relação a determinadas coisas. Continuam-se a cometer os mesmos erros ano após ano, e nós vamos ficando à mercê da incompetência e incúria daqueles que detém o poder e a responsabilidade para alterar as coisas e fazê-las de forma correcta. Aparentemente "inocente", trata-se de mais uma "desancada" nos senhores que nos (des)governam, e com toda a razão!

sábado, agosto 05, 2006

Curto descanso...


El Descanso - by Balbino Jimenez.

Por motivos particulares, este blog não publicará durante os próximos 8 dias. Sugiro, entretanto, que apreciem este post publicado no Malaposta. Aparentemente o post parece "uma brancadeira", mas na realidade é um texto crítico e bem conseguido que vale a pena ler. Um post que, duma forma irónica e original, aponta o dedo a alguns dos maiores flagelos que os "senhores do mundo" nos impõem. Leiam e meditem!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Nas pontas do dedos


O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.
Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto
José Gomes Ferreira

quinta-feira, agosto 03, 2006

portugal corrupto?



Portugal é um dos Estados-membros da UE mais afectados pela epidemia da corrupção. A corrupção, um crime que não deixa rasto e é de difícil prova, corrói a democracia. A verdade é que faltam estudos e estatísticas que ponham a nu os tentáculos deste braço invisível que, segundo consta, se estende a todo o aparelho de Estado. Os números mais recentes são da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, da Polícia Judiciária (PJ). Um relatório inédito que aclarou um pouco a escuridão em que se encobre o negócio dos favores e subornos, em Portugal.
Entre 2002 e 2005, a PJ iniciou 6976 investigações por crimes económico-financeiros, dos quais 1251 relacionados com casos de corrupção. Sem surpresas verificou-se que na maioria dos dossiês constam autarquias. Forças de segurança, entidades relacionadas com o sector rodoviário e administração central também concentram preocupantes focos de corrupção. Uma das medidas recomendadas pelo Conselho da Europa de combate a este fenómeno - que ainda não é tida em conta - é a obrigatoriedade de um período de luto entre o exercício de cargos públicos e a passagem a cargos no privado, com interesses incompatíveis - como, por exemplo, o antigo funcionário do Estado que vai exercer consultoria em empresas que ele próprio tenha beneficiado.

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Meu comentário:
Penso que a ignorância é a “fonte de abastecimento” para os corruptos e os tiranos. Um povo ignorante não pode de forma alguma disfrutar de um nível de vida digno, uma vez que não possui a capacidade necessária para escolher o governo que o represente adequada e dignamente. Acredito que um segmento muito significativo da nossa sociedade sofre de um nível de ignorância extremamente alto e, o mais vergonhoso, é que nada se faz para educar essa franja social.
Existe todo o interesse em manter o povo num verdadeiro estado de incultura. Parece-me que existe uma espécie de “compra e venda de vontades”, intrínseca na lógica de una economia de mercado. Enquanto a posse da riqueza em forma de dinheiro actuar como um excedente de poder, honra, status e privilégio, a possibilidade de corrupção é inerente a uma ordem social, cujo grau de êxito está directamente relacionado com a quantidade de milhões de euros, dólares ou libras esterlinas que se consigam alcançar. A riqueza é a medida de todas as coisas. A pobreza, por outro lado, é carência de virtudes. Crescer e acumular. A visão de um mundo onde se nasce para ter dinheiro, altera a natureza da condição humana. A degradação das convicções e dos valores éticos projecta-se na vida quotidiana até que chega a converter-se em “prática corrente”. O sonho de alguns (se calhar não poucos) é que, um dia qualquer, alguém com dinheiro lhes ofereça uma boa quantia por realizar alguma loucura: "ofereço-te X para escavacares o teu carro", "outro tanto para te deixares violar" e "um pouco mais para venderes um rim". Tudo isto dentro de uma base de relações contratuais e acordos com lógica de mercado.
E, bem… é verdade que não é necessário esperar o consentimento do capitalismo, para que este tipo de corrupção de carácter se manifeste.




*Post recuperado.

sexta-feira, julho 28, 2006

Apenas" um jogo de vídeo?



World in Flames

Mercenários 2 – O Mundo em Chamas" é um jogo de video que vai sair para o ano, certamente entre dezenas de milhares de outros que alimentam - ou criam, vá-se lá saber - a necessidade de jogar no computador ou na consola. O que o torna especial é tratar-se de um simulador da invasão da Venezuela por forças mercenárias dos EUA em 2007, para derrotar um «tirano sedento de poder» que se apropria das reservas de petróleo e «transforma o país numa zona de guerra». Inclui cenários reais das ruas e edifícios de Caracas, da companhia petrolífera nacional e imagens de satélite verdadeiras. O Governo venezuelano denunciou o lançamento do jogo como um elemento da «campanha de terror psicológico» dos EUA contra o país. A produtora diz que «é só um jogo de vídeo».A polémica tem sido grande em todo o mundo. Tão grande, que a produtora do jogo se viu obrigada a publicar no seu sítio na internet um esclarecimento: «nunca foi contactada por qualquer agência do Governo dos Estados Unidos acerca do desenvolvimento do jogo.» Mas é preciso que as histórias dos jogos sejam plausíveis, acrescenta. Lá está: para esta gente, é plausível que a Venezuela seja atacada militarmente pelos EUA. Tal como o título deixa claro, este jogo uma sequela. Na primeira edição, os mercenários tinham como missão matar um general do exército da Coreia do Norte (sic), portador do código que daria início a uma guerra nuclear. O objectivo n.º 1 era, claro, garantir a segurança do mundo. A produtora tem tradição neste tipo de jogos. Recebeu 5 milhões de dólares para fazer um jogo de treino para os soldados do Exército dos EUA, em que estes se confrontam com cenários de combate urbano. Uma das missões do jogo chama-se «Dia das Eleições» e os soldados devem garantir a segurança de um acto eleitoral num país onde as pessoas lhes chamam «porcos capitalistas». Porque será?O jogo é produzido por uma das empresas de George Lucas – a Pandemic Bioware Studios, financiada em 300 milhões de dólares por uma outra, a Elevation Partners, que tem como sócio Bono Vox, o caridoso vocalista dos U2. Bono é conhecido nos últimos anos pelas suas encenações de contra-poder, participando em concertos pela abolição da dívida aos países africanos e reunindo depois com os senhores do G8. E assim cai mais uma máscara de falso pacifista e humanizador do capitalismo.Quem disse que não havia ofensiva ideológica?
Nota: A Venezuela não é a única a sofrer com uma guerra em games. No Kuma War, o Irã é invadido pelo exército. Enquanto George W. Bush pensa em invadir o país, o jogo permite brincar com diversas sabotagens nas centrais nucleares iranianas.


terça-feira, julho 25, 2006

A talhe de foice

Tão perto e tão longe...

Israel está a bombardear o Líbano desde o passado dia 12, no que diz ser uma resposta ao sequestro de dois soldados seus pelo Hezbollah. A operação, segundo o chefe de Estado Maior adjunto do exército israelita, general Moshé Kaplinski, deverá prolongar-se pelo menos por mais uma semana.( duas semanas já lá vão e possivelmente muitas mais se seguirão) No encerramento desta edição, (a 20 de Julho) o número de mortos ascendia já a duas centenas e meia, enquanto a destruição de edifícios e infra-estruturas (pontes, estradas, aeroporto, centrais de electricidade e abastecimento de água, entre outras) prosseguia a um ritmo devastador.Longe do cenário de guerra – onde não chega o cheiro a sangue, nem os gritos de dor, nem os estilhaços das bombas, nem o som das derrocadas, nem o aguilhoar do medo sem medida –, lá longe, dizia, a União Europeia condena os ataques do Hezbollah e o rapto dos dois soldados israelitas, exigindo a sua libertação imediata, e pede «contenção» a Israel, cujo direito à autodefesa não contesta.Igualmente longe do cenário de guerra – onde as imagens das crianças mortas, se é que chegam, causam tanta emoção como as das chacinadas alegremente por heróis de jogos de vídeo; onde a dor sem remédio de perder um filho é medida por bitolas que distinguem aliados de adversários; onde os direitos de uns não fazem sequer sentido fora do âmbito dos interesses de outros –, lá longe, dizia, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu sequer produzir um comunicado sobre a situação no Líbano, já que os EUA rejeitam a exigência de um cessar-fogo até que Israel dê por concluída a «operação» que está a levar a cabo.Mais longe ainda do cenário de guerra – e todavia tão próximo dos que usam e abusam do poder de exterminar povos, invadir países e semear a destruição –, lá longe, dizia, na cimeira do G8, Bush e Blair mostraram involuntariamente ao mundo como de facto encaram a carnificina que está a ser cometida no Líbano, ao falarem sem dar conta que os microfones (e as câmaras) da reunião estavam ainda ligados. «O que é preciso é envolver a Síria, de forma a que o Hezbollah pare de fazer merda e pronto», disse Bush, mais preocupado em regressar a casa do que com os mortos no Líbano ou em qualquer outro lugar do planeta.Amanhã, como ontem, a Casa Branca e as centrais de desinformação farão saber que o «eixo do mal» – para o caso Síria e Irão – são os verdadeiros responsáveis pelas vítimas das bombas israelitas e que não há vida que valha os interesses do império.Enquanto isso, Israel vai continuar a sacrificar os seus próprios filhos, distinguindo-os apenas com a duvidosa honra de considerar que o seu sangue derramado vale infinitamente mais do que o sangue dos filhos alheios, pelo que por cada um que tombar há que matar centenas de outros. Esta contabilidade macabra não resgatará nenhum da morte, não aliviará a dor do luto, não encherá o vazio da perda, mas contribuirá sem dúvida, como até aqui, para estimular o ódio e alimentar a intolerância mútua. Longe, muito longe das bombas e das vidas ceifadas, os senhores da guerra e seus acólitos congratulam-se. As armas vendem-se como tremoço, o petróleo sobe, os lucros aumentam, o negócio vai bem e recomenda-se.

Anabela Fino in Avante

sábado, julho 08, 2006

Férias

Este blog
vai de férias e,
durante 15 dias
não haverá desabafos!

sexta-feira, julho 07, 2006

Democracia

Sobre o conceito de democracia...


Nos próprios países capitalistas desenvolvidos há várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado...

trabalho, por exemplo, mas dizer que a sociedade capitalista reconheceu abstractamente e juridicamente, direitos e liberdades, também eles concebidos de uma forma abstracta, isto é, abstraída do modo de funcionamento concreto da sociedade. Esta distinção é importante, se for vista como um “catálogo” de direitos e liberdades, como princípio teórico de fundamentação na crítica que faço à sociedade capitalista e ao modo como a democracia é exercida nas sociedades capitalistas. Qual é o modo de compatibilização entre o direito ao trabalho e o direito a explorar? O direito a um estatuto social e poder social, a um determinado poder político e um determinado poder cultural, com base na exploração do trabalho de outros?
Há ainda outras perguntas que têm a ver com o princípio da igualdade, do direito de voto e da universalidade do direito de voto, nos seus estritos termos formais. Não posso calar esta pergunta: o voto do Belmiro de Azevedo ou do Champalimaud é igual ao voto de um desempregado têxtil do Vale do Ave? Esta Pergunta é demagógica ou capciosa? Ou realmente aponta para qualquer coisa que se passa e que tem a ver com a vida real? Tenho de facto que argumentar que não é igual. Não é concretamente igual, nem na formação da vontade e da escolha, portanto no que precede o voto, nem depois do voto.
E isto tem a ver com o problema de tornar reais e efectivamente exercidos, direitos e liberdades que eu própria defendo. Tenho pois, e em meu entender, de concluir que a questão de tornar esse exercício efectivo e real, pressupõe desde sempre, a realização de condições materiais.
E onde está efectivamente a democracia quando, num acto eleitoral existe uma elevada taxa de abstenção? Como é possível afirmar que os governos eleitos são realmente o reflexo da vontade democrática dos povos, quando é o povo que se abstém de fazer a sua escolha? Acresce ainda o facto de que, quando a democracia é apenas para 20 ou 30 por cento, o poder não pode ser considerado de forma alguma um poder democrático...

Sendo o sistema capitalista hoje, um sistema mundial, isto é, que existe em todos os continentes e que é dominante à escala mundial, é completamente inaceitável a associação entre capitalismo e democracia quando conhecemos o que se passa no Terceiro Mundo, no chamado Quarto Mundo, etc… ou seja, o modo como o capitalismo concilia, apoia, aguenta, sustenta, promove e provoca situações não democráticas, um pouco por todo o lado no mundo.
Nos próprios países capitalistas desenvolvidos o que é que se tem vindo a passar com o estado da democracia? Há vários sintomas e várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado e sofre crescentes restrições. É evidente que nesses países a conexão entre as várias esferas da democracia está profundamente quebrada, distorcida ou não existe mesmo.
Fenómenos como a abstenção nas votações em países como EUA, Alemanha ou Inglaterra, são significativos do alheamento de grandes partes da população na escolha dos seus dirigentes políticos. Por outro lado, o modo como os meios de comunicação social, designadamente a TV, funcionam no mundo capitalista contemporâneo são uma ameaça efectiva ao exercício real das escolhas políticas. E isto é reconhecido por muitos intelectuais não marxistas…
Marx, e designadamente Lenine em “O Estado e a Revolução”, salientam uma distinção entre o reconhecimento formal das liberdades e a democracia real ou material. Mas não se trata de fazer essa distinção (direitos e liberdades formais e direitos ou liberdades reais ou materiais) enquanto coisas distintas. Mas sim um outro tipo de distinção: a crítica ao modo como o reconhecimento formal da democracia, dos direitos e das liberdades não correspondia (e não corresponde todavia) ao exercício real desses direitos e dessas liberdades nas sociedades capitalistas. O problema não está, portanto, em distinguir direitos que são formais, como a liberdade de expressão ou de voto, e direitos que são materiais ou reais, como o direito ao

quinta-feira, julho 06, 2006

Proteger a Floresta

Uma Ideia Luminosa
Que PodeAjudar
A Proteger a Floresta

Com as facturas da electricidade e do telefone, recebes PUBLICIDADE. Não a deites fora!
GUARDA-A, junta-a e reenvia-a aos respectivos serviços. Deixa que sejam eles a deitá-la no lixo!
Recebes correio para empréstimos, cartões de crédito… ou “ negócios “, muitas vezes acompanhados de ENVELOPES DE RESPOSTA PAGA…. Em vez de os deitares no lixo, mete essas inutilidades nos tais envelopezinhos e põe-nos no correio!
Envia: a publicidade do mecânico automóvel… ao teu operador telefónico; os cupões de desconto de pizzas ao… teu banco; as promoções do supermercado a… quem tu quiseres! E sem remetente. Verifica sempre se algum dos teus dados pessoais não figura num destes documentos devolvidos. Podes também… enviar o envelope de resposta paga, VAZIO ! ! !
Que tal?! Se todos fizermos isto… Os bancos, as instituições de crédito e outros, receberão de volta todas as porcarias que nos enviaram. Eles que as apreciem! Pagarão eles próprios as franquias, e 2 vezes: o envio e a devolução!
Uma maneira simples de ter menos resíduos… de preservar o planeta e as nossas florestas! Não custa tentar e até pode ser divertido!


Recebido por mail.