quinta-feira, agosto 31, 2006

Um local... três momentos

Sem tempo para postar, ofereço-vos três momentos de excelsa calmaria que qualquer mortal pode desfrutar, ao visitar a Barragem de Lucefecit, em Terena, no final de um grande e tórrido dia de verão.

* Post recuperado.

terça-feira, agosto 29, 2006

A carne de canhão portuguesa



Portugal não tem qualquer responsabilidade histórica no Líbano. Em relação à agressão bárbara e selvagem dos facínoras dos EUA & Israel, o governo português remeteu-se a um silêncio covarde e conivente (cedência da Base das Lajes). E agora, num novo gesto de subserviência ao imperialismo (EUA) e ao subimperialismo (UE), pretende enviar tropas para a UNIFIL. O estatuto, o mandato e os objectivos desta força militar internacional estão longe de serem claros. A própria França de Chirac hesitou muito em comprometer-se com o envio de militares em escala maciça. Mas, mais papista que o papa, o governo português apressa-se a mais um acto de vassalagem.

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Astuta e desperadamente, o PM procura de forma inédita, a conivência da oposição para a sua tomada de decisão, no sentido de, já à priori, evitar que se levantem vozes discordantes. É uma forma perspicaz de calar a boca de uma maioria da AR, ao comprometerem-se com as decisões do governo. É caso para dizer. "Eles pensam-na toda!". Mas nem todos andam a dormir

*Post recuperado

domingo, agosto 27, 2006

A Esquina

Em […], numa data social em que a vida por si só se tornou difícil e azeda, um homem de meia-idade inventou uma profissão para si mesmo. No sorriso da sua descoberta, pintou de verde-escuro um banco pequenino, passou a manhã esperando que o sol ausente o secasse com a temperatura possível. Engomou o fato castanho e escolheu aleatoriamente uma das muitas esquinas da cidade. Num cartão pequeno escreveu à máquina: "tiram-se dúvidas".
Resistiu pacientemente aos primeiros vinte e três dias em que ninguém caiu na tentação de lhe fazer uma pergunta que fosse. É sabido que s pessoas paravam para ler o cartão, e que sorriam ou acenavam, cumprimentando-o. Está escrito que ele ripostava com a agradabilidade do seu sorriso curto, cordial, calmo. No vigésimo quarto dia uma criança sentou-se no chão ao pé dele. Ao fim de algum tempo, sorriu. O homem também sorriu. A criança, miopemente, soletrou com a boca e os olhos: ti-ram-se dú-vi-das… Fechou o seu sorrisinho e olhou-o intrigada. Quando se preparava para murmurar algo, ou quando o homem se preparava para murmurar algo de volta, um senhor prostrou-se em frente ao banquinho, à mesinha, ao homem, à criança, aos seus sorrisos parecidos.
Não havia preços. O certo é que a criança todos os dias se sentava ali, o homem todos os dias lá ia, as pessoas apreciam com mais frequência.
A esquina ficou conhecida como a esquina da dúvida, onde ainda hoje todos os cafés têm pinturas ou esculturas do homem, o banco, a mesa, o cartaz e a criança ao lado__no chão.
Se chovia retiravam-se para um parapeito. Se fazia vento aconchegavam as pernas um ao outro. De longe, o que se via era o sorriso calmo, cordial, curto, do homem intercalado com palavras poucas, mansas. As pessoas sorrindo se afastavam.
Numa tarde fria, bela, chegaram a acumular-se três pessoas para tirarem dúvidas. Quando o homem disso se apercebeu, enternecido, olhou a criança. A criança, surpreendida com aquele olhar extenso, olhou o cartaz. Soletrou mais alto do que da primeira vez, para que todos na fila o ouvissem: ti-ram-se dú-vi-das…
O tirador de dúvidas afagou o menino. Disse-lhe um segredo: dúvida é quando não sabemos bem alguma coisa. O menino enxugou o ranho transparente do seu lábio, sorriu, procurou a orelha peluda do homem: dúvida é amanhã?
Mãos dadas, dúvida virou nome de esquina.



Ondjaki in E Se Amanhã o Medo

*Post recuperado

quinta-feira, agosto 24, 2006

Etiquetas

Rotular pessoas segundo padrões comportamentais e biológicos é uma tarefa um pouco ingrata porque corremos o risco de cometer injustiças. Porque existe quem facilmente rotule os outros, crescem os estereotipos, crescem os preconceitos, cresce uma preguiçosa maneira de pensar, e as pessoas já não se preocupam em conhecer. Olha-se e faz-se o perfil, sem pensar que, cada ser humano tem a sua própria individualidade, mesmo quando se esforça por se enquadrar num grupo social. Mas como aquilo que o Hammer me pede aqui é que me etiquete a mim mesma aqui, se bem que o "auto-rótulo" nunca é algo imparcial.
A sinceridade é um dos meus lemas de vida. Por vezes confunde-se com impetuosidade e nem sempre é bem recebida. Entendo no entanto que é melhor ser brutalmente sincera do que covardemente fingida.
A confiança cega que deposito no ser humano acarreta-me por vezes dissabores e desilusões, e a experiência não me deu ainda aprendizagem suficiente para não voltar a cometer os mesmos erros.
Por acreditar que é possível um mundo melhor, estou sempre disponível para enveredar as lutas necessárias que creio poderem contribuir para esse fim. Não desisto facilmente dos objectivos que me proponho.
Não tenho clube de futebol ou religião, não tenho música, livros ou filmes favoritos. Não fumo, não bebo e como penso que as pessoas não mudam, apenas evoluem,o meu único vício é tentar evoluir e alcançar a paz comigo mesma.

Não querendo ser acusada de quebrar esta corrente blogosférica, já que luto diariamente por quebrar todas as outras, passo o desafio ao VermelhoFaial, ao Leandro, ao António Caeiro e ao MGomes, com um pedido de desculpas antecipado pela ousadia da minha decisão.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Soma e segue...

Mais um acto de prepotência deste governo! Ao mesmo tempo que o Ministro da Saúde exige contenção aos médicos na prescrição de medicamentos, são decididos os aumentos das tabelas de taxas da ADSE, de forma leviana e à margem daqueles que têm uma palavra a dizer sobre o assunto. A uns mandam apertar o cinto, a outros enforcam-nos de imediato. Haja pachorra!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Vale tudo...

A fabricação do MEDO

A fabricação do medo, para criar estados de espírito colectivos que justifiquem medidas repressivas, parece ter-se tornado um sistema. Agora é o Reino Unido do sr. Blair que anuncia nebulosas "ameaças terroristas" contra aviões, tentando gerar pânico. O que estarão eles a preparar? Nos EUA, o 11 de Setembro de 2001 serviu para fazer aprovar a toque de caixa a "Patriot Law" que estava redigida há muito e implicou uma profunda alteração no regime estadunidense. Direitos, liberdades e garantias desfrutadas pelos cidadãos americanos foram pura e simplesmente eliminadas. Não embarcar nas histerias colectivas promovidas na primeira página do Público e nos medias ditos "de referência" é um dever de lucidez. Não se deve esquecer que o governo do sr. Blair não merece credibilidade; que a sua polícia assassinou a sangue frio um emigrante brasileiro no ano passado; que eles pretendem deliberadamente criar um clima anti-árabe no momento em que cometem barbaridades atrozes contra os povos libanês e palestino; que a Al Qaeda é uma criação da CIA americana e é activada quando muito bem lhes apetece.

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terça-feira, agosto 15, 2006

De regresso...


Realmente, o tempo passa muito rápido quando estamos de férias! E considero que, de igual forma, sentimos isso mesmo à medida que nos tornamos cada vez mais, digamos, maduros. Esta é uma constatação que somente agora consigo vivenciar e apreciar na íntegra, mas que, ouvido da boca da minha mãe há anos atrás, era entendida apenas como um queixume de gente mais velha. Hoje entendo bem melhor o significado dessa expressão. Hoje, o tempo realmente passa muito rápido. Antigamente, nos meus tempos de sonhos de criança, o tempo passava devagar. Depois, na minha adolescência, o tempo passava no tempo certo. A vida era simples, os sonhos complexos. Eu achava que sabia tudo e tinha a certeza que tudo ia dar certo.
Hoje sei que vencer é difícil, mas não impossível. Sei também que para vencer é necessário tempo, muito estudo e persistência. Sei que os momentos felizes são raros e por isso devem ser bem aproveitados. Sei também que não vale a pena gastarmos o nosso precioso tempo pensando no que poderíamos mudar para melhorar. Se está ruim é porque ainda não chegou ao fim. É apenas uma fase de transição. Vai passar.
Nunca soube avaliar correctamente o que Einstein quis dizer com E=mc2, mas depreendo que a energia (especialmente a nossa) tem algo a ver com o tempo, cuja velocidade é, também, indirecta e geometricamente proporcional à exiguidade de prazos que temos para concluir os projectos que nos propomos.
Na sábia voz do povo: "O tempo voa e não sobra tempo pra nada!"A este propósito, e depois desta espécie de desabafo, ocorreu-me, depois de ler este post do a.castro, que não entendo como é possível que o tempo estaque em relação a determinadas coisas. Continuam-se a cometer os mesmos erros ano após ano, e nós vamos ficando à mercê da incompetência e incúria daqueles que detém o poder e a responsabilidade para alterar as coisas e fazê-las de forma correcta. Aparentemente "inocente", trata-se de mais uma "desancada" nos senhores que nos (des)governam, e com toda a razão!

sábado, agosto 05, 2006

Curto descanso...


El Descanso - by Balbino Jimenez.

Por motivos particulares, este blog não publicará durante os próximos 8 dias. Sugiro, entretanto, que apreciem este post publicado no Malaposta. Aparentemente o post parece "uma brancadeira", mas na realidade é um texto crítico e bem conseguido que vale a pena ler. Um post que, duma forma irónica e original, aponta o dedo a alguns dos maiores flagelos que os "senhores do mundo" nos impõem. Leiam e meditem!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Nas pontas do dedos


O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.
Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se "amar nada"
chame-se "amar tudo".

E porque não minto
sou um labirinto
José Gomes Ferreira

quinta-feira, agosto 03, 2006

portugal corrupto?



Portugal é um dos Estados-membros da UE mais afectados pela epidemia da corrupção. A corrupção, um crime que não deixa rasto e é de difícil prova, corrói a democracia. A verdade é que faltam estudos e estatísticas que ponham a nu os tentáculos deste braço invisível que, segundo consta, se estende a todo o aparelho de Estado. Os números mais recentes são da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira, da Polícia Judiciária (PJ). Um relatório inédito que aclarou um pouco a escuridão em que se encobre o negócio dos favores e subornos, em Portugal.
Entre 2002 e 2005, a PJ iniciou 6976 investigações por crimes económico-financeiros, dos quais 1251 relacionados com casos de corrupção. Sem surpresas verificou-se que na maioria dos dossiês constam autarquias. Forças de segurança, entidades relacionadas com o sector rodoviário e administração central também concentram preocupantes focos de corrupção. Uma das medidas recomendadas pelo Conselho da Europa de combate a este fenómeno - que ainda não é tida em conta - é a obrigatoriedade de um período de luto entre o exercício de cargos públicos e a passagem a cargos no privado, com interesses incompatíveis - como, por exemplo, o antigo funcionário do Estado que vai exercer consultoria em empresas que ele próprio tenha beneficiado.

link

Meu comentário:
Penso que a ignorância é a “fonte de abastecimento” para os corruptos e os tiranos. Um povo ignorante não pode de forma alguma disfrutar de um nível de vida digno, uma vez que não possui a capacidade necessária para escolher o governo que o represente adequada e dignamente. Acredito que um segmento muito significativo da nossa sociedade sofre de um nível de ignorância extremamente alto e, o mais vergonhoso, é que nada se faz para educar essa franja social.
Existe todo o interesse em manter o povo num verdadeiro estado de incultura. Parece-me que existe uma espécie de “compra e venda de vontades”, intrínseca na lógica de una economia de mercado. Enquanto a posse da riqueza em forma de dinheiro actuar como um excedente de poder, honra, status e privilégio, a possibilidade de corrupção é inerente a uma ordem social, cujo grau de êxito está directamente relacionado com a quantidade de milhões de euros, dólares ou libras esterlinas que se consigam alcançar. A riqueza é a medida de todas as coisas. A pobreza, por outro lado, é carência de virtudes. Crescer e acumular. A visão de um mundo onde se nasce para ter dinheiro, altera a natureza da condição humana. A degradação das convicções e dos valores éticos projecta-se na vida quotidiana até que chega a converter-se em “prática corrente”. O sonho de alguns (se calhar não poucos) é que, um dia qualquer, alguém com dinheiro lhes ofereça uma boa quantia por realizar alguma loucura: "ofereço-te X para escavacares o teu carro", "outro tanto para te deixares violar" e "um pouco mais para venderes um rim". Tudo isto dentro de uma base de relações contratuais e acordos com lógica de mercado.
E, bem… é verdade que não é necessário esperar o consentimento do capitalismo, para que este tipo de corrupção de carácter se manifeste.




*Post recuperado.

sexta-feira, julho 28, 2006

Apenas" um jogo de vídeo?



World in Flames

Mercenários 2 – O Mundo em Chamas" é um jogo de video que vai sair para o ano, certamente entre dezenas de milhares de outros que alimentam - ou criam, vá-se lá saber - a necessidade de jogar no computador ou na consola. O que o torna especial é tratar-se de um simulador da invasão da Venezuela por forças mercenárias dos EUA em 2007, para derrotar um «tirano sedento de poder» que se apropria das reservas de petróleo e «transforma o país numa zona de guerra». Inclui cenários reais das ruas e edifícios de Caracas, da companhia petrolífera nacional e imagens de satélite verdadeiras. O Governo venezuelano denunciou o lançamento do jogo como um elemento da «campanha de terror psicológico» dos EUA contra o país. A produtora diz que «é só um jogo de vídeo».A polémica tem sido grande em todo o mundo. Tão grande, que a produtora do jogo se viu obrigada a publicar no seu sítio na internet um esclarecimento: «nunca foi contactada por qualquer agência do Governo dos Estados Unidos acerca do desenvolvimento do jogo.» Mas é preciso que as histórias dos jogos sejam plausíveis, acrescenta. Lá está: para esta gente, é plausível que a Venezuela seja atacada militarmente pelos EUA. Tal como o título deixa claro, este jogo uma sequela. Na primeira edição, os mercenários tinham como missão matar um general do exército da Coreia do Norte (sic), portador do código que daria início a uma guerra nuclear. O objectivo n.º 1 era, claro, garantir a segurança do mundo. A produtora tem tradição neste tipo de jogos. Recebeu 5 milhões de dólares para fazer um jogo de treino para os soldados do Exército dos EUA, em que estes se confrontam com cenários de combate urbano. Uma das missões do jogo chama-se «Dia das Eleições» e os soldados devem garantir a segurança de um acto eleitoral num país onde as pessoas lhes chamam «porcos capitalistas». Porque será?O jogo é produzido por uma das empresas de George Lucas – a Pandemic Bioware Studios, financiada em 300 milhões de dólares por uma outra, a Elevation Partners, que tem como sócio Bono Vox, o caridoso vocalista dos U2. Bono é conhecido nos últimos anos pelas suas encenações de contra-poder, participando em concertos pela abolição da dívida aos países africanos e reunindo depois com os senhores do G8. E assim cai mais uma máscara de falso pacifista e humanizador do capitalismo.Quem disse que não havia ofensiva ideológica?
Nota: A Venezuela não é a única a sofrer com uma guerra em games. No Kuma War, o Irã é invadido pelo exército. Enquanto George W. Bush pensa em invadir o país, o jogo permite brincar com diversas sabotagens nas centrais nucleares iranianas.


terça-feira, julho 25, 2006

A talhe de foice

Tão perto e tão longe...

Israel está a bombardear o Líbano desde o passado dia 12, no que diz ser uma resposta ao sequestro de dois soldados seus pelo Hezbollah. A operação, segundo o chefe de Estado Maior adjunto do exército israelita, general Moshé Kaplinski, deverá prolongar-se pelo menos por mais uma semana.( duas semanas já lá vão e possivelmente muitas mais se seguirão) No encerramento desta edição, (a 20 de Julho) o número de mortos ascendia já a duas centenas e meia, enquanto a destruição de edifícios e infra-estruturas (pontes, estradas, aeroporto, centrais de electricidade e abastecimento de água, entre outras) prosseguia a um ritmo devastador.Longe do cenário de guerra – onde não chega o cheiro a sangue, nem os gritos de dor, nem os estilhaços das bombas, nem o som das derrocadas, nem o aguilhoar do medo sem medida –, lá longe, dizia, a União Europeia condena os ataques do Hezbollah e o rapto dos dois soldados israelitas, exigindo a sua libertação imediata, e pede «contenção» a Israel, cujo direito à autodefesa não contesta.Igualmente longe do cenário de guerra – onde as imagens das crianças mortas, se é que chegam, causam tanta emoção como as das chacinadas alegremente por heróis de jogos de vídeo; onde a dor sem remédio de perder um filho é medida por bitolas que distinguem aliados de adversários; onde os direitos de uns não fazem sequer sentido fora do âmbito dos interesses de outros –, lá longe, dizia, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu sequer produzir um comunicado sobre a situação no Líbano, já que os EUA rejeitam a exigência de um cessar-fogo até que Israel dê por concluída a «operação» que está a levar a cabo.Mais longe ainda do cenário de guerra – e todavia tão próximo dos que usam e abusam do poder de exterminar povos, invadir países e semear a destruição –, lá longe, dizia, na cimeira do G8, Bush e Blair mostraram involuntariamente ao mundo como de facto encaram a carnificina que está a ser cometida no Líbano, ao falarem sem dar conta que os microfones (e as câmaras) da reunião estavam ainda ligados. «O que é preciso é envolver a Síria, de forma a que o Hezbollah pare de fazer merda e pronto», disse Bush, mais preocupado em regressar a casa do que com os mortos no Líbano ou em qualquer outro lugar do planeta.Amanhã, como ontem, a Casa Branca e as centrais de desinformação farão saber que o «eixo do mal» – para o caso Síria e Irão – são os verdadeiros responsáveis pelas vítimas das bombas israelitas e que não há vida que valha os interesses do império.Enquanto isso, Israel vai continuar a sacrificar os seus próprios filhos, distinguindo-os apenas com a duvidosa honra de considerar que o seu sangue derramado vale infinitamente mais do que o sangue dos filhos alheios, pelo que por cada um que tombar há que matar centenas de outros. Esta contabilidade macabra não resgatará nenhum da morte, não aliviará a dor do luto, não encherá o vazio da perda, mas contribuirá sem dúvida, como até aqui, para estimular o ódio e alimentar a intolerância mútua. Longe, muito longe das bombas e das vidas ceifadas, os senhores da guerra e seus acólitos congratulam-se. As armas vendem-se como tremoço, o petróleo sobe, os lucros aumentam, o negócio vai bem e recomenda-se.

Anabela Fino in Avante

sábado, julho 08, 2006

Férias

Este blog
vai de férias e,
durante 15 dias
não haverá desabafos!

sexta-feira, julho 07, 2006

Democracia

Sobre o conceito de democracia...


Nos próprios países capitalistas desenvolvidos há várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado...

trabalho, por exemplo, mas dizer que a sociedade capitalista reconheceu abstractamente e juridicamente, direitos e liberdades, também eles concebidos de uma forma abstracta, isto é, abstraída do modo de funcionamento concreto da sociedade. Esta distinção é importante, se for vista como um “catálogo” de direitos e liberdades, como princípio teórico de fundamentação na crítica que faço à sociedade capitalista e ao modo como a democracia é exercida nas sociedades capitalistas. Qual é o modo de compatibilização entre o direito ao trabalho e o direito a explorar? O direito a um estatuto social e poder social, a um determinado poder político e um determinado poder cultural, com base na exploração do trabalho de outros?
Há ainda outras perguntas que têm a ver com o princípio da igualdade, do direito de voto e da universalidade do direito de voto, nos seus estritos termos formais. Não posso calar esta pergunta: o voto do Belmiro de Azevedo ou do Champalimaud é igual ao voto de um desempregado têxtil do Vale do Ave? Esta Pergunta é demagógica ou capciosa? Ou realmente aponta para qualquer coisa que se passa e que tem a ver com a vida real? Tenho de facto que argumentar que não é igual. Não é concretamente igual, nem na formação da vontade e da escolha, portanto no que precede o voto, nem depois do voto.
E isto tem a ver com o problema de tornar reais e efectivamente exercidos, direitos e liberdades que eu própria defendo. Tenho pois, e em meu entender, de concluir que a questão de tornar esse exercício efectivo e real, pressupõe desde sempre, a realização de condições materiais.
E onde está efectivamente a democracia quando, num acto eleitoral existe uma elevada taxa de abstenção? Como é possível afirmar que os governos eleitos são realmente o reflexo da vontade democrática dos povos, quando é o povo que se abstém de fazer a sua escolha? Acresce ainda o facto de que, quando a democracia é apenas para 20 ou 30 por cento, o poder não pode ser considerado de forma alguma um poder democrático...

Sendo o sistema capitalista hoje, um sistema mundial, isto é, que existe em todos os continentes e que é dominante à escala mundial, é completamente inaceitável a associação entre capitalismo e democracia quando conhecemos o que se passa no Terceiro Mundo, no chamado Quarto Mundo, etc… ou seja, o modo como o capitalismo concilia, apoia, aguenta, sustenta, promove e provoca situações não democráticas, um pouco por todo o lado no mundo.
Nos próprios países capitalistas desenvolvidos o que é que se tem vindo a passar com o estado da democracia? Há vários sintomas e várias manifestações que mostram como a democracia não é um dado adquirido e consolidado e sofre crescentes restrições. É evidente que nesses países a conexão entre as várias esferas da democracia está profundamente quebrada, distorcida ou não existe mesmo.
Fenómenos como a abstenção nas votações em países como EUA, Alemanha ou Inglaterra, são significativos do alheamento de grandes partes da população na escolha dos seus dirigentes políticos. Por outro lado, o modo como os meios de comunicação social, designadamente a TV, funcionam no mundo capitalista contemporâneo são uma ameaça efectiva ao exercício real das escolhas políticas. E isto é reconhecido por muitos intelectuais não marxistas…
Marx, e designadamente Lenine em “O Estado e a Revolução”, salientam uma distinção entre o reconhecimento formal das liberdades e a democracia real ou material. Mas não se trata de fazer essa distinção (direitos e liberdades formais e direitos ou liberdades reais ou materiais) enquanto coisas distintas. Mas sim um outro tipo de distinção: a crítica ao modo como o reconhecimento formal da democracia, dos direitos e das liberdades não correspondia (e não corresponde todavia) ao exercício real desses direitos e dessas liberdades nas sociedades capitalistas. O problema não está, portanto, em distinguir direitos que são formais, como a liberdade de expressão ou de voto, e direitos que são materiais ou reais, como o direito ao

quinta-feira, julho 06, 2006

Proteger a Floresta

Uma Ideia Luminosa
Que PodeAjudar
A Proteger a Floresta

Com as facturas da electricidade e do telefone, recebes PUBLICIDADE. Não a deites fora!
GUARDA-A, junta-a e reenvia-a aos respectivos serviços. Deixa que sejam eles a deitá-la no lixo!
Recebes correio para empréstimos, cartões de crédito… ou “ negócios “, muitas vezes acompanhados de ENVELOPES DE RESPOSTA PAGA…. Em vez de os deitares no lixo, mete essas inutilidades nos tais envelopezinhos e põe-nos no correio!
Envia: a publicidade do mecânico automóvel… ao teu operador telefónico; os cupões de desconto de pizzas ao… teu banco; as promoções do supermercado a… quem tu quiseres! E sem remetente. Verifica sempre se algum dos teus dados pessoais não figura num destes documentos devolvidos. Podes também… enviar o envelope de resposta paga, VAZIO ! ! !
Que tal?! Se todos fizermos isto… Os bancos, as instituições de crédito e outros, receberão de volta todas as porcarias que nos enviaram. Eles que as apreciem! Pagarão eles próprios as franquias, e 2 vezes: o envio e a devolução!
Uma maneira simples de ter menos resíduos… de preservar o planeta e as nossas florestas! Não custa tentar e até pode ser divertido!


Recebido por mail.

segunda-feira, julho 03, 2006

Petição Um Milhão de Rostos

Existem 639 milhões de armas no mundo - uma arma para cada dez pessoas. Todos os anos morrem em média 500.000 pessoas vítimas de violência armada - uma pessoa por minuto! Assinei esta petição e sei agora que a mesma já foi entregue. Esperemos que não caia em "saco roto"! A confirmação da entrega, na minha caixa de correio

Secretário Geral das Nações Unidas recebe a maior petição visual alguma vez realizada, pedindo um maior controlo no comércio de armas A Petição Um Milhão de Rostos, que contem mais de um milhão de fotografias de pessoas de 160 países foi entregue, no dia 26 de Junho, a Kofi Annan por Julius Arile, um sobrevivente de violência armada do Quénia. Os activistas da campanha "Controlar as Armas" ergueram uma AK-47, construida com próteses, homenageando as vítimas de violência armada que vêm a sua vida afectada para sempre. Foi ainda construido um painel com as fotografias recolhidas em todo o mundo. Julius Arile disse a propósito desta campanha: "Fui a milionésima pessoa a aderir á Petição. Fi-lo porque o meu país, o Quénia, tem sofrido demasiado por causa das armas de pequeno porte. Gostaria que esta conferência chegasse a um acordo sobre os princípios globais para a venda de armas. Temos o dever de dar este passo, por causa das pessoas em todo o mundo que, como eu, sofreram por causa das armas". Ao receber a Petição Kofi Annan afirmou: "Transmitirei este apelo por um tratado sobre o comércio de armas ao Presidente da Conferência de Revisão para que informe todos os Estados Membros. Estará nas suas mãos decidirem o futuro desta iniciativa. Espero que esta petição simbolize a forma como os governos e cidadãos podem trabalhar juntos para alcançar o objectivo fundamental desta conferência – ou seja – salvar vidas." Veja as imagens da entrega e acompanhe o desenvolvimento desta Conferência em www.controlarms.org/events/unreview.htm Mais uma vez, Obrigada por ter participado! Luisa MarquesCoordenadora de Campanhas e EstruturasAmnistia Internacional PortugalTelf: 21 386 16 52Fax: 21 386 17 82e-mail: l.marques@amnistia-internacional.pt----------------------------------------Apoie a implementação de um Tratado Internacional que regule o Comércio de Armas. Seja um num Milhão: www.controlarms.org


domingo, julho 02, 2006

Lei das Finanças Locais

O burro, de novo...
om a pompa do costume, o ministro António Costa anunciou no início desta semana o projecto governamental da nova Lei das Finanças Locais (LFL). No dia seguinte, três jornais ditos de referência titulavam a coisa, sempre ao alto da primeira página:
Autarquias vão poder aliviar contribuintes de 3% do IRS, proclamava o Diário de Notícias (DN);
Municípios vão ter autonomia para baixar IRS até 3 por cento, gritava oPúblico;
Câmaras ganham poder para baixar IRS, troava o Diário Económico (DE), fazendo mesmo questão de repartir o espaço com uma foto do ministro a mexer em papéis com toda a competência.
O País que se fica por uma mirada às primeiras páginas dos escaparates terá concluído que o Governo havia decidido conceder às autarquias a «autonomia» (segundo o Público) ou o «poder» (na exuberância do DN e do DE) para «baixar o IRS», novidade ainda mais extraordinária se o País se lembrar do constante incumprimento governamental da LFL, reduzindo sempre e ainda mais os já parcos recursos financeiros descentralizados para o Poder Local.
Provavelmente, o País nem terá reparado na curiosa coincidência de os três jornais «de referência», com tiragens e coberturas nacionais, todos militando no famoso «pluralismo informativo», haverem titulado a notícia tão da mesma maneira, que praticamente o que as distingue é a distância semântica que separa os vocábulos «autonomia» e «poder».
Seja como for, todos os títulos conduziram os leitores à conclusão de que a revisão da LFL anunciada pelo ministro Costa assenta essencialmente no objectivo de dar poder às autarquias para reduzir o IRS .
Quem se dê ao trabalho de ler o interior, verificará que o próprio ministro garante isso mesmo, dizendo textualmente que a «ideia» da nova LFL «não é o Estado reduzir as transferências, mas sim introduzir maior justiça na distribuição». Sabem como? O mesmo António Costa explica no DN: «Com a anterior Lei os municípios recebiam 30,5% do total cobrado de IRS, IRC e IVA. No novo enquadramento recebem cumulativamente 25% destes três impostos» e «a isto acresce a participação, só sobre o IRS, de 5%» - sendo aqui que reside o famoso «poder» das autarquias em «diminuir o IRS» pois, segundo esta proposta, passarão a ficar com «5% sobre a colecta líquida do IRS» mas onde apenas 2% «serão fixos», dando-se às câmaras a «possibilidade» de «oferecerem aos munícipes» os 3% restantes, embora o Governo não diga onde vão depois os municípios recuperar essa verba «doada»....
Em resumo: o que o ministro Costa veio, realmente, anunciar é que a nova LFL vai cortar as transferências financeiras para as autarquias, passando-as dos actuais 30,5% do total cobrado nos impostos do IRS, IRC e IVA para uns futuros 25%, «compensando» essa perda brutal de 5,5% das receitas de três impostos com uns meros 2% de um único (o IRS), acompanhados pela quase obrigação de as câmaras prescindirem de mais 3% do mesmo IRS «a favor» dos munícipes (e eleitores, pois claro...).
De tudo isto, o que os jornais «de referência» destacaram foi o «novo poder das câmaras para baixar o IRS». Não há dúvida que a multidão de assessores de imprensa, pagos a peso de ouro como foi há dias noticiado e que enxameia o Governo de Sócrates, sempre serve para alguma coisa...
Quanto ao engenho do ministro António Costa em transformar um corte orçamental numa «justiça de distribuição», palavras para quê? Trata-se do mesmo criativo que há uns bons anos, para provar o óbvio nos engarrafamentos da Calçada de Carriche, pôs um burro a competir com um Ferrari.
Glosando um texto da época, parece que o «burro do Costa» atacou de novo...

Henrique Custódio in "Avante"

terça-feira, junho 27, 2006

Goodbye dear Michelle

My Teacher is gone...

Michelle of Mandarin Design passed away this weekend. For those of you who do not know Michelle, she was a generous and gracious person. And like others around the internet, I already feel the loss. I knew Meg only since a few months, but I’m blessed to new such a kind helpful person. Meg was always so kind and generous in sharing her tips on blogging and she made us to feel especial some times, when she eulogies ours trips, because she was a sweet teacher too. Rest in peace, dear Meg.

Our Friend Who's Gone Away We really didn't have her long - Our friend whose gone away. And if things could be different I confess I'd have her stay With us and bless us with her friendship and her smile, She grew so very dear to us in such a little while.
Now we all are lonesome - Each heart has an empty space- That wants to feel her hand again and see her smiling face - And hear her speak so gently, and just be with us each day. We miss her and we're grieving for - Our Friend whose gone away.



More about Meg here anda here.
Funeral notice

segunda-feira, junho 26, 2006

A Revolta das galinhas

..............Nos aviários está o nicho
de reprodução do vírus que aterroriza a Humanidade...

A galinha talvez seja a primeira ave a ter sido domesticada há cerca de 12 mil anos quando o ser humano começou a ficar sedentário. Desde então as galinhas têm um destino sinistro: raramente morrem de morte natural. São mortas para o consumo humano. Da sua perspectiva, a vida é simplesmente uma tragédia! Normalmente, são criadas ao ar livre, deambulando ao redor das casas. As chamadas “galinhas do campo” são preferidas por serem muito mais saudáveis. Mau grado seu, a sociedade da produção industrial transformou-as em máquinas para produzir carne e ovos. Fechadas, aos milhares, em aviários nos quais em cada metro quadrado são criadas de dez a doze, enganadas pela iluminação que lhes tira a percepção da noite, alimentadas por promotores de crescimento e de antibióticos para crescerem até um ponto comercialmente ideal, durante pelo menos quarenta dias, são submetidas a enorme padecimento. Quem visita um desses “currais aviários”, facilmente se indigna e se compadece com o seu “karma”. A espécie humana especializou-se em submeter impiedosamente todas as outras espécies, para tirar proveito delas mesmo que isso implique grande sofrimento. Agora, depois de séculos de violência, as galinhas estão-nos a dar o troco. É a vingança das galinhas... E vem sob a forma de gripe: a gripe aviária, que além de atingir outros seres vivos, atinge também os humanos. É o famoso vírus H5N1. Vírus aviários sempre existiram em formas não letais. Agora este H5N1 revela-se uma cepa patogénica. E se havia dúvidas quanto ao facto de poder sofrer mutações que o tornassem capaz de se transmitir aos seres humanos, parece que as galinhas alcançaram o seu propósito, porque se pode multiplicar loucamente entre a espécie humana e matar entre 150 milhões a um bilião de pessoas, consoante previsões científicas. Não existe um antídoto que o elimine, apenas possui efeito limitante. É o famoso Tamiflu que, segundo dados conhecidos de todos nós, não age profilaticamente, apenas 18 horas após a infecção. O que eu desconhecia, é que já hoje é sabido, que a origem da gripe não provém de galinhas criadas ao ar livre, mas das práticas avícolas industriais e pela utilização de "subprodutos" da criação avícola como ração industrial. E mais: a Fundação BirdLife demonstrou que o padrão de focos da gripe segue as rotas das estradas e das vias férreas e não as rotas dos voos de aves migratórias. A gripe é pois a consequência do manejo cruel que nós, seres humanos temos feito com as galinhas confinadas. Ai está o nicho de reprodução do vírus. É uma doença sistémica.
Traz-nos à nossa consciência um alerta, que tem de passar inevitavelmente por uma outra forma de relação com os seres vivos que não implique crueldade mas racionalidade e compaixão. Já imaginaram se todos os outros animais copiassem a atitude das galinhas e se revoltassem numa acção conjunta contra a Humanidade?